Sunday, May 29, 2005

Faça chuva ou faça sol

Cada dia ando
Passos e mais passos
Uns para frente, outros parecem que não
- mas os empecilhos me movem para frente
mesmo que acredite estar dando a ré –

Outro dia, uma batalha
Um começo, um outro recomeço
Minhas mãos lavam o rosto que dará a cara aos tapas
Crenças se abalam,
a motivação se desgasta
e outro dia se renova, como se o dia
estivesse nascendo pela primeira vez

Incerto, frio, quente, seguro
Tudo isso ao mesmo tempo
Temporal, mar aberto e com nuvens negras
Sonhos ruivos e verdes,
uma caneca na mão e um cobertor

Nada simples, muito simples
Fácil, mas trabalhoso
Previsões seguras e incertas
para o amanhã,
que aguardo ansioso

Tuesday, May 24, 2005

Por que? Porque eu gosto. Só por isso.

"My scientific work is motivated by an irresistible longing to understand the secrets of nature and by no other feelings..."

- Albert Einstein

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O sentido que falta


Falta sinceridade
Falta seguir os instintos
Falta o uso das capacidades,
o que foi aprendido

Falta discussão
Falta reflexão,
o pensamento na realidade

Falta foco, falta estudo
Falta isso tudo
Mas falta algo mais
Nada demais

Falta atitude,
falta compreensão
Parar de pensar, parar de escrever
e começar a fazer

Depois faltarão outras coisas...

Saturday, May 14, 2005

De pé, com uma cadeira de prata

Noite. Tumulto, muitas pessoas se esbarrando para ver o que está na frente. Alvo da obsessão: o palco. Nele, tudo o que se desejava e um pouco mais. Um show fora do comum, daqueles que passam a definir pelo resto da sua vida o seu nível de exigência quando lhe perguntam qual o seu conceito de uma noite perfeita.
Entra um piano, para mostrar que por aí vem algo. Sua melodia chega aos ouvidos trazendo um misto de prazer com suspense, porque a qualquer hora está para surgir o monstro, filho de um ser não-humano com uma mortal. O mestre entra em palco. Sua guitarra faz sons estridentes, que parecem ressoar ao infinito, enquanto ele se contorce de prazer e satisfação. Notas soltas, presas, dentro e fora da tonalidade, seguindo apenas as regras impostas por novas regras; estas, sem limites. O importante aqui é a arte, e a beleza também.
O ambiente está azul, não como o azul blue, mas um azul sem tristeza, mesmo que as letras das canções remetam a sentimentos nada felizes ou agradáveis. O azul da iluminação aqui nos carrega para um outro lugar, um lugar onde se entra em êxtase, um lugar de realização plena, onde as imperfeições do mundo deixam de existir. A atmosfera macia e confortável conseguindo anular o incômodo que normalmente seria se amontoar junto a milhares de pessoas num pequeno espaço.
Sonho. Essa é a cara desta noite, que não sairia da lembrança jamais. Mesmo em mil anos.

Friday, May 13, 2005

Das chamas para a calmaria

Três pontinhos. Isso mesmo, reticências. Leia-se: completa noção da falta de vontade de raciocinar, pensar ou remoer pelo instante que seja, qualquer tipo de pensamento. Dor de cabeça, quero me desprender deste lugar. Este buraco, quartinho sujo e maltratado, essas minhas roupas rasgadas.. tudo me causa irritação! Nada de ficar pensando muito em Kant, que se dane. Vamos escutar um pouco Schopenhauer. Nem os gregos que avisavam em uma placa que “aqui só estuda filosofia aquele que tem o domínio da matemática”. Preciso respirar, e isso eu não vou fazer junta a expressões numéricas ou analogias com as teorias da física ou qualquer que seja; nem mesmo a da relatividade! Quero chutar, socar, rasgar. Dar um grito de libertação, expulsando o mal estar deste corpo, que se torna doente mesmo com a alimentação em dia.
Se tem uma coisa que eu não suporto, é ter uma opinião por causa de um filósofo. Aquele indivíduo que diz “isso não sou eu, é o filósofo X”. Um pouquinho de personalidade, por favor. Existe uma preocupação imensa em saber o que os outros disseram, para que assim o nosso pensamento, a nossa idéia, seja aceita. Nada disso, discordo em gênero, número – olha ele aí – e grau. Vale muito mais a opinião daquele que olha, observa, analisa. Refletir não é apenas concordar com um filósofo ou pensador e sair por aí pregando o que ele disse como sendo o certo e ponto final. Ponto final quem diz aqui sou eu! Balela! Até hoje não encontrei nenhum ser, seja pessoalmente, seja lendo a respeito, que eu considerasse perfeito. Isso não existe. Também não existe essa de que o que foi considerado certo num passado ande por aí com uma etiqueta dourada, significando “imaculado, você não pode quebrar ou achar falhas neste conceito”. Mitos, idolatria, preguiça humana, enganação.
Da mesma forma como acho idiota julgar as idéias de um homem apenas porque ele não seria uma pessoa agradável. Já ouvi gente dizendo que Nietzsche era um revoltado sem argumentos. Disseram ter lido sua biografia – Heche Homo – e percebido que ele foi um homem sem valor. Certo. Agora, gostaria de entender como diversos doutores em filosofia – inclusive um, padre, que escreveu o prefácio para esta mesma biografia; na edição da Martin Claret – crêem ser Nietzsche um dos filósofos mais importantes. Eu mesmo acho que lê deve ter sido uma pessoa insuportável, complexa, difícil de se estabelecer um convívio – mas, quantos de nós somos realmente fáceis? Embora pense assim, tenho a nítida noção de que, o que mais me encantou em Nietzsche, foi a mesma característica que mais me deslumbrou ao ler sobre Sócrates. Enxergar coisas que as pessoas insistem em dizer que são loucura, perceber o quanto somos hipócritas com a maior facilidade e não nos damos conta, o quanto as coisas que mais parecem certas e comuns, cotidianas e aceitas por nós como sendo o normal, podem ser o exemplo da parte podre existente em nós. Sócrates foi condenado a morte por suas palavras e pela teimosia, por sua insistência em não deixar aqueles que se acham os seres santos e justos, viverem sua enganação em paz. Nietzsche causou tanto desgosto – seus livros eram publicados com bastante dificuldade, sorte dele ter um amigo influente, capaz de ouvir seus pedidos de ajuda – que a maior satisfação que um crítico de suas idéias tem é dizer que ele é ridículo e se contradiz ao afirmar que o filósofo é incoerente, por que suas idéias estão no plano metafísico, não alcançando o plano real, que seria onde tudo se passa. Falta um pouco de vontade para tentar entender as coisas.
É muito aceito dizer que o pobre não se esforça, que traficante merece morrer, que quem matou merece pena de morte e que aquele estranho não tem caráter por ter feito algo que nós – ainda – não fizemos. Falta se colocar no lugar do outro, tentar entender o que levou o outro a fazer o que fez. Falta buscar compreender do que se trata, qual é o verdadeiro ponto G. As pessoas buscam a paz. O problema é que se esquecem que a paz não ocorre apenas para um, enquanto outros sofrem. Ela é um sentimento que precisa da coletividade para se tornar concreto e resistente. Para se tornar real.
Este texto começou com um tema em mente e, com o teclar das letras e os correr dos minutos, tomou um outro caminho, completamente diferente. Como se fosse um papo com alguém, uma conversa comum, onde trocamos palavras sobre variados assuntos, podendo misturar futilidades com reflexões profundas. Mas, se você discorda, se você se sentiu ofendido, se está revoltado com o fato e não quer deixar que isso se repita, sei lá.. me jogue numa fogueira.

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Hoje é sexta-feira 13.

Sunday, May 08, 2005

Uma palhinha de Baudelaire

IV
Correspondências
A natureza é um templo onde vivos pilares
Podem deixar ouvir vozes confusas: e estas
Fazem o homem passar através de florestas
De símbolos que o vêem com íntimos olhares.

Como os ecos ao longe confundem seus rumores
Na mais profunda e tenebrosa unidade,
Tão vasta como a noite e como a claridade,
Harmonizam-se os sons, os perfumes e as cores.

Perfumes frescos há como carnes de infantes
Ou oboés de doçura ou verdejantes ermos
E outros ricos, corrompidos e triunfantes,

Que possuem a expansão do universo sem termos
Como o sândalo, o almíscar, o benjoim e o incenso
Que cantam dos sentidos o transporte imenso.

- Charles Baudelaire
(extraído de "As Flores do Mal")

Thursday, May 05, 2005

O visitante indesejado

A tristeza e seus contornos fazem seu trabalho, inspirando beleza e sinceridade. Um azul que vem e não anuncia a hora de passar. Se instala, firmando raízes, emaranhando-se na mente humana, onde faz sua história. Loucuras, paranóias, neuroses. Dor, um vazio. Nada ao redor, apenas o vácuo, inerte e inerente à vida de cada um. A afirmação, e a aceitação, ainda que relutante, de que todos estão sós, sempre.
O sol, ao longe, brilha, mas já com cara de passado. Seus raios levam tempo para serem percebidos pela visão humana. Breu. De óculos escuros, caminhando entre folhas secas, pregos enferrujados ao chão e moscas fedorentas que se esbarram e caem ao morrer.
Uma saída, talvez o fim disso tudo. Enfim, uma solução. Seria real? Sincera? Pode ser, mas é muito incerto.
A solidão que assola e bate na porta, mesmo que não a aceitemos. Insistente, ela berra e sai, deixando um bilhete por baixo, uma fresta. “Um dia ei de voltar para te buscar”.

Saturday, April 30, 2005

Uma noite qualquer, em um bar inglês

Se eu pudesse escolher uma pessoa, qualquer uma, viva, para trocar uma idéia, esta seria... bem.. vou criar um pequeno suspense, mas espero valer a leitura. Cheguei a essa conclusão ontem, enquanto um amigo me contava um acontecido. Sua ex-namorada, que foi na Inglaterra para morar por uns tempos estava em um bar - como se faz aqui no Rio ou em infinitos lugares pelo mundo todo. Fora com uns amigos, apenas com o objetivo de sair de casa para variar um pouco – e conhecer gente nova, algo que faz parte da natureza humana. Foi até o balcão e sentou-se. Pediu uma bebida – não sei qual – e ficou tranqüila por uns momentos. Olhou para as amigas, olhou para o lado. Apenas observando o ambiente. Olhou para o lado esquerdo. Nada de incomum, a não ser por uma figura que ela parecia ter reconhecido, mas não parecia acreditar que fosse verdade. Paralisada, ela contemplava o que havia encontrado. Um rapaz quieto, sozinho. Bebendo como todos que ali estavam; em silêncio. Ele percebe que ela o fitava ininterruptamente. Ela tremeu um pouco ao ver que o rapaz olhara agora para ela. E, com uma expressão mista de riso, desconcerto e cansaço, ele lhe arremessa uma bomba. “Yes, I´m Thom York”.
Thom York é vocalista (voz principal, back vocals e letras), guitarrista e pianista da banda inglesa Radiohead, cultuada por nove a cada dez admiradores ou músicos do Rock contemporâneo e de vanguarda, desde a década passada (anos 90). Suas letras misturam surrealismo, crítica social, política e crises emocionais.

Tuesday, April 26, 2005

No lago da dor, a correnteza

Ao se olhar no espelho, sente algo diferente. Uma incerteza, um desconforto. Reprova sua própria imagem. Não quer mais olhar - não admite. Vira as costas como se fosse adiantar. O sentimento o persegue, fazendo-o entender que não existe para onde ir, onde se enfiar. O gosto desagradável da consciência, da reprovação – que até ele mesmo faz; muito mais até que os outros – lhe invade o corpo e tenta lhe rasgar. Bufando e suando frio e quente, se debate como um animal selvagem, até acerta com a cabeça na porta. Tudo roda e ele cai. Desaba, agora tanto psicológica como fisicamente. Estirado ao chão, lamentando, começa a tremer, nervoso. Com os dentes se atracando e aparentemente sem forças, cambaleia ao se levantar e vai de encontro à porta do quarto. Gira a chave e tranca, isolando-se, e atira a chave a um rumo qualquer que não se preocupa em acompanhar. Chora. E chorando, se arrasta pela parede que agora o mantém protegido de todo o resto, tudo que está de fora. Sua vida, o mundo, tudo. Seu mundo agora é outro, ao menos por agora. As dores de cabeça aumentam, devido a intensidade da pancada. Não há mais cigarros na cabeceira ou bebida nas garrafas caídas pelo chão. Apenas sua cama, que parece não julga-lo ou reprova-lo por nada, é indiferente. Inicia então um monólogo, daqueles deprimentes, de quem está cansado e sem crenças. Estas foram dar uma volta e não avisaram quando retornam. Entra debaixo do lençol e se cobre, abraçando o próprio corpo. E torna a chorar, sozinho.

Saturday, April 23, 2005

Mais um pouco de uh

Acredito, agora, que muitas coisas acontecem de forma programada. Coisas que não se parecem com coincidências devido a sua influência nos rumos que nossas vidas tomam e nas experiências que adquirimos com elas. Peças que pareciam não ter uma cor muito certa ganham expressão, tornando-se parte fundamental de algo. Isso tem ocorrido muito, mas apenas porque eu prestei atenção e assimilei passado e presente, baseado no que eu projetava como futuro, ou com o que eu achava que seria mas não deveria acontecer, e levei um tempo para perceber. Acredito que, alguns dias, o mundo inteiro conspira a nosso favor. Como se estivéssemos caminhando rumo a um lugar, que muitos pregam como sendo uma missão. Quanto a isso, não sei não. Mas não duvido nada.

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Esta semana foi perfeita. Muito cinema - fiz meu próprio festival ontem, assistindo dois filmes em seguida -, chopp e um ensaio incrível com o meu novo baixista, que animou tanto eu quanto o baterista, uma vez que misturamos Mars Volta com Jazz - espero que não tenha soado pretensioso demais; mas se a pretensão aqui for apenas "ambição" com um pouquinho de vaidade, não será exagero.

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Alguns filmes bons:


- "Janela Secreta" ( c/ Jonny Depp)
- "A Informante" ( c/Kidman e Sean Penn - ver os dois no mesmo filme dá imenso prazer)
- "Reencarnação" ( c/Kidman)
- "A Última Tentação de Cristo" ( c/ Willem Dafoe)
- "Fale com Ela" (é do Almodovar)
- "Antes do Pôr-do-Sol" ( c/ Ethan Hawk e Julie Delpy)
- "Sobre Meninos e Lobos" ( c/ Sean Penn!!!)
- "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" ( c/Jim Carrey e Kate Winslet)
- qualquer filme em que mostre Angelina Jolie ou que tenha trilha do Phillip Glass
- "Laranja Mecânica" ( do Kubrick)
- "Janela Indiscreta", e, "Festim Diabólico" ( ambos do Hitchcock)
- "Crepúsculo dos Deuses" ( sei lá de quem é, mas é antigo e em preto e branco)

Saturday, April 16, 2005

À espera

Outro dia. Os copos em cima da mesa, a mobília no lugar de sempre. Saudades percorrem a mente. Hoje é um dia bom – ao menos teria tudo para ser; mas na verdade o é. Viemos aqui para nos encontrar como algum tempo já não acontecia. Um filme. Não foi muito bom, como haviam dito, mas deu para distrair.
O som dos pensamentos corre pelas paredes, que parecem aprisionar esta vida, que por sua vez tanto busca a libertação. Infelizmente hoje essa libertação só viria por completo se de mãos dadas com uma paixão, uma atração fatal, que quando passa deixa seu rastro e nada mais parece ser como era antes.
Nuvens de um tom acinzentado se aproximam, como posso ver ao olhar pela janela. Seria fácil encontrar aí uma analogia com o estado atual das coisas. Tudo vai, mas ao mesmo tempo sem muita cor. O desbotamento incomoda. Se trata de uma condição natural, embora eu me recuse a aceitá-la. Na verdade não a desejo e pronto. Nada de aceitação, redenção.
Na rua tudo fica mais bonito. As luzes abrem caminho para novas esperanças, regadas na previsão de que hoje À noite haverá vinho. Vinho e champagne, que funcionam como lentes de contato que nos abraçam para dizer que a noite é linda e gostosa. Da mesma forma como aquela pessoa que ainda não sabemos qual vai ser, mas que será a próxima a repartir nossos sentimentos.
Um brinde. Um brinde aos que se esforçam e tem esperanças. E outro aos que esperam por algo que ainda está por vir – não se sabe quando.

Thursday, April 14, 2005

Em algum lugar

Sinto saudades, uma falta
Quero o que antes tinha
Um sentimento
Daqueles bons e gostosos
Refrescantes

Algo passou, deixando rastro
Uma marca bonita
Lembranças das quais não me arrependo

Seu perfume ainda não senti
Seu beijo, ainda está em minha boca
Mas na grafia deste geoplaneta
Estamos distantes

A mente dando golpes
Aos quais nem sempre temos defesa
Nos deixando inconscientes
Do que realmente acontece por dentro e por fora

Vida
Calor e afeto entrelaçam-se
Uma presença que não se esvazia por completo

Suas mordidas em minha alma
Meu corpo sujo e decadente
Pronto para a volta, o resgate
De tudo que eu sei que sou
Mas ontem havia me esquecido

Olho com olhos vivos e percebo
Que antes iludido,
Agora esclarecido,
Sua voz continua a passear
Em minha vida,
Em algum lugar

Monday, April 11, 2005

Visões sugeridas e duas notinhas


Visões sugeridas

Acredito que, no processo de formação da consciência da realidade, ou seja, o parece que estamos vendo, exista uma conexão feita com o que acreditamos, o que queremos acreditar, nossos medos, nossa coragem, e o quanto nos permitimos - também por meio das experiências vividas - levar em conta como conceitos e teorias previamente comprovados.
Ou seja, as experiências passadas, nosso conhecimento adquirido - parte dele também filtrados por nós mesmo e por outros, que deixamos filtrá-lo por nós -, e nossas crenças interferem MUITO na nossa percepção de realidade. Um exemplo? Eu já passei por momentos em que uma determinada mulher se mostrava muito mais importante do que ela na verdade era. Eu ME PERMITI isso. Não que tenha sido uma escolha voluntária, mas não dependia dela - da mulher. Dependia de como eu enxergava a situação. Também é por isso que, ao amadurecermos - e isso é algo que deveria ocorrer continuamente -, passamos a entender melhor a vida. Isso se estivermos dispostos!

PS (post scriptum): o medo, que eu tanto abomino - quem lê o que aqui escrevo assiduamente sabe - pode nos atrapalhar ao tentarmos compreender a realidade, como uma fuga nossa, no intento de nos defendermos daquilo que nos assusta - embora esteja ali, não há como fugir.

PS 2: os desentendimentos existem porque pessoas diferentes criam percepções diferentes, e estas acabam por geram conflitos.

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Existe uma música, da excelente banda Muse, que diz assim "paradise comes at a price that I am not prepared to pay...". Não me lembro do nome dela, mas é a última música do segundo CD da banda.

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Nem sempre preciso que vocês digam seus nomes para que eu tenha a certeza de quem foi que escreveu - mas ainda aprecio muito a gentileza dos que assinam seus pensamentos; quem não quiser não precisa, não vamos forçar uma barra aqui.

Saturday, April 09, 2005

No corredor escuro

Num corredor negro, aparentemente vazio, encontro a imensidão do desconhecido. Pode ser qualquer forma, qualquer caminho – embora eu sinta, ou até mesmo perceba, que ele me leva a um determinado lugar. Tomo meu rumo e sigo em frente. Com os ruídos estranhos passeando ao redor da minha cabeça, brincando com os meus sentidos – sim, os sons são notáveis e percebidos também pelo tato! – se esforçam. Em que, isso eu já não sei mais; mas eles continuam presentes assim mesmo.
Um passo após o outro, vou conhecendo o terreno, preocupado em não acertar nenhum obstáculo ou cair em um buraco – torcer o pé ou quebrar o nariz aqui não seria uma visão das mais desejadas; aliás aqui todas as visões são imaginadas, formadas por meio de sugestões que levam a conclusões – podendo estas estarem erradas!
Ouço vozes. Parecem vir da esquerda. Um diálogo. Desconfio que estejam falando de mim, tramando alguma coisa. Acerto algo com o pé. Provavelmente uma pedra. Pesada! Busco-a e, depois de contemplar por instantes minha idéia, atiro-a ao longe. Nem sabia que seria capaz de tamanha força. Mas.. estranho... não fez nenhum barulho, não houve reação. Continuo mais um pouco à espera, mas não adianta, não há nada.
Começa a ventar, e muito. Uma ventania fria e quente ao mesmo tempo. Pingo de suor enquanto saio em busca de um casaco. Ora bolas, como poderia encontrar um agasalho se eu nem mesmo sei onde estou! O vento se fortalece aos poucos, me forçando levemente para trás; e tornando a minha jornada bastante desagradável.
Lembrando que desagradável mesmo seria um cisco em meus olhos, me apercebo de óculos. E desde quando eu uso óculos? Ainda mais à noite! Será que é mesmo noite? Pode ser um estado fora do comum,uma realidade com a qual ainda não esteja acostumado, onde não existe o famoso Dia.
Tiro, então, os óculos, e enxergo luzes. Luzes bem fortes, como se fossem holofotes incandescentes, loucos para cegar qualquer um que ouse toca-los com seu irrisório e previsível olhar. Aos poucos minha vista se adapta a situação, quando já posso distinguir formas. Vejo postes, diversos e enfileirados, como se seguissem ao infinito – que neste momento entendo perfeitamente como a incapacidade de imaginar o todo. Todos do lado esquerdo. Estou em uma rua, embora esta se pareça, ainda, com um corredor. A mão é única e não vejo ninguém. Mas ainda posso escutar as vozes. Não saberia ao certo de onde vêm, mas elas estão por aí.

Wednesday, April 06, 2005

Pensamentos

"Começar é a parte mais importante de qualquer trabalho"

-Platão


"A imaginação é mais importante do que o conhecimento"

- Albert Einstein


"Nunca se vai muito longe quando não se sabe para onde está indo"

- Johann Wolfgang von Goethe

Sunday, April 03, 2005

Tudo em casa

Três horas da manhã, na passagem de um sábado para um domingo qualquer. Na verdade não é um fim de semana qualquer, mas seria não fosse por uma surpresa gostosa. Ela veio da França diretamente para o Rio e comigo está a passar o fim de semana na montanha gelada. Nos divertimos bastante e, após um pouco de vinho e um bom bate-papo, ela foi dormir. Não é um sentimento como os outros, mas é um tipo de amor. É um amor mais tranqüilo, sem neuroses, como se ela estivesse substituindo a irmã que eu nunca tive – e que sempre busquei, mas, em geral, esse tipo de coisa chega sozinho, sem que você pense nisso. Ela dorme no meu quarto, na cama do meu irmão que já não mora mais aqui. Interessante isso. Meu irmão sai e entra essa menina meiga e doce como nunca se vira antes, como que se estivesse avisando que seu papel é realmente de uma irmã – e na cama do verdadeiro irmão! É, algumas vezes eu exagero nas explicações, espero não estar tornando esta leitura uma coisa muito chata.
Cães latem lá fora, numa madrugada em que se torna impossível o resgate da sensação infernal que é o verão carioca – faz frio. Todos estão deitados, menos eu; mas isso já está claro para você, uma vez que pode ler o que eu escrevo. O celular marca as horas. O computador também, e assim o faz o relógio de parede da sala. Todos avisando que já é madrugada, que estão quase todos dentro de seus sonhos inconscientes, e o programa livre, que já não tem mais o mesmo nome, mostra o Veríssimo filho em entrevista com o Serginho.
Não gosto de ficar sozinho à noite, parece que o mundo acaba, que está vazio e que eu nunca mais vou escutar a voz de nenhum ser vivo, apenas gravações de seres que nunca tive a oportunidade de conhecer e que se mostram bastante distantes de mim agora. Nesses momentos agradeço ao inventor da televisão. E a rede globo também, quem diria. Se tem uma coisa que eu nunca faço essa coisa seria me deitar sem estar com sono. Impossível. Sempre que eu me deito é para dormir dentro de uns poucos minutos, de preferência ao som de uma música gostosa, nada de Shostakovitch – não sei se está escrito corretamente. Uma vez tentei conhecer o compositor enquanto me deitava e a experiência foi a mais próxima de um suspense que eu já vivi – me levantei correndo com o dedo indicador apontando ereto na direção do off.
Peraí, voltando à Terra. Aude acaba de chegar aqui dizendo “porra, ta muito alto isso”, com aquela cara de quem tenta dormir e não consegue. Não faz muita diferença para mim, já que está passando um daqueles filmes que não têm importância para ninguém. Agora vou parar de escrever, vou ver se faço outra coisa. Para quem estiver a dormir uma boa noite. E para quem estiver no meio do dia, leia este texto antes de dormir.

Thursday, March 31, 2005

Algumas palavras sinceras


à sua porta

Um toque seu e me encontro
Prostrado à sua porta
Pedindo um pouco
Para matar a sede

Junto com a água vem a ternura
O charme
Seus movimentos quentes e leves

Sua beleza pueril
Seus medos
Ambos me envolvem como nunca antes
Mas nada de claustro
Me sinto livre

Ao abrir a porta
Você me convida para uma viagem
Da qual
Não posso abrir mão

Tuesday, March 22, 2005

Indelével

Indelével é a dor
É a saudade
A imagem que tatuada nas paredes,
Por dentro,
Ecoa.
Uma lembrança
Um sonho
Noite mal dormida
A inconstância do tempo

Passeia com o vento
E à casa torna.
Mais um re-torno
Uma janela
Uma voz
Um sussurro
Um doce abraço

Um mergulho?
Não seria muito bom
Confundiria as marcas
E a lembrança
Que não é apenas doce,
mas conforta



* o poema foi passado a limpo ao som de "the blower´s daughter", rompante sucesso atual europeu, presente na primeira cena do filme Closer; responsável também pela onda de idolatria gerada ao redor da imagem de Damien Rice, seu compositor e quem a executa musicalmente

Sunday, March 20, 2005

O menor conto do mundo

"Quando ele acordou, o dinossauro ainda estava lá".

- Monteroso

Monday, March 14, 2005

Uma carta

Uma menina de 8 ou 10 anos, Emilie M., que tocava piano, certa vez bordou uma capa de livro para seu ídolo, contendo palavras de admiração. Segue abaixo uma carta escrita em resposta a ela, no dia 17 de julho de 1812, enquanto quem a escreveu estava se recuperando de um trauma psicológico causado pelo recrudescimento de sua surdez, num spa em Teplitz. Vale ressaltar que este não conhecia sua admiradora.



Minha querida e gentil Emilie, querida amiga!


Minha resposta à sua carta vai chegar atrasada. Uma grande quantidade de trabalho e uma enfermidade persistente podem me desculpar. O fato de que estou aqui para recuperar minha saúde comprova a verdade de minhas desculpas. Não roube a Haendel, Haydn e Mozart os seus lauréis. Eles os merecem, mas eu ainda não mereço nenhum.
A capa de livro que bordou será guardada como um tesouro, junto com outras provas de consideração que muitas pessoas me dispensaram, mas que ainda estou longe de merecer.
Persevere, não apenas pratique sua arte, mas se esforce também para compreender seu significado interior; merece o esforço. Porque apenas a arte e a ciência podem elevar os homens ao nível dos deuses. Se algum dia, minha querida Emilie, tiver o desejo de possuir qualquer coisa, não hesite em me escrever. O verdadeiro artista não tem orgulho. Ele vê, infelizmente, que a arte não tem limites. Ele tem uma vaga percepção de quão longe ainda está de seu objetivo; e, embora outros possam talvez admira-lo, ele lamenta ainda não ter chegado ao ponto, caminho que seu melhor talento apenas ilumina como um sol distante. Eu preferiria visita-la, e à sua família, que visitar muitas pessoas ricas que traem a si mesmas com a pobreza do íntimo do seu ser. Se algum dia for a H. (provavelmente Hamburgo), visitarei você e sua família. Não conheço maior privilégio do que ser incluído entre as melhores criaturas de seus semelhantes. Onde eu as encontro, aí também encontro o meu lar.
Se quiser me escrever, querida Emilie, mande sua correspondência diretamente para Teplitz, onde permanecerei por mais quatro semanas. Ou mande-o para Viena. Realmente não importa. Pense em mim como um amigo, seu e de sua família.


Ludwig van Beethoven


Wednesday, March 09, 2005

Desista, você não é um gênio!

Não adianta. Por mais que se prossiga, que se evolua, sempre continuam a existir idiotas. Pessoas que acreditam em coisas como certas não estão por dentro da realidade – acho que não preciso dizer que se trata de um ponto de vista pessoal, até porque quem escreve estas palavras sou eu. Seria ingenuidade demais.
Estava numa aula hoje quando um professor tropeça em suas próprias palavras e sou obrigado a me manifestar. Não poderia guardar, me conter. Era muito para ignorar. Logo após, cerca de minutos, ter dito que pouco tempo atrás cientistas e teóricos afirmavam que o cavalo era um meio de transporte insuperável, mostrando, então, por meio de um desenvolvimento das idéias, que o ser humano acredita que sabe de algo, até o lindo dia em que se percebe enganado. Ele poderia também ter utilizado o exemplo de quando se acreditava que a Terra fosse quadrada. Nos parece uma idéia estapafúrdia, sem pé nem cabeça, mas um dia foi dito que era assim e, nós sabemos que, quando o burro máster fala, os outros burros abaixam a cabeça – outra coisa que me causa bastante revolta, esse negócio de aceitação total, como se tudo que tivesse para ser descoberto e rompido já estivesse no passado, não havendo possibilidade de se inovar ou mudar conceitos, uma vez que “os gênios estão mortos”, ou “nós não somos capazes porque somos inferiores”.
Este mesmo professor dissera, também, que Albert Einstein afirmou que suas descobertas vinham de “99% de transpiração e 1% de inspiração”. Até este momento ele cometeu dois erros. Um porque defendeu que os paradigmas e as coisas tidas como certas podem não ser necessariamente verdades e, quando eu discordei dele, me disse “então escreva uma teoria, porque sabe-se que não é desta forma, diversos teóricos pregam o contrário”. E dois, porque após ouvir a minha resposta, “se eu estivesse disposto, eu o faria”, ele retrucou com um “devemos ser humildes”. Agora vejamos um ponto crucial aqui: o cara afirma que o gênio mor – na cabeça dele – defendia o esforço como mais importante que a inspiração e logo após, duvida da capacidade humana de trabalhar idéias! Não se trata de ser humilde ou não, se trata de valorizar o potencial de cada pessoa. Eu, particularmente – sendo que não me encontro sozinho nessa – acredito que se você quer, realmente, e corre atrás, você surpreende a todos com seus resultados. Isso não é ser megalomaníaco ou, muito menos, pedante. Isso é não ser iludido pela lavagem comercial que se faz no mundo – não apenas o atual, mas sempre foi assim – de que um ídolo deve ser diferente dos outros, que ele é um ser superior.
Ninguém pode ter certeza de nada. Tanto economistas como meteorologistas estudam e se especializam com o objetivo de fazer previsões, que frequentemente não ocorrem como fora afirmado. Você pode pensar, como eu o fiz por alguns instantes, que os únicos que sabem a verdade total são os historiadores e os arqueólogos. Mas, pensando bem, eles também não. Por que? Pelo simples fato de dependerem de análises e pesquisas que podem ter sido vítimas de uma série de erros - humanos -, enganos e até mesmo de manipulações propositais. O que se sabe ao certo? Nada. O que acontece é que gostamos de acreditar que está tudo resolvido e que podemos voltar para nossas vidinhas quadradas e medíocres, enquanto enganamos a nossa intuição – que é bem mais forte que a nossa consciência, por ser trabalhada pela parte inconsciente do nosso cérebro.
Para terminar, gostaria de citar uma frase bastante interessante, que ganhará destaque e respeito, fazendo das minhas palavras algo muito mais coeso, uma vez que seu autor – o da frase que estar por vir – tem moral para peitar muita coisa. Outro ídolo.
“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada” (William Shakespeare)
Agora me diz se minhas palavras não passaram a fazer mais sentido...