Saturday, April 30, 2005

Uma noite qualquer, em um bar inglês

Se eu pudesse escolher uma pessoa, qualquer uma, viva, para trocar uma idéia, esta seria... bem.. vou criar um pequeno suspense, mas espero valer a leitura. Cheguei a essa conclusão ontem, enquanto um amigo me contava um acontecido. Sua ex-namorada, que foi na Inglaterra para morar por uns tempos estava em um bar - como se faz aqui no Rio ou em infinitos lugares pelo mundo todo. Fora com uns amigos, apenas com o objetivo de sair de casa para variar um pouco – e conhecer gente nova, algo que faz parte da natureza humana. Foi até o balcão e sentou-se. Pediu uma bebida – não sei qual – e ficou tranqüila por uns momentos. Olhou para as amigas, olhou para o lado. Apenas observando o ambiente. Olhou para o lado esquerdo. Nada de incomum, a não ser por uma figura que ela parecia ter reconhecido, mas não parecia acreditar que fosse verdade. Paralisada, ela contemplava o que havia encontrado. Um rapaz quieto, sozinho. Bebendo como todos que ali estavam; em silêncio. Ele percebe que ela o fitava ininterruptamente. Ela tremeu um pouco ao ver que o rapaz olhara agora para ela. E, com uma expressão mista de riso, desconcerto e cansaço, ele lhe arremessa uma bomba. “Yes, I´m Thom York”.
Thom York é vocalista (voz principal, back vocals e letras), guitarrista e pianista da banda inglesa Radiohead, cultuada por nove a cada dez admiradores ou músicos do Rock contemporâneo e de vanguarda, desde a década passada (anos 90). Suas letras misturam surrealismo, crítica social, política e crises emocionais.

Tuesday, April 26, 2005

No lago da dor, a correnteza

Ao se olhar no espelho, sente algo diferente. Uma incerteza, um desconforto. Reprova sua própria imagem. Não quer mais olhar - não admite. Vira as costas como se fosse adiantar. O sentimento o persegue, fazendo-o entender que não existe para onde ir, onde se enfiar. O gosto desagradável da consciência, da reprovação – que até ele mesmo faz; muito mais até que os outros – lhe invade o corpo e tenta lhe rasgar. Bufando e suando frio e quente, se debate como um animal selvagem, até acerta com a cabeça na porta. Tudo roda e ele cai. Desaba, agora tanto psicológica como fisicamente. Estirado ao chão, lamentando, começa a tremer, nervoso. Com os dentes se atracando e aparentemente sem forças, cambaleia ao se levantar e vai de encontro à porta do quarto. Gira a chave e tranca, isolando-se, e atira a chave a um rumo qualquer que não se preocupa em acompanhar. Chora. E chorando, se arrasta pela parede que agora o mantém protegido de todo o resto, tudo que está de fora. Sua vida, o mundo, tudo. Seu mundo agora é outro, ao menos por agora. As dores de cabeça aumentam, devido a intensidade da pancada. Não há mais cigarros na cabeceira ou bebida nas garrafas caídas pelo chão. Apenas sua cama, que parece não julga-lo ou reprova-lo por nada, é indiferente. Inicia então um monólogo, daqueles deprimentes, de quem está cansado e sem crenças. Estas foram dar uma volta e não avisaram quando retornam. Entra debaixo do lençol e se cobre, abraçando o próprio corpo. E torna a chorar, sozinho.

Saturday, April 23, 2005

Mais um pouco de uh

Acredito, agora, que muitas coisas acontecem de forma programada. Coisas que não se parecem com coincidências devido a sua influência nos rumos que nossas vidas tomam e nas experiências que adquirimos com elas. Peças que pareciam não ter uma cor muito certa ganham expressão, tornando-se parte fundamental de algo. Isso tem ocorrido muito, mas apenas porque eu prestei atenção e assimilei passado e presente, baseado no que eu projetava como futuro, ou com o que eu achava que seria mas não deveria acontecer, e levei um tempo para perceber. Acredito que, alguns dias, o mundo inteiro conspira a nosso favor. Como se estivéssemos caminhando rumo a um lugar, que muitos pregam como sendo uma missão. Quanto a isso, não sei não. Mas não duvido nada.

----------------------------------

Esta semana foi perfeita. Muito cinema - fiz meu próprio festival ontem, assistindo dois filmes em seguida -, chopp e um ensaio incrível com o meu novo baixista, que animou tanto eu quanto o baterista, uma vez que misturamos Mars Volta com Jazz - espero que não tenha soado pretensioso demais; mas se a pretensão aqui for apenas "ambição" com um pouquinho de vaidade, não será exagero.

-----------------------------------

Alguns filmes bons:


- "Janela Secreta" ( c/ Jonny Depp)
- "A Informante" ( c/Kidman e Sean Penn - ver os dois no mesmo filme dá imenso prazer)
- "Reencarnação" ( c/Kidman)
- "A Última Tentação de Cristo" ( c/ Willem Dafoe)
- "Fale com Ela" (é do Almodovar)
- "Antes do Pôr-do-Sol" ( c/ Ethan Hawk e Julie Delpy)
- "Sobre Meninos e Lobos" ( c/ Sean Penn!!!)
- "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" ( c/Jim Carrey e Kate Winslet)
- qualquer filme em que mostre Angelina Jolie ou que tenha trilha do Phillip Glass
- "Laranja Mecânica" ( do Kubrick)
- "Janela Indiscreta", e, "Festim Diabólico" ( ambos do Hitchcock)
- "Crepúsculo dos Deuses" ( sei lá de quem é, mas é antigo e em preto e branco)

Saturday, April 16, 2005

À espera

Outro dia. Os copos em cima da mesa, a mobília no lugar de sempre. Saudades percorrem a mente. Hoje é um dia bom – ao menos teria tudo para ser; mas na verdade o é. Viemos aqui para nos encontrar como algum tempo já não acontecia. Um filme. Não foi muito bom, como haviam dito, mas deu para distrair.
O som dos pensamentos corre pelas paredes, que parecem aprisionar esta vida, que por sua vez tanto busca a libertação. Infelizmente hoje essa libertação só viria por completo se de mãos dadas com uma paixão, uma atração fatal, que quando passa deixa seu rastro e nada mais parece ser como era antes.
Nuvens de um tom acinzentado se aproximam, como posso ver ao olhar pela janela. Seria fácil encontrar aí uma analogia com o estado atual das coisas. Tudo vai, mas ao mesmo tempo sem muita cor. O desbotamento incomoda. Se trata de uma condição natural, embora eu me recuse a aceitá-la. Na verdade não a desejo e pronto. Nada de aceitação, redenção.
Na rua tudo fica mais bonito. As luzes abrem caminho para novas esperanças, regadas na previsão de que hoje À noite haverá vinho. Vinho e champagne, que funcionam como lentes de contato que nos abraçam para dizer que a noite é linda e gostosa. Da mesma forma como aquela pessoa que ainda não sabemos qual vai ser, mas que será a próxima a repartir nossos sentimentos.
Um brinde. Um brinde aos que se esforçam e tem esperanças. E outro aos que esperam por algo que ainda está por vir – não se sabe quando.

Thursday, April 14, 2005

Em algum lugar

Sinto saudades, uma falta
Quero o que antes tinha
Um sentimento
Daqueles bons e gostosos
Refrescantes

Algo passou, deixando rastro
Uma marca bonita
Lembranças das quais não me arrependo

Seu perfume ainda não senti
Seu beijo, ainda está em minha boca
Mas na grafia deste geoplaneta
Estamos distantes

A mente dando golpes
Aos quais nem sempre temos defesa
Nos deixando inconscientes
Do que realmente acontece por dentro e por fora

Vida
Calor e afeto entrelaçam-se
Uma presença que não se esvazia por completo

Suas mordidas em minha alma
Meu corpo sujo e decadente
Pronto para a volta, o resgate
De tudo que eu sei que sou
Mas ontem havia me esquecido

Olho com olhos vivos e percebo
Que antes iludido,
Agora esclarecido,
Sua voz continua a passear
Em minha vida,
Em algum lugar

Monday, April 11, 2005

Visões sugeridas e duas notinhas


Visões sugeridas

Acredito que, no processo de formação da consciência da realidade, ou seja, o parece que estamos vendo, exista uma conexão feita com o que acreditamos, o que queremos acreditar, nossos medos, nossa coragem, e o quanto nos permitimos - também por meio das experiências vividas - levar em conta como conceitos e teorias previamente comprovados.
Ou seja, as experiências passadas, nosso conhecimento adquirido - parte dele também filtrados por nós mesmo e por outros, que deixamos filtrá-lo por nós -, e nossas crenças interferem MUITO na nossa percepção de realidade. Um exemplo? Eu já passei por momentos em que uma determinada mulher se mostrava muito mais importante do que ela na verdade era. Eu ME PERMITI isso. Não que tenha sido uma escolha voluntária, mas não dependia dela - da mulher. Dependia de como eu enxergava a situação. Também é por isso que, ao amadurecermos - e isso é algo que deveria ocorrer continuamente -, passamos a entender melhor a vida. Isso se estivermos dispostos!

PS (post scriptum): o medo, que eu tanto abomino - quem lê o que aqui escrevo assiduamente sabe - pode nos atrapalhar ao tentarmos compreender a realidade, como uma fuga nossa, no intento de nos defendermos daquilo que nos assusta - embora esteja ali, não há como fugir.

PS 2: os desentendimentos existem porque pessoas diferentes criam percepções diferentes, e estas acabam por geram conflitos.

------------------------------------------

Existe uma música, da excelente banda Muse, que diz assim "paradise comes at a price that I am not prepared to pay...". Não me lembro do nome dela, mas é a última música do segundo CD da banda.

------------------------------------------

Nem sempre preciso que vocês digam seus nomes para que eu tenha a certeza de quem foi que escreveu - mas ainda aprecio muito a gentileza dos que assinam seus pensamentos; quem não quiser não precisa, não vamos forçar uma barra aqui.

Saturday, April 09, 2005

No corredor escuro

Num corredor negro, aparentemente vazio, encontro a imensidão do desconhecido. Pode ser qualquer forma, qualquer caminho – embora eu sinta, ou até mesmo perceba, que ele me leva a um determinado lugar. Tomo meu rumo e sigo em frente. Com os ruídos estranhos passeando ao redor da minha cabeça, brincando com os meus sentidos – sim, os sons são notáveis e percebidos também pelo tato! – se esforçam. Em que, isso eu já não sei mais; mas eles continuam presentes assim mesmo.
Um passo após o outro, vou conhecendo o terreno, preocupado em não acertar nenhum obstáculo ou cair em um buraco – torcer o pé ou quebrar o nariz aqui não seria uma visão das mais desejadas; aliás aqui todas as visões são imaginadas, formadas por meio de sugestões que levam a conclusões – podendo estas estarem erradas!
Ouço vozes. Parecem vir da esquerda. Um diálogo. Desconfio que estejam falando de mim, tramando alguma coisa. Acerto algo com o pé. Provavelmente uma pedra. Pesada! Busco-a e, depois de contemplar por instantes minha idéia, atiro-a ao longe. Nem sabia que seria capaz de tamanha força. Mas.. estranho... não fez nenhum barulho, não houve reação. Continuo mais um pouco à espera, mas não adianta, não há nada.
Começa a ventar, e muito. Uma ventania fria e quente ao mesmo tempo. Pingo de suor enquanto saio em busca de um casaco. Ora bolas, como poderia encontrar um agasalho se eu nem mesmo sei onde estou! O vento se fortalece aos poucos, me forçando levemente para trás; e tornando a minha jornada bastante desagradável.
Lembrando que desagradável mesmo seria um cisco em meus olhos, me apercebo de óculos. E desde quando eu uso óculos? Ainda mais à noite! Será que é mesmo noite? Pode ser um estado fora do comum,uma realidade com a qual ainda não esteja acostumado, onde não existe o famoso Dia.
Tiro, então, os óculos, e enxergo luzes. Luzes bem fortes, como se fossem holofotes incandescentes, loucos para cegar qualquer um que ouse toca-los com seu irrisório e previsível olhar. Aos poucos minha vista se adapta a situação, quando já posso distinguir formas. Vejo postes, diversos e enfileirados, como se seguissem ao infinito – que neste momento entendo perfeitamente como a incapacidade de imaginar o todo. Todos do lado esquerdo. Estou em uma rua, embora esta se pareça, ainda, com um corredor. A mão é única e não vejo ninguém. Mas ainda posso escutar as vozes. Não saberia ao certo de onde vêm, mas elas estão por aí.

Wednesday, April 06, 2005

Pensamentos

"Começar é a parte mais importante de qualquer trabalho"

-Platão


"A imaginação é mais importante do que o conhecimento"

- Albert Einstein


"Nunca se vai muito longe quando não se sabe para onde está indo"

- Johann Wolfgang von Goethe

Sunday, April 03, 2005

Tudo em casa

Três horas da manhã, na passagem de um sábado para um domingo qualquer. Na verdade não é um fim de semana qualquer, mas seria não fosse por uma surpresa gostosa. Ela veio da França diretamente para o Rio e comigo está a passar o fim de semana na montanha gelada. Nos divertimos bastante e, após um pouco de vinho e um bom bate-papo, ela foi dormir. Não é um sentimento como os outros, mas é um tipo de amor. É um amor mais tranqüilo, sem neuroses, como se ela estivesse substituindo a irmã que eu nunca tive – e que sempre busquei, mas, em geral, esse tipo de coisa chega sozinho, sem que você pense nisso. Ela dorme no meu quarto, na cama do meu irmão que já não mora mais aqui. Interessante isso. Meu irmão sai e entra essa menina meiga e doce como nunca se vira antes, como que se estivesse avisando que seu papel é realmente de uma irmã – e na cama do verdadeiro irmão! É, algumas vezes eu exagero nas explicações, espero não estar tornando esta leitura uma coisa muito chata.
Cães latem lá fora, numa madrugada em que se torna impossível o resgate da sensação infernal que é o verão carioca – faz frio. Todos estão deitados, menos eu; mas isso já está claro para você, uma vez que pode ler o que eu escrevo. O celular marca as horas. O computador também, e assim o faz o relógio de parede da sala. Todos avisando que já é madrugada, que estão quase todos dentro de seus sonhos inconscientes, e o programa livre, que já não tem mais o mesmo nome, mostra o Veríssimo filho em entrevista com o Serginho.
Não gosto de ficar sozinho à noite, parece que o mundo acaba, que está vazio e que eu nunca mais vou escutar a voz de nenhum ser vivo, apenas gravações de seres que nunca tive a oportunidade de conhecer e que se mostram bastante distantes de mim agora. Nesses momentos agradeço ao inventor da televisão. E a rede globo também, quem diria. Se tem uma coisa que eu nunca faço essa coisa seria me deitar sem estar com sono. Impossível. Sempre que eu me deito é para dormir dentro de uns poucos minutos, de preferência ao som de uma música gostosa, nada de Shostakovitch – não sei se está escrito corretamente. Uma vez tentei conhecer o compositor enquanto me deitava e a experiência foi a mais próxima de um suspense que eu já vivi – me levantei correndo com o dedo indicador apontando ereto na direção do off.
Peraí, voltando à Terra. Aude acaba de chegar aqui dizendo “porra, ta muito alto isso”, com aquela cara de quem tenta dormir e não consegue. Não faz muita diferença para mim, já que está passando um daqueles filmes que não têm importância para ninguém. Agora vou parar de escrever, vou ver se faço outra coisa. Para quem estiver a dormir uma boa noite. E para quem estiver no meio do dia, leia este texto antes de dormir.

Thursday, March 31, 2005

Algumas palavras sinceras


à sua porta

Um toque seu e me encontro
Prostrado à sua porta
Pedindo um pouco
Para matar a sede

Junto com a água vem a ternura
O charme
Seus movimentos quentes e leves

Sua beleza pueril
Seus medos
Ambos me envolvem como nunca antes
Mas nada de claustro
Me sinto livre

Ao abrir a porta
Você me convida para uma viagem
Da qual
Não posso abrir mão

Tuesday, March 22, 2005

Indelével

Indelével é a dor
É a saudade
A imagem que tatuada nas paredes,
Por dentro,
Ecoa.
Uma lembrança
Um sonho
Noite mal dormida
A inconstância do tempo

Passeia com o vento
E à casa torna.
Mais um re-torno
Uma janela
Uma voz
Um sussurro
Um doce abraço

Um mergulho?
Não seria muito bom
Confundiria as marcas
E a lembrança
Que não é apenas doce,
mas conforta



* o poema foi passado a limpo ao som de "the blower´s daughter", rompante sucesso atual europeu, presente na primeira cena do filme Closer; responsável também pela onda de idolatria gerada ao redor da imagem de Damien Rice, seu compositor e quem a executa musicalmente

Sunday, March 20, 2005

O menor conto do mundo

"Quando ele acordou, o dinossauro ainda estava lá".

- Monteroso

Monday, March 14, 2005

Uma carta

Uma menina de 8 ou 10 anos, Emilie M., que tocava piano, certa vez bordou uma capa de livro para seu ídolo, contendo palavras de admiração. Segue abaixo uma carta escrita em resposta a ela, no dia 17 de julho de 1812, enquanto quem a escreveu estava se recuperando de um trauma psicológico causado pelo recrudescimento de sua surdez, num spa em Teplitz. Vale ressaltar que este não conhecia sua admiradora.



Minha querida e gentil Emilie, querida amiga!


Minha resposta à sua carta vai chegar atrasada. Uma grande quantidade de trabalho e uma enfermidade persistente podem me desculpar. O fato de que estou aqui para recuperar minha saúde comprova a verdade de minhas desculpas. Não roube a Haendel, Haydn e Mozart os seus lauréis. Eles os merecem, mas eu ainda não mereço nenhum.
A capa de livro que bordou será guardada como um tesouro, junto com outras provas de consideração que muitas pessoas me dispensaram, mas que ainda estou longe de merecer.
Persevere, não apenas pratique sua arte, mas se esforce também para compreender seu significado interior; merece o esforço. Porque apenas a arte e a ciência podem elevar os homens ao nível dos deuses. Se algum dia, minha querida Emilie, tiver o desejo de possuir qualquer coisa, não hesite em me escrever. O verdadeiro artista não tem orgulho. Ele vê, infelizmente, que a arte não tem limites. Ele tem uma vaga percepção de quão longe ainda está de seu objetivo; e, embora outros possam talvez admira-lo, ele lamenta ainda não ter chegado ao ponto, caminho que seu melhor talento apenas ilumina como um sol distante. Eu preferiria visita-la, e à sua família, que visitar muitas pessoas ricas que traem a si mesmas com a pobreza do íntimo do seu ser. Se algum dia for a H. (provavelmente Hamburgo), visitarei você e sua família. Não conheço maior privilégio do que ser incluído entre as melhores criaturas de seus semelhantes. Onde eu as encontro, aí também encontro o meu lar.
Se quiser me escrever, querida Emilie, mande sua correspondência diretamente para Teplitz, onde permanecerei por mais quatro semanas. Ou mande-o para Viena. Realmente não importa. Pense em mim como um amigo, seu e de sua família.


Ludwig van Beethoven


Wednesday, March 09, 2005

Desista, você não é um gênio!

Não adianta. Por mais que se prossiga, que se evolua, sempre continuam a existir idiotas. Pessoas que acreditam em coisas como certas não estão por dentro da realidade – acho que não preciso dizer que se trata de um ponto de vista pessoal, até porque quem escreve estas palavras sou eu. Seria ingenuidade demais.
Estava numa aula hoje quando um professor tropeça em suas próprias palavras e sou obrigado a me manifestar. Não poderia guardar, me conter. Era muito para ignorar. Logo após, cerca de minutos, ter dito que pouco tempo atrás cientistas e teóricos afirmavam que o cavalo era um meio de transporte insuperável, mostrando, então, por meio de um desenvolvimento das idéias, que o ser humano acredita que sabe de algo, até o lindo dia em que se percebe enganado. Ele poderia também ter utilizado o exemplo de quando se acreditava que a Terra fosse quadrada. Nos parece uma idéia estapafúrdia, sem pé nem cabeça, mas um dia foi dito que era assim e, nós sabemos que, quando o burro máster fala, os outros burros abaixam a cabeça – outra coisa que me causa bastante revolta, esse negócio de aceitação total, como se tudo que tivesse para ser descoberto e rompido já estivesse no passado, não havendo possibilidade de se inovar ou mudar conceitos, uma vez que “os gênios estão mortos”, ou “nós não somos capazes porque somos inferiores”.
Este mesmo professor dissera, também, que Albert Einstein afirmou que suas descobertas vinham de “99% de transpiração e 1% de inspiração”. Até este momento ele cometeu dois erros. Um porque defendeu que os paradigmas e as coisas tidas como certas podem não ser necessariamente verdades e, quando eu discordei dele, me disse “então escreva uma teoria, porque sabe-se que não é desta forma, diversos teóricos pregam o contrário”. E dois, porque após ouvir a minha resposta, “se eu estivesse disposto, eu o faria”, ele retrucou com um “devemos ser humildes”. Agora vejamos um ponto crucial aqui: o cara afirma que o gênio mor – na cabeça dele – defendia o esforço como mais importante que a inspiração e logo após, duvida da capacidade humana de trabalhar idéias! Não se trata de ser humilde ou não, se trata de valorizar o potencial de cada pessoa. Eu, particularmente – sendo que não me encontro sozinho nessa – acredito que se você quer, realmente, e corre atrás, você surpreende a todos com seus resultados. Isso não é ser megalomaníaco ou, muito menos, pedante. Isso é não ser iludido pela lavagem comercial que se faz no mundo – não apenas o atual, mas sempre foi assim – de que um ídolo deve ser diferente dos outros, que ele é um ser superior.
Ninguém pode ter certeza de nada. Tanto economistas como meteorologistas estudam e se especializam com o objetivo de fazer previsões, que frequentemente não ocorrem como fora afirmado. Você pode pensar, como eu o fiz por alguns instantes, que os únicos que sabem a verdade total são os historiadores e os arqueólogos. Mas, pensando bem, eles também não. Por que? Pelo simples fato de dependerem de análises e pesquisas que podem ter sido vítimas de uma série de erros - humanos -, enganos e até mesmo de manipulações propositais. O que se sabe ao certo? Nada. O que acontece é que gostamos de acreditar que está tudo resolvido e que podemos voltar para nossas vidinhas quadradas e medíocres, enquanto enganamos a nossa intuição – que é bem mais forte que a nossa consciência, por ser trabalhada pela parte inconsciente do nosso cérebro.
Para terminar, gostaria de citar uma frase bastante interessante, que ganhará destaque e respeito, fazendo das minhas palavras algo muito mais coeso, uma vez que seu autor – o da frase que estar por vir – tem moral para peitar muita coisa. Outro ídolo.
“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada” (William Shakespeare)
Agora me diz se minhas palavras não passaram a fazer mais sentido...

Monday, March 07, 2005

Gatos, rock e a noite negra

Cansado. Com o anúncio de que outro dia quase chega ao “the end”, o silêncio se esforça para tomar posse do todo, do tudo, sem deixar nada de fora. Só não consegue – mas não se esforça para isso – calar os deprimidos, os que se colocam de mal com o mundo e os eufóricos. Estes estão irremediavelmente aos gritos, berros, choros e soluços, comemorando ou amaldiçoando a Deus e ao mundo por tudo que existe. Pela noite ser triste, pelo mundo ser assim, por tudo dar certo.
Gatos passam quietos e observam tudo a distância, com aquela malandragem que os cães tanto desejam ter, mas não podem. Eles sabem que os felinos são muito mais articulados e articuladores que eles. Ficam observando tudo que acontece. As brigas, as mortes, as festas, os ensaios e até mesmo aos programas enlatados de TV. Traiçoeiros sim, mas não por mal. Faz parte da natureza deles. Igual às mulheres. Lindas e poderosas, querendo garantir sua existência. Enquanto os “melhores amigos do homem” são como seus donos. Fracos, tentam impor respeito tendo como arma a força bruta, mas acabam perdendo. E depois de perderem eles latem por aí, desconsolados, coitadinhos. Tão ingênuos.
A noite chega ao mesmo tempo para todos, mas alguns destes a recebem melhor. As vidas destes estão agitadas demais para se preocuparem com o silêncio ou terem medo do vazio, do escuro, como se isso fosse refletir o nada, a falta de sentido do tudo. Um horizonte negro pode assustar, principalmente se sua imaginação for excessivamente fértil, como é o caso dos humanos.
Uma música. Sim, isso é bom.. ou não. Tem músicas que nos trazem de volta aquele sentimento de vida. Nos dão orgulho de nosso passado. Bem melhor do que as outras, que são capazes de nos levar numa viagem aparentemente, e assustadoramente, sem volta, onde nos afogaremos em mágoas e incapacidades. Em medos, em incertezas. Em paixões. Em monotonia. Em gatos e cachorros. Ou em viagens onde nosso inconsciente tenta se externar. Ainda não sei se prefiro um ou outro. Talvez um Rock´n Roll. Ou não.

Sunday, March 06, 2005

Fiona Apple!!!

Acabei de encontrar um site onde estão disponíveis 5 músicas do novo álbum da Fiona Apple, chamado "Extraordinary Machine". Estas mostram de forma concreta o porque de a sony estar pedindo músicas mais comuns, uma vez que o terceiro trabalho da "multi-platinum" Fiona está no caminho de uma evolução constante no que diz a trabalhar sua música como arte.
Embora a Sony se preocupe em encontrar uma música mais dentro dos moldes mais comerciais, Fiona não se preocupa em compôr algo com o objetivo de agradar a quem quer que seja, apenas faz o que acha ser o melhor.
As músicas podem ser encontradas no link

www.geekdreams.com/mp3/fiona_apple/

E ainda há um site com as últimas notícias dela

www.fionaapple.org/

Sunday, February 27, 2005

Radiohead

Sem muito rumo na internet, buscava algo de interessente, enquanto ouvia o mais recente álbum do Radiohead, "Hail to th Thief". Como estava com o Soulseek aberto, resolvi baixar o antigo CD "The Bends", que faz tempo emprestei a um amigo, que emprestou a uma ficante, que não morava na cidade e foi-se embora para nunca mais voltar com o meu CD. Eu já comprei o CD antes, não posso ser acusado de nada por estar dizendo que baixo música sem pagar - mas acho que posso deixar subentendido que amanhã completo 30 CD´s virgens para este início de ano... Só uma observação: como será que uma pessoa poderia conhecer o trabalho solo de Van Dyke Parks aqui no Brasil, já que ele não foi lançado? Pô, é da década de sessenta! Nem rezando pra Santo Espedito...
Abri o site cifraclub ponto com, para ver se eles têm disponível a tablatura da música Go to Sleep, do Hail to th Thief, e vi que têm. Ufa, que alívio! Isso me faz lembrar que o Radiohead tinha um site oficial bem fora do comum, como se fosse uma continuação do trabalho deles como artistas de vanguarda. Entrei no www.radiohead.com e me deparo com uma surpresa. Eles renovaram a cara do site, ficando ainda mais bizarro e criativo. E logo após uma clicada e uns parágrafos encontro o seguinte texto que apresenta o, provavelmente, chat do site:
The Radiohead message board is here. It has lurkers. It has multi-coloured text. It has Blues. Blues are real. They are who they say they are, that is US. Sometimes people just come here to chat you know. Sometimes they come here to hurl abuse at each other. Sometimes they talk about music. Sometimes they've had a little bit too much to drink and they' are liable to say things they might regret. But thats ok. After all, who's listening?
Me senti bem. Coisas novas, gente inovando. Assim o mundo ainda tem jeito. E sempre com um bom humor por trás também.

Thursday, February 24, 2005

Andante

Na rua sem cor
Ele anda
Uma rua sem vida,
Ela apenas
Existe

O silêncio do mundo
Não lhe priva da
Barreira e do
Temporal
Pensamentos constantes

A cada loja
Bate, a porta
Bate de volta
Seu vazio
Nenhuma
Se abre

Nuvens cinza
Sem cor
No céu,
Silêncio

Nasce um dia
Morre uma noite
E o duelo se
Perdura
Se
Eterniza

Seus passos
Ecoam
Pela rua, como uma
Garagem
Trancada, isolada
Dentro deste tudo,
Separada por paredes

Não se ouve sua voz
Mas continua a
Falar
E há de continuar,
Até que sua lua se vá
Igual a noite,
Que morre, para o dia
Nascer

Tuesday, February 22, 2005

Encontrei algo bem apropriado...

Working class hero (John Lennon)

As soon as you´re born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

They hurt you at home and they hit you at school
They hate if you´re clever and they despise a fool
Till you´re so fucking crazy you can´t follow the rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they´ve tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can´t really function you´re so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
You think you´re so clever and classless and free
But you´re still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There´s room at the top they telling you still
But first you must learn how to smile when you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

Monday, February 21, 2005

Mocinhos e bandidos - a vida real

Tudo está relacionado com pontos de vista. A maneira como enxergamos as coisas afeta o que seria a nossa concepção de realidade. Realidade pode não ser um conceito certo, mas uma forma de identificar o que existe a partir dos olhos que estão dispostos em frente a ela – às vezes até mesmo distantes. Se acharmos que estamos passando uma maré difícil, com certeza vamos acreditar que nada está a nosso favor. E o mesmo ocorre do outro lado. Não crer em barreiras intransponíveis ajuda, e muito. Se você acredita numa coisa e não quer saber se aquilo é difícil, e se corre a tas para derrubar tudo, acaba conseguindo – ao menos muito mais facilmente do que esperando sentado dizendo que o mundo é cruel.
Vejo pessoas dizendo que o mundo vai de mal a pior. Que estão pra baixo, em depressão, ou de qualquer forma que seja uma pista de que elas não foram escolhidas por alguma divindade e que sua missão no mundo seria sofrer, apenas. Isso, a meu ver, é uma forma de se esquivar da realidade, de se esconder atrás de uma cortina, para que estejam em paz sem as cobranças do cotidiano de uma pessoa que segue sua vida. Isso tudo se baseia no medo – mais uma vez prego que é o nosso maior problema. O medo de escolher errado, de não saber o que fazer, que rumos tomar, faz com que muitos se sintam inseguros, lógico. Muito é exigido de nós, mas pouco nos é explicado. Para que a vida, para que a morte, em que/quem devemos acreditar, qual seria a religião definitiva etecétera e tal. Quando tínhamos alguém para nos dizer todas as respostas certas estávamos mais felizes, não é menos que as crianças geralmente são mais felizes que os adultos. Elas não acreditam em tudo e não precisam buscar suas próprias respostas. Mas não existem respostas fáceis ou definitivas.
Podemos perceber nitidamente a aplicação deste conceito no caso dos fanatismos. Pessoas que não fazem a menor idéia de para que isso tudo e mais um pouco tendem a ser absurdamente apegadas a alguma coisa. Religiões, times e etc novamente. Isso tudo não serve para nada, a não ser para juntar indivíduos que se sentiriam sozinhos e sem nexo jogados pelas terras vazias e sujas se não fosse um grupo que busca junto com ele por um ideal, mas esse ideal é inventado. Busca-se o que está mais próximo, na maioria das vezes. Qual a sua religião? A maioria das pessoas diria que é a mesma dos pais ou de familiares próximos. Qual o seu time? A resposta seria a mesma na maior parte dos casos. Enxergamos aqui uma nítida prova de que o que se busca é acreditar em algo que pareça valido e real, conclusivo. Algo que acabe de uma vez por todas com a nossa busca por um sentido. Para que eu precisaria correr atrás do sentido da minha vida se meus pais e meus professores já o sabem e me disseram quando eu era pequeno? É assim que muita gente age, sem se dar conta da gravidade do quadro e até mesmo da existência do problema.
A depressão, por exemplo, é uma forma de dizer “eu tenho problemas e não posso de forma alguma tomar decisões importantes, minha vida é uma porcaria e é assim que vai ser”. Essa auto-exclusão da realidade, pintando o exterior de cruel e maligno é que faz tudo ir para o lado errado. É uma saída, uma tentativa de escapar da responsabilidade de buscar o seu lugar e, errando e aprendendo – e isso leva tempo, além de dar muito trabalho -, se encontrar finalmente. Há aquela dúvida “será que existe um lugar para mim? E se não existir?”. Por conta disso nasce a necessidade de se esconder.
Ao olhar para as pessoas que estão caminhando para frente, aqueles que sabem muito bem a que fazem parte, se ele está no lugar certo, pode ter certeza de que teve que tomar decisões. Muitas delas duras e assustadoras em um primeiro momento, mas é aí que entra a tão sonhada coragem. Queríamos ser iguais aos heróis da TV, mas não achávamos que era possível. É sim. Não só é possível, como nessa história quem está preso no esconderijo do bandido é você. Não existe impossível. De uma forma mais ampla, não existe o tal do impossível na maior parte dos casos. O que é a nossa falta de confiança na capacidade que temos.