Tuesday, July 20, 2010
O dia do amigo
"CALE A BOCA!", grita, chamando a atenção de todos. Grita contra a própria consciência, que lhe atormenta e não deixa que se esqueça daquilo que não tem certeza. Não tem certeza do que fez, assim como do que poderia ter feito mas foi orgulhoso. E já não tem mais certeza de quase nada. Neste boteco sujo, com estas pessoas estranhas que agora lhe olham como se fosse apenas um bêbado perdido na noite. "Bando de idiotas".
Larga o dinheiro no balcão e sai cambaleando, observado pelos que fazem piada de seus trejeitos - iguais aos de qualquer homem após algumas doses de cachaça. Andando sem rumo e procurando um motivo para voltar para algum lugar, segue em frente, em direção a praça. Como se lá fosse encontrar algum conforto, no lugar que costumava frequentar quando tudo ainda era muito diferente do que resta hoje. Com a única certeza de que no dia seguinte terá que se ver com uma dor de cabeça igual a do dia anterior.
Saturday, July 10, 2010
Discurso de Tyler Durden, no filme Clube da Luta (Fight Club)
Thursday, July 08, 2010
Sem saco
Personagem #2, cidadão comum, trabalhador, cansado, exaurido e sem cabeça para nada: "..."
Bate a porta com força.
Wednesday, July 07, 2010
Decisão
A porta certa eu sei qual é, mas ao mesmo tempo não sei qual escolher. Não se trata de não querer, mas a porta ideal é de uma maneira que eu conheço em minha mente, em minha pré-concepção, mas quando olho para as duas, elas parecem iguais - o que as diferencia é apenas a essência. E, novamente, o que eu imagino como sendo ideal pode não ser tão melhor, ou até talvez, quem sabe, não ser melhor de nenhuma maneira, mas ainda assim ser bom - espero eu.
Para trás não vou. Atrás está um caminho sujo, molhado, cheio de lodo. Já disse que, nesta cena, o ambiente está todo escuro, com os holofotes focados em um espaço pequeno, do tamanho de um quarto simples de um hotel barato de uma cidade perdida de um filme que ninguém conhece? Pois bem, imagine este espaço, mas aberto e comigo encarando duas portas, uma ao lado da outra, e com um caminho atrás, sem fim, escuro e cheio de lodo. Mencionei meus trajes? Estou usando aquele paletó de viajante pobre, meio marrom, meio tom de areia. Não sou tão bom assim com cores, não exija muito de mim neste aspecto.
E cai um pingo. Um pingo seguido de outro, em minha cabeça. Volto minha visão ara cima e percebo que, neste mesmo cenário, temos também um cano velho e enferrujado, que deixa vazar um pouco da água - refrescante, mas ao mesmo tempo gelada demais, assustadoramente gelada - que vem do outro lado. O lado de trás das portas, soando como um incentivo, um lembrete de que eu devo fazer alguma coisa, tomar alguma decisão, ir ou ficar, decidir, então. E eu me ponho a pensar. Qual porta devo escolher? A da direita ou a da esquerda?
Wednesday, June 23, 2010
Papo de boteco
Cidadão comum 2: "Não sei, mas quando eu aproveito o que ela tem de bom parece fazer o maior sentido."
Thursday, June 17, 2010
O telefonema
E fico olhando para o nada, perplexo.
Thursday, April 15, 2010
sem maiúscula
Tuesday, April 13, 2010
Sai pra lá que aqui tem gente
Pronto, ufa. Acho que deu. Agora eu posso descansar, respirar com mais calma, por a cabeça no lugar. E pensar duas, três vezes, antes de me aborrecer, de querer gritar, de extravasar.
Saturday, November 21, 2009
Ludwig
Abre os olhos, retorna ao piano e rabisca no papel sua inspiração. Notas e mais notas escritas em uma velocidade impressionante, digna de quem domina a arte. Encosta a cabeça no instrumento enquanto toca, dedilhando tríades repetidas vezes, num movimento simples, quase que minimalista. E a mão esquerda dando as notas graves de sua revolta, sua tristeza, mostrando a distância que está de seus sonhos, deixados para trás para poder encarar a realidade de forma madura.
Possui o dom que muitos sonhariam em ter - se não todos -, e a admiraçao do público, mas isso já não é o suficiente. Dizem que quem conquista seus objetivos sempre segue em frente, em busca de algo mais. Mas para aquele que vive só, a vida se mostra amarga, mesmo no sucesso. Cada dia parece ser apenas mais um na espera por encontrar alguém para poder dividir.
Friday, April 10, 2009
Bebendo vinho sozinha no meio da noite
Abre uma garrafa de um vinho barato, mas que terá valor esta noite. "Pra que celebrar o nada?", se indaga em voz alta e cheia de sarcasmo.
Monday, February 23, 2009
Menos uma pétala, menos duas, menos três...
Wednesday, February 04, 2009
Por trás da selva

Em meio a escuridão, a luz me atrai. Não só a mim, como aos mosquitos, que não têm a chance de compreender a sorte de estarem aqui. Uma paisagem tão bela que parece um frame, um pedaço daquela cena impecávelmente fotografada do seu filme favorito.
Uma paz. Daqui não ouço o barulho dos carros, a bagunça lá de baixo. Apenas o som do vento passando e balançando as folhas, tão verdes e com tantos tons distintos, que se mesclam com a luz artificial, amarelada, formando um verdadeiro colírio.
É aqui que eu quero estar, no lugar onde jamais fui, mas sei que neste momento está lá. Me esperando para que um dia eu faça uma visita, e me recorde daquilo que registrei com meus próprios olhos.
*foto de Eduardo Rudge
No ponto
Espero passar.
Espero outra vez, uma vez que quando passou primeiro eu ainda era o segundo, e não pude entrar.
Espero outra vez, para ver se desta vez, não deixo passar.
Mas vou entrar.
Se passar.
Espero.
Thursday, October 02, 2008
Inverno. Ao anoitecer.
E vão sentir frio.
Wednesday, October 01, 2008
Wake up!
palavras-chave: irmão mais velho, mentor espiritual, psicótico
Depois da calmaria...
Sinto falta dele, de alguma forma. Mais relaxado do que ele costumava ser, mas sinto. Mesmo que ele tome um pouco do meu ar - a falta dele tem me tomado mais que o suportável.
Friday, March 07, 2008
Trilha para uma fuga espetacular

Falta tempo. Ele vai e eu fico. Vou, não como queria. Como uma parte de mim, enquanto a outra luta. Mas... o cansaço é humano. E o corpo precisa de... descanço. Descalço.. detonado.. deste lado.. desprovido.. esparramado... descompromissado. Sonhando sonhos sem gravidade...
Monday, September 03, 2007
A praça abandonada
No meio do breu, as luzes dos faróis dos carros cortam o escuro, abrindo caminho pela noite em grande estilo, nestas ruas quase sem iluminação que ninguém realmente sabe como são durante o dia, uma vez que aqui parece não haver o dia.
O cheiro de xixi dos gatos abandonados, que se multiplicam a cada ano e já dominaram a praça que fica no caminho do trabalho para casa, é terrível. Desejaria, talvez uma rinite para, quem sabe, conseguir ficar alguns dias sem ter que passar por isso. Ou será que não? Seria ruim demais perder a capacidade de sentir o odor de todas as coisas boas, nem que fosse por apenas algum tempo, para assim conseguir evitar este incômodo? Talvez, mas isso é algo que provavelmente ficará sem resposta.
Os gatos são muitos e ocupam todo o quarteirão. Eles andam à espreita, observando e se esquivando enquanto a praça não fica para trás. Ficam aos pés das árvores, dentro e fora das latas de lixo, revirando-as não apenas em busca de comida, mas também por esporte – afinal, eles são gatos e precisam fazer este tipo de coisa. Seus olhos, malvados, sem caráter, brilhando no escuro. Parecem conspirar para que algo de errado ou, quem sabe, planejam algo de muito, muito ruim. Não seria exagero acreditar que, pelo jeito como se movimentam acompanhando quem passa por perto, estariam esperando apenas esperando uma oportunidade para cercar e atacar quer chega perto.
Dizem por aí que a cada noite um passante é emboscado enquanto caminha pelo quarteirão da praça, tentando apenas chegar em casa após um longo e desgastante dia de trabalho. E é aí que os gatos vencem. Cansada e já sem cabeça para pensar muito, a vítima percorre seu trajeto sonhando apenas em deitar em sua cama e dormir, sem prestar muita atenção aos felinos que, percebendo o deslize, cercam o sujeito e partem para cima. Dizem também que eles, depois de arranhar e lamber, levam suas vítimas para um altar secreto no subsolo, no meio da quadra e de onde ninguém jamais retornou. Lá, onde ficam os gatos mais velhos, que nada fazem além de dormir e comer os alimentos trazidos pelos gatos mais novos, os que sobrevivem aos ferimentos e às noite de frio, que parecem durar dias, são obrigados a ficar, uma vez que não encontram saída – mesmo procurando por ela indefinidamente.
Mas isso não vem ao caso agora. Não é hora de gastar o tempo divagando ou pensando em coisas que ninguém sabe ao certo se são verdade ou não. É preciso manter o rumo, seguir o caminho. Não é bom ficar para trás. Ninguém gosta de ser o último, de ficar perdido. Não é mesmo? Neste momento tudo que eu quero agora é chegar logo em casa, depois de ter um dia tão desgastante.
Só que a rua está completamente deserta, sem nenhuma alma humana passeando por estas bandas. E os gatos continuam a me olhar. E eu não gosto nada disso.
Friday, July 27, 2007
Quase meia-noite
A desilusão é constante, principalmente quando tentamos, incoscientemente e a todo tempo, eleger mestres para podermos seguir. Aqui se manifesta noavmente a necessidade do ser humano de encontrar uma segurança, um alicerce que nos livre da sensação de total abandono nesta terra (qualquer terra). Uma das poucas fés que podemos ter nas pessoas, vejo cada vez mais, é em nós mesmos (salvo algumas almas merecedoras de medalhas; mas estas são poucas e... palmas para elas!!!).
Não aos ídolos! Está na hora de organizar a cabeça e resgatar aquela pequena lição de cada um, para ver se assim o verdadeiro "ideal", que é relativo - sim, porque depende do que você busca - se materialize, ao menos na imaginação. De pouco em pouco a galinha enche o papo...
É? Enche o papo, é? Pro diabo com a galinha. Frases de merda que ajudam e ao mesmo tempo emburrecem. Tudo que eu quero é dormir e... não criar conceitos equivocados.
Tuesday, March 06, 2007
Carcomido
Levanta-se. O peso do próprio corpo já ultrapassa o suportável - tantos anos de sedentarismo não poderiam ficar
A idade veio, e com ela a degradação, a fraqueza. Antes era jovem, forte, impulsivo. Agora, não passa de um velho, um defunto, um corpo apenas. Uma peça de museu. Mas, uma peça de museu que tenta alcançar a porta. Com seus dedos finos e já sem pele, com seus ossos à vista, como todo zumbi que tenta ressurgir da morte, ele insiste. E a maçaneta continua tão distante quanto antes. Pensa
E ele tenta mais uma vez, com o peso do próprio corpo ultrapassando o suportável.