Saturday, November 21, 2009
Ludwig
Abre os olhos, retorna ao piano e rabisca no papel sua inspiração. Notas e mais notas escritas em uma velocidade impressionante, digna de quem domina a arte. Encosta a cabeça no instrumento enquanto toca, dedilhando tríades repetidas vezes, num movimento simples, quase que minimalista. E a mão esquerda dando as notas graves de sua revolta, sua tristeza, mostrando a distância que está de seus sonhos, deixados para trás para poder encarar a realidade de forma madura.
Possui o dom que muitos sonhariam em ter - se não todos -, e a admiraçao do público, mas isso já não é o suficiente. Dizem que quem conquista seus objetivos sempre segue em frente, em busca de algo mais. Mas para aquele que vive só, a vida se mostra amarga, mesmo no sucesso. Cada dia parece ser apenas mais um na espera por encontrar alguém para poder dividir.
Friday, April 10, 2009
Bebendo vinho sozinha no meio da noite
Abre uma garrafa de um vinho barato, mas que terá valor esta noite. "Pra que celebrar o nada?", se indaga em voz alta e cheia de sarcasmo.
Monday, February 23, 2009
Menos uma pétala, menos duas, menos três...
Wednesday, February 04, 2009
Por trás da selva

Em meio a escuridão, a luz me atrai. Não só a mim, como aos mosquitos, que não têm a chance de compreender a sorte de estarem aqui. Uma paisagem tão bela que parece um frame, um pedaço daquela cena impecávelmente fotografada do seu filme favorito.
Uma paz. Daqui não ouço o barulho dos carros, a bagunça lá de baixo. Apenas o som do vento passando e balançando as folhas, tão verdes e com tantos tons distintos, que se mesclam com a luz artificial, amarelada, formando um verdadeiro colírio.
É aqui que eu quero estar, no lugar onde jamais fui, mas sei que neste momento está lá. Me esperando para que um dia eu faça uma visita, e me recorde daquilo que registrei com meus próprios olhos.
*foto de Eduardo Rudge
No ponto
Espero passar.
Espero outra vez, uma vez que quando passou primeiro eu ainda era o segundo, e não pude entrar.
Espero outra vez, para ver se desta vez, não deixo passar.
Mas vou entrar.
Se passar.
Espero.
Thursday, October 02, 2008
Inverno. Ao anoitecer.
E vão sentir frio.
Wednesday, October 01, 2008
Wake up!
palavras-chave: irmão mais velho, mentor espiritual, psicótico
Depois da calmaria...
Sinto falta dele, de alguma forma. Mais relaxado do que ele costumava ser, mas sinto. Mesmo que ele tome um pouco do meu ar - a falta dele tem me tomado mais que o suportável.
Friday, March 07, 2008
Trilha para uma fuga espetacular

Falta tempo. Ele vai e eu fico. Vou, não como queria. Como uma parte de mim, enquanto a outra luta. Mas... o cansaço é humano. E o corpo precisa de... descanço. Descalço.. detonado.. deste lado.. desprovido.. esparramado... descompromissado. Sonhando sonhos sem gravidade...
Monday, September 03, 2007
A praça abandonada
No meio do breu, as luzes dos faróis dos carros cortam o escuro, abrindo caminho pela noite em grande estilo, nestas ruas quase sem iluminação que ninguém realmente sabe como são durante o dia, uma vez que aqui parece não haver o dia.
O cheiro de xixi dos gatos abandonados, que se multiplicam a cada ano e já dominaram a praça que fica no caminho do trabalho para casa, é terrível. Desejaria, talvez uma rinite para, quem sabe, conseguir ficar alguns dias sem ter que passar por isso. Ou será que não? Seria ruim demais perder a capacidade de sentir o odor de todas as coisas boas, nem que fosse por apenas algum tempo, para assim conseguir evitar este incômodo? Talvez, mas isso é algo que provavelmente ficará sem resposta.
Os gatos são muitos e ocupam todo o quarteirão. Eles andam à espreita, observando e se esquivando enquanto a praça não fica para trás. Ficam aos pés das árvores, dentro e fora das latas de lixo, revirando-as não apenas em busca de comida, mas também por esporte – afinal, eles são gatos e precisam fazer este tipo de coisa. Seus olhos, malvados, sem caráter, brilhando no escuro. Parecem conspirar para que algo de errado ou, quem sabe, planejam algo de muito, muito ruim. Não seria exagero acreditar que, pelo jeito como se movimentam acompanhando quem passa por perto, estariam esperando apenas esperando uma oportunidade para cercar e atacar quer chega perto.
Dizem por aí que a cada noite um passante é emboscado enquanto caminha pelo quarteirão da praça, tentando apenas chegar em casa após um longo e desgastante dia de trabalho. E é aí que os gatos vencem. Cansada e já sem cabeça para pensar muito, a vítima percorre seu trajeto sonhando apenas em deitar em sua cama e dormir, sem prestar muita atenção aos felinos que, percebendo o deslize, cercam o sujeito e partem para cima. Dizem também que eles, depois de arranhar e lamber, levam suas vítimas para um altar secreto no subsolo, no meio da quadra e de onde ninguém jamais retornou. Lá, onde ficam os gatos mais velhos, que nada fazem além de dormir e comer os alimentos trazidos pelos gatos mais novos, os que sobrevivem aos ferimentos e às noite de frio, que parecem durar dias, são obrigados a ficar, uma vez que não encontram saída – mesmo procurando por ela indefinidamente.
Mas isso não vem ao caso agora. Não é hora de gastar o tempo divagando ou pensando em coisas que ninguém sabe ao certo se são verdade ou não. É preciso manter o rumo, seguir o caminho. Não é bom ficar para trás. Ninguém gosta de ser o último, de ficar perdido. Não é mesmo? Neste momento tudo que eu quero agora é chegar logo em casa, depois de ter um dia tão desgastante.
Só que a rua está completamente deserta, sem nenhuma alma humana passeando por estas bandas. E os gatos continuam a me olhar. E eu não gosto nada disso.
Friday, July 27, 2007
Quase meia-noite
A desilusão é constante, principalmente quando tentamos, incoscientemente e a todo tempo, eleger mestres para podermos seguir. Aqui se manifesta noavmente a necessidade do ser humano de encontrar uma segurança, um alicerce que nos livre da sensação de total abandono nesta terra (qualquer terra). Uma das poucas fés que podemos ter nas pessoas, vejo cada vez mais, é em nós mesmos (salvo algumas almas merecedoras de medalhas; mas estas são poucas e... palmas para elas!!!).
Não aos ídolos! Está na hora de organizar a cabeça e resgatar aquela pequena lição de cada um, para ver se assim o verdadeiro "ideal", que é relativo - sim, porque depende do que você busca - se materialize, ao menos na imaginação. De pouco em pouco a galinha enche o papo...
É? Enche o papo, é? Pro diabo com a galinha. Frases de merda que ajudam e ao mesmo tempo emburrecem. Tudo que eu quero é dormir e... não criar conceitos equivocados.
Tuesday, March 06, 2007
Carcomido
Levanta-se. O peso do próprio corpo já ultrapassa o suportável - tantos anos de sedentarismo não poderiam ficar
A idade veio, e com ela a degradação, a fraqueza. Antes era jovem, forte, impulsivo. Agora, não passa de um velho, um defunto, um corpo apenas. Uma peça de museu. Mas, uma peça de museu que tenta alcançar a porta. Com seus dedos finos e já sem pele, com seus ossos à vista, como todo zumbi que tenta ressurgir da morte, ele insiste. E a maçaneta continua tão distante quanto antes. Pensa
E ele tenta mais uma vez, com o peso do próprio corpo ultrapassando o suportável.
Tuesday, February 20, 2007
Mais uma canção (nova versão com final alterado)
Me encarando com seu olhar penetrante, ela reclama de coisas em mim que eu não pude mudar e se mostra mais insatisfeita do que o suportável. Seus argumentos fazem sentido, mas não quero pensar em nada agora. Não hoje. Depois de tudo que aconteceu, só preciso me deitar e esperar que amanhã meus problemas já estejam todos resolvidos, como num passe de mágica.
Ela pega suas coisas - calma, me refiro as coisas dela, não às suas – e se retira. “Tenho que ir pro camarim, o show começa em poucos minutos”, diz a voz grave e macia que dia desses me fisgou, antes mesmo de nos conhecermos. Peço uma bebida e espero pela salvação – neste instante qualquer coisa poderia me salvar, já que não agüento mais estar dentro dele; mas um drink vai servir.
O pub cheio, as pessoas animadas e as luzes apagadas. Apenas o bar com seus raios coloridos alegra o ambiente, esperando pelas luzes do palco ainda vazio, para que estas, junto à solidão dele - o bar -, façam companhia um ao outro. No olhar de cada estranho um tanto diferente de tristeza, a velha busca por saciar o eterno desejo por uma quebra, um pouco de aventura para tornar a vida cotidiana mais interessante, mais atraente. Procura-se o que é atraente mesmo quando isso na verdade, na prática, não significa nada, apenas te suga e pronto. Não que você esteja sendo sugado pelo que acharia melhor mas, enfim...
Enfim sobe a banda ao palco e as luzes se acendem. Minha atração, com o jeito peculiar, lidera o grupo e me faz esquecer do mal estar que dominava, ao menos para mim, todo o mundo. Não que eu esteja sendo sugado pelo que eu acharia melhor, mas no momento eu acho. Luzes, som, fumaça, ritmo, aquela voz. Ao menos por hoje vou poder conviver com os meus problemas. Na verdade ficarei imaginando o amanhã, onde, quem sabe, quando acordarmos pela manhã, o hoje ainda não será passado, mas o amanhã já será presente e, eu e ela, tão independentes e fortes quanto assustados e carentes, nos amarraremos um ao outro um pouco mais e ostentaremos um sorriso sincero por, mais uma vez, não termos outra saída.
Saturday, January 06, 2007
Mais uma canção

Me encarando com seu olhar penetrante, ela reclama de coisas em mim que eu não pude mudar e se mostra mais insatisfeita do que o suportável. Seus argumentos fazem sentido, mas não quero pensar em nada agora. Não hoje. Depois de tudo que aconteceu, só preciso me deitar e esperar que amanhã meus problemas já estejam todos resolvidos, como num passe de mágica.
Ela pega suas coisas - calma, me refiro as coisas dela, não às suas – e se retira. “Tenho que ir pro camarim, o show começa em poucos minutos”, diz a voz grave e macia que dia desses me fisgou, antes mesmo de nos conhecermos. Peço uma bebida e espero pela salvação – neste instante qualquer coisa poderia me salvar, já que não agüento mais estar dentro dele; mas um drink vai servir.
O pub cheio, as pessoas animadas e as luzes apagadas. Apenas o bar com seus raios coloridos alegra o ambiente, esperando pelas luzes do palco ainda vazio, para que estas, junto à solidão dele - o bar -, façam companhia um ao outro. No olhar de cada estranho um tanto diferente de tristeza, a velha busca por saciar o eterno desejo por uma quebra, um pouco de aventura para tornar a vida cotidiana mais interessante, mais atraente. Procura-se o que é atraente mesmo quando isso na verdade, na prática, não significa nada, apenas te suga e pronto. Não que você esteja sendo sugado pelo que acharia melhor mas, enfim...
Enfim sobe a banda ao palco e as luzes se acendem. Minha atração, com o jeito peculiar, lidera o grupo e me faz esquecer do mal estar que dominava, ao menos para mim, todo o mundo. Não que eu esteja sendo sugado pelo que eu acharia melhor, mas no momento eu acho. Luzes, som, fumaça, ritmo, aquela voz. Ao menos por hoje vou poder conviver com os meus problemas. Quem sabe quando acordarmos pela manhã, eu e ela, tudo não tenha se tornado melhor, como num passe de mágica?
Friday, November 10, 2006
Rascunhos de Música 1
Monday, October 09, 2006
Mau humor
Com o corpo mole, me levanto da mesa rumo ao meu banho matinal, do qual não abro mão um dia que seja – sou daqueles que se perturbam muito quando surge um motivo sincero, algo urgente mesmo, que me faça sair de casa antes da chuveirada. Ah, mas como eu me sinto maravilhado ao perceber que, após todo aquele sacrifício para subir as escadas, a bomba d’água está quebrada! Terei que me contentar com a água fria, tão fria que merece ser chamada de gelada – já mencionei que sem a bomba a água vem bem fraquinha?
A água corrente me faz bem, mesmo gelada – eu adoro banho frio, embora às vezes seja incapaz de enfrenta-lo - e consegue lavar a minha mente, levando para longe todas as angústias que, aliadas a uma noite mal dormida, podem conspirar para que eu comece e termine o dia vestindo um mau humor idiota. E eu odeio mau humor. Este me parece com um ser insuportável, que bate a sua porta com o objetivo de tomar grande parte do seu tempo e você – OK, no caso aqui você sou eu – o deixa entrar porque não reuniu forças para bater a porta na cara do infeliz.
Wednesday, August 23, 2006
Rag Time - a hora do peão
Entrando em casa, a mulher já reclama dos sapatos sujos de terra e se revolta por ver em sua expressão que ele nem se importa com isso. Tudo que importa está mais a frente: a sala de TV. Ah... o sofá, a tranqüilidade de não ter que fazer nada – as demandas da patroa não conseguem interferir nisso -, se estirar e fazer o que quiser. De preferência, não fazer nada.
Poderia colocar um disco do Scott Joplin, que ganhou em seu aniversário anos atrás e cuja música não sai da cabeça há mais de uma hora, mas prefere o silêncio ao redor. A música fica soando como antes, apenas em sua mente.
Estendendo a mão e pega, na mesinha ao lado, um charuto. E acendê-lo proporciona aquele prazer, que só quem experimentou sabe. Não é só o fumo, mas a situação toda. Livre dentro de sua própria caverna. Livre entre das poucas horas livres antes de começar um novo dia de trabalho duro.
À medida que o cansaço se acentua, o sono bate a porta. Aos poucos, fecha os olhos e dorme no sofá. E entra num pasto imenso, todo seu. Com cavalos treinados correndo por todos os lados, dos quais ele escolhe um e, usando apenas um simples gesto que parece pequeno frente a sua habilidade, monta no mais selvagem de todos. E segue correndo pelo campo. Correndo pelas estradas. Correndo no meio mato. Correndo pelas montanhas. Insistente e sem jamais se cansar.
Thursday, August 10, 2006
Analisando.doc
A música de Thom Yorke faz bastante sentido aqui: um contexto de introspecção, entrando cada vez mais dentro de mim mesmo; enfim, uma viagem.
O suor frio evidencia meu estado atual, de quem está exausto e, por causa disso, praticamente adoentado.
Pulo parágrafos constantemente porque, assim como na música que toca – já não é mais aquela -, a mudança de clima aqui se mostra um ingrediente necessário –“alta demanda”, no jargão economês. Procuro palavras, climas, situações, idéias interessantes que possam se tornar bonitas com algumas pinceladas, mas a coisa não está fácil.
O sofrimento hoje é outro. Já não há a presença das angústias passadas, com exceção de algumas. As perguntas já parecem ter respostas parciais e isso, no momento, me traz uma sensação de tranqüilidade. O maior problema atualmente é a busca pelo avanço, a evolução de assuntos já iniciados. Um deles é este texto.
Reflito sobre as coisas que escrevia antigamente. Gosto delas até hoje, são minhas crianças! Mas não sinto mais aquela força sugando na mesma direção. Quero dizer, em parte. Na verdade, faz parte da transformação. Hum...
Saturday, July 08, 2006
Palavras de sangue e desejo
Luto para não pensar no que, imagino eu, divagando, poderia me fazer embarcar em ilusões não tanto aleatórias, mas corrosivas, capazes de me destruir e a você também. Seu cheiro, tão perto e tão distante. Um desejo constante de te ter e te atravessar com meus braços e minha boca, deixando um pouco de você em mim e algo de mim em você.
O tempo não colabora, anda pra frente, pra trás, para cima e para baixo, mas nunca para onde eu quero. Eu quero hoje, agora, ontem e também amanhã. Quero você aqui e eu aí, simultaneamente.
Não escrevo palavras bonitas, elas fedem e são dolorosas – e as assino com meu sangue. Mas exprimem da forma mais sincera o que eu sinto por você. E de você eu não abro mão.
Monday, July 03, 2006
Saudades
Sentada na mesa de um bar, de costas para mim e para a rua, encontro ela. Logo ela que eu não dei valor e hoje sinto saudades. Ao entrar no bar, para fazer uma surpresa, ela vira na minha direção, como se soubesse que eu estava passando por ali. E sorri.