Thursday, March 31, 2005
Algumas palavras sinceras
à sua porta
Um toque seu e me encontro
Prostrado à sua porta
Pedindo um pouco
Para matar a sede
Junto com a água vem a ternura
O charme
Seus movimentos quentes e leves
Sua beleza pueril
Seus medos
Ambos me envolvem como nunca antes
Mas nada de claustro
Me sinto livre
Ao abrir a porta
Você me convida para uma viagem
Da qual
Não posso abrir mão
Tuesday, March 22, 2005
Indelével
Indelével é a dor
É a saudade
A imagem que tatuada nas paredes,
Por dentro,
Ecoa.
Uma lembrança
Um sonho
Noite mal dormida
A inconstância do tempo
Passeia com o vento
E à casa torna.
Mais um re-torno
Uma janela
Uma voz
Um sussurro
Um doce abraço
Um mergulho?
Não seria muito bom
Confundiria as marcas
E a lembrança
Que não é apenas doce,
mas conforta
* o poema foi passado a limpo ao som de "the blower´s daughter", rompante sucesso atual europeu, presente na primeira cena do filme Closer; responsável também pela onda de idolatria gerada ao redor da imagem de Damien Rice, seu compositor e quem a executa musicalmente
É a saudade
A imagem que tatuada nas paredes,
Por dentro,
Ecoa.
Uma lembrança
Um sonho
Noite mal dormida
A inconstância do tempo
Passeia com o vento
E à casa torna.
Mais um re-torno
Uma janela
Uma voz
Um sussurro
Um doce abraço
Um mergulho?
Não seria muito bom
Confundiria as marcas
E a lembrança
Que não é apenas doce,
mas conforta
* o poema foi passado a limpo ao som de "the blower´s daughter", rompante sucesso atual europeu, presente na primeira cena do filme Closer; responsável também pela onda de idolatria gerada ao redor da imagem de Damien Rice, seu compositor e quem a executa musicalmente
Sunday, March 20, 2005
O menor conto do mundo
"Quando ele acordou, o dinossauro ainda estava lá".
- Monteroso
- Monteroso
Monday, March 14, 2005
Uma carta
Uma menina de 8 ou 10 anos, Emilie M., que tocava piano, certa vez bordou uma capa de livro para seu ídolo, contendo palavras de admiração. Segue abaixo uma carta escrita em resposta a ela, no dia 17 de julho de 1812, enquanto quem a escreveu estava se recuperando de um trauma psicológico causado pelo recrudescimento de sua surdez, num spa em Teplitz. Vale ressaltar que este não conhecia sua admiradora.
Minha querida e gentil Emilie, querida amiga!
Minha resposta à sua carta vai chegar atrasada. Uma grande quantidade de trabalho e uma enfermidade persistente podem me desculpar. O fato de que estou aqui para recuperar minha saúde comprova a verdade de minhas desculpas. Não roube a Haendel, Haydn e Mozart os seus lauréis. Eles os merecem, mas eu ainda não mereço nenhum.
A capa de livro que bordou será guardada como um tesouro, junto com outras provas de consideração que muitas pessoas me dispensaram, mas que ainda estou longe de merecer.
Persevere, não apenas pratique sua arte, mas se esforce também para compreender seu significado interior; merece o esforço. Porque apenas a arte e a ciência podem elevar os homens ao nível dos deuses. Se algum dia, minha querida Emilie, tiver o desejo de possuir qualquer coisa, não hesite em me escrever. O verdadeiro artista não tem orgulho. Ele vê, infelizmente, que a arte não tem limites. Ele tem uma vaga percepção de quão longe ainda está de seu objetivo; e, embora outros possam talvez admira-lo, ele lamenta ainda não ter chegado ao ponto, caminho que seu melhor talento apenas ilumina como um sol distante. Eu preferiria visita-la, e à sua família, que visitar muitas pessoas ricas que traem a si mesmas com a pobreza do íntimo do seu ser. Se algum dia for a H. (provavelmente Hamburgo), visitarei você e sua família. Não conheço maior privilégio do que ser incluído entre as melhores criaturas de seus semelhantes. Onde eu as encontro, aí também encontro o meu lar.
Se quiser me escrever, querida Emilie, mande sua correspondência diretamente para Teplitz, onde permanecerei por mais quatro semanas. Ou mande-o para Viena. Realmente não importa. Pense em mim como um amigo, seu e de sua família.
Ludwig van Beethoven
Minha querida e gentil Emilie, querida amiga!
Minha resposta à sua carta vai chegar atrasada. Uma grande quantidade de trabalho e uma enfermidade persistente podem me desculpar. O fato de que estou aqui para recuperar minha saúde comprova a verdade de minhas desculpas. Não roube a Haendel, Haydn e Mozart os seus lauréis. Eles os merecem, mas eu ainda não mereço nenhum.
A capa de livro que bordou será guardada como um tesouro, junto com outras provas de consideração que muitas pessoas me dispensaram, mas que ainda estou longe de merecer.
Persevere, não apenas pratique sua arte, mas se esforce também para compreender seu significado interior; merece o esforço. Porque apenas a arte e a ciência podem elevar os homens ao nível dos deuses. Se algum dia, minha querida Emilie, tiver o desejo de possuir qualquer coisa, não hesite em me escrever. O verdadeiro artista não tem orgulho. Ele vê, infelizmente, que a arte não tem limites. Ele tem uma vaga percepção de quão longe ainda está de seu objetivo; e, embora outros possam talvez admira-lo, ele lamenta ainda não ter chegado ao ponto, caminho que seu melhor talento apenas ilumina como um sol distante. Eu preferiria visita-la, e à sua família, que visitar muitas pessoas ricas que traem a si mesmas com a pobreza do íntimo do seu ser. Se algum dia for a H. (provavelmente Hamburgo), visitarei você e sua família. Não conheço maior privilégio do que ser incluído entre as melhores criaturas de seus semelhantes. Onde eu as encontro, aí também encontro o meu lar.
Se quiser me escrever, querida Emilie, mande sua correspondência diretamente para Teplitz, onde permanecerei por mais quatro semanas. Ou mande-o para Viena. Realmente não importa. Pense em mim como um amigo, seu e de sua família.
Ludwig van Beethoven
Wednesday, March 09, 2005
Desista, você não é um gênio!
Não adianta. Por mais que se prossiga, que se evolua, sempre continuam a existir idiotas. Pessoas que acreditam em coisas como certas não estão por dentro da realidade – acho que não preciso dizer que se trata de um ponto de vista pessoal, até porque quem escreve estas palavras sou eu. Seria ingenuidade demais.
Estava numa aula hoje quando um professor tropeça em suas próprias palavras e sou obrigado a me manifestar. Não poderia guardar, me conter. Era muito para ignorar. Logo após, cerca de minutos, ter dito que pouco tempo atrás cientistas e teóricos afirmavam que o cavalo era um meio de transporte insuperável, mostrando, então, por meio de um desenvolvimento das idéias, que o ser humano acredita que sabe de algo, até o lindo dia em que se percebe enganado. Ele poderia também ter utilizado o exemplo de quando se acreditava que a Terra fosse quadrada. Nos parece uma idéia estapafúrdia, sem pé nem cabeça, mas um dia foi dito que era assim e, nós sabemos que, quando o burro máster fala, os outros burros abaixam a cabeça – outra coisa que me causa bastante revolta, esse negócio de aceitação total, como se tudo que tivesse para ser descoberto e rompido já estivesse no passado, não havendo possibilidade de se inovar ou mudar conceitos, uma vez que “os gênios estão mortos”, ou “nós não somos capazes porque somos inferiores”.
Este mesmo professor dissera, também, que Albert Einstein afirmou que suas descobertas vinham de “99% de transpiração e 1% de inspiração”. Até este momento ele cometeu dois erros. Um porque defendeu que os paradigmas e as coisas tidas como certas podem não ser necessariamente verdades e, quando eu discordei dele, me disse “então escreva uma teoria, porque sabe-se que não é desta forma, diversos teóricos pregam o contrário”. E dois, porque após ouvir a minha resposta, “se eu estivesse disposto, eu o faria”, ele retrucou com um “devemos ser humildes”. Agora vejamos um ponto crucial aqui: o cara afirma que o gênio mor – na cabeça dele – defendia o esforço como mais importante que a inspiração e logo após, duvida da capacidade humana de trabalhar idéias! Não se trata de ser humilde ou não, se trata de valorizar o potencial de cada pessoa. Eu, particularmente – sendo que não me encontro sozinho nessa – acredito que se você quer, realmente, e corre atrás, você surpreende a todos com seus resultados. Isso não é ser megalomaníaco ou, muito menos, pedante. Isso é não ser iludido pela lavagem comercial que se faz no mundo – não apenas o atual, mas sempre foi assim – de que um ídolo deve ser diferente dos outros, que ele é um ser superior.
Ninguém pode ter certeza de nada. Tanto economistas como meteorologistas estudam e se especializam com o objetivo de fazer previsões, que frequentemente não ocorrem como fora afirmado. Você pode pensar, como eu o fiz por alguns instantes, que os únicos que sabem a verdade total são os historiadores e os arqueólogos. Mas, pensando bem, eles também não. Por que? Pelo simples fato de dependerem de análises e pesquisas que podem ter sido vítimas de uma série de erros - humanos -, enganos e até mesmo de manipulações propositais. O que se sabe ao certo? Nada. O que acontece é que gostamos de acreditar que está tudo resolvido e que podemos voltar para nossas vidinhas quadradas e medíocres, enquanto enganamos a nossa intuição – que é bem mais forte que a nossa consciência, por ser trabalhada pela parte inconsciente do nosso cérebro.
Para terminar, gostaria de citar uma frase bastante interessante, que ganhará destaque e respeito, fazendo das minhas palavras algo muito mais coeso, uma vez que seu autor – o da frase que estar por vir – tem moral para peitar muita coisa. Outro ídolo.
“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada” (William Shakespeare)
Agora me diz se minhas palavras não passaram a fazer mais sentido...
Estava numa aula hoje quando um professor tropeça em suas próprias palavras e sou obrigado a me manifestar. Não poderia guardar, me conter. Era muito para ignorar. Logo após, cerca de minutos, ter dito que pouco tempo atrás cientistas e teóricos afirmavam que o cavalo era um meio de transporte insuperável, mostrando, então, por meio de um desenvolvimento das idéias, que o ser humano acredita que sabe de algo, até o lindo dia em que se percebe enganado. Ele poderia também ter utilizado o exemplo de quando se acreditava que a Terra fosse quadrada. Nos parece uma idéia estapafúrdia, sem pé nem cabeça, mas um dia foi dito que era assim e, nós sabemos que, quando o burro máster fala, os outros burros abaixam a cabeça – outra coisa que me causa bastante revolta, esse negócio de aceitação total, como se tudo que tivesse para ser descoberto e rompido já estivesse no passado, não havendo possibilidade de se inovar ou mudar conceitos, uma vez que “os gênios estão mortos”, ou “nós não somos capazes porque somos inferiores”.
Este mesmo professor dissera, também, que Albert Einstein afirmou que suas descobertas vinham de “99% de transpiração e 1% de inspiração”. Até este momento ele cometeu dois erros. Um porque defendeu que os paradigmas e as coisas tidas como certas podem não ser necessariamente verdades e, quando eu discordei dele, me disse “então escreva uma teoria, porque sabe-se que não é desta forma, diversos teóricos pregam o contrário”. E dois, porque após ouvir a minha resposta, “se eu estivesse disposto, eu o faria”, ele retrucou com um “devemos ser humildes”. Agora vejamos um ponto crucial aqui: o cara afirma que o gênio mor – na cabeça dele – defendia o esforço como mais importante que a inspiração e logo após, duvida da capacidade humana de trabalhar idéias! Não se trata de ser humilde ou não, se trata de valorizar o potencial de cada pessoa. Eu, particularmente – sendo que não me encontro sozinho nessa – acredito que se você quer, realmente, e corre atrás, você surpreende a todos com seus resultados. Isso não é ser megalomaníaco ou, muito menos, pedante. Isso é não ser iludido pela lavagem comercial que se faz no mundo – não apenas o atual, mas sempre foi assim – de que um ídolo deve ser diferente dos outros, que ele é um ser superior.
Ninguém pode ter certeza de nada. Tanto economistas como meteorologistas estudam e se especializam com o objetivo de fazer previsões, que frequentemente não ocorrem como fora afirmado. Você pode pensar, como eu o fiz por alguns instantes, que os únicos que sabem a verdade total são os historiadores e os arqueólogos. Mas, pensando bem, eles também não. Por que? Pelo simples fato de dependerem de análises e pesquisas que podem ter sido vítimas de uma série de erros - humanos -, enganos e até mesmo de manipulações propositais. O que se sabe ao certo? Nada. O que acontece é que gostamos de acreditar que está tudo resolvido e que podemos voltar para nossas vidinhas quadradas e medíocres, enquanto enganamos a nossa intuição – que é bem mais forte que a nossa consciência, por ser trabalhada pela parte inconsciente do nosso cérebro.
Para terminar, gostaria de citar uma frase bastante interessante, que ganhará destaque e respeito, fazendo das minhas palavras algo muito mais coeso, uma vez que seu autor – o da frase que estar por vir – tem moral para peitar muita coisa. Outro ídolo.
“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada” (William Shakespeare)
Agora me diz se minhas palavras não passaram a fazer mais sentido...
Monday, March 07, 2005
Gatos, rock e a noite negra
Cansado. Com o anúncio de que outro dia quase chega ao “the end”, o silêncio se esforça para tomar posse do todo, do tudo, sem deixar nada de fora. Só não consegue – mas não se esforça para isso – calar os deprimidos, os que se colocam de mal com o mundo e os eufóricos. Estes estão irremediavelmente aos gritos, berros, choros e soluços, comemorando ou amaldiçoando a Deus e ao mundo por tudo que existe. Pela noite ser triste, pelo mundo ser assim, por tudo dar certo.
Gatos passam quietos e observam tudo a distância, com aquela malandragem que os cães tanto desejam ter, mas não podem. Eles sabem que os felinos são muito mais articulados e articuladores que eles. Ficam observando tudo que acontece. As brigas, as mortes, as festas, os ensaios e até mesmo aos programas enlatados de TV. Traiçoeiros sim, mas não por mal. Faz parte da natureza deles. Igual às mulheres. Lindas e poderosas, querendo garantir sua existência. Enquanto os “melhores amigos do homem” são como seus donos. Fracos, tentam impor respeito tendo como arma a força bruta, mas acabam perdendo. E depois de perderem eles latem por aí, desconsolados, coitadinhos. Tão ingênuos.
A noite chega ao mesmo tempo para todos, mas alguns destes a recebem melhor. As vidas destes estão agitadas demais para se preocuparem com o silêncio ou terem medo do vazio, do escuro, como se isso fosse refletir o nada, a falta de sentido do tudo. Um horizonte negro pode assustar, principalmente se sua imaginação for excessivamente fértil, como é o caso dos humanos.
Uma música. Sim, isso é bom.. ou não. Tem músicas que nos trazem de volta aquele sentimento de vida. Nos dão orgulho de nosso passado. Bem melhor do que as outras, que são capazes de nos levar numa viagem aparentemente, e assustadoramente, sem volta, onde nos afogaremos em mágoas e incapacidades. Em medos, em incertezas. Em paixões. Em monotonia. Em gatos e cachorros. Ou em viagens onde nosso inconsciente tenta se externar. Ainda não sei se prefiro um ou outro. Talvez um Rock´n Roll. Ou não.
Gatos passam quietos e observam tudo a distância, com aquela malandragem que os cães tanto desejam ter, mas não podem. Eles sabem que os felinos são muito mais articulados e articuladores que eles. Ficam observando tudo que acontece. As brigas, as mortes, as festas, os ensaios e até mesmo aos programas enlatados de TV. Traiçoeiros sim, mas não por mal. Faz parte da natureza deles. Igual às mulheres. Lindas e poderosas, querendo garantir sua existência. Enquanto os “melhores amigos do homem” são como seus donos. Fracos, tentam impor respeito tendo como arma a força bruta, mas acabam perdendo. E depois de perderem eles latem por aí, desconsolados, coitadinhos. Tão ingênuos.
A noite chega ao mesmo tempo para todos, mas alguns destes a recebem melhor. As vidas destes estão agitadas demais para se preocuparem com o silêncio ou terem medo do vazio, do escuro, como se isso fosse refletir o nada, a falta de sentido do tudo. Um horizonte negro pode assustar, principalmente se sua imaginação for excessivamente fértil, como é o caso dos humanos.
Uma música. Sim, isso é bom.. ou não. Tem músicas que nos trazem de volta aquele sentimento de vida. Nos dão orgulho de nosso passado. Bem melhor do que as outras, que são capazes de nos levar numa viagem aparentemente, e assustadoramente, sem volta, onde nos afogaremos em mágoas e incapacidades. Em medos, em incertezas. Em paixões. Em monotonia. Em gatos e cachorros. Ou em viagens onde nosso inconsciente tenta se externar. Ainda não sei se prefiro um ou outro. Talvez um Rock´n Roll. Ou não.
Sunday, March 06, 2005
Fiona Apple!!!
Acabei de encontrar um site onde estão disponíveis 5 músicas do novo álbum da Fiona Apple, chamado "Extraordinary Machine". Estas mostram de forma concreta o porque de a sony estar pedindo músicas mais comuns, uma vez que o terceiro trabalho da "multi-platinum" Fiona está no caminho de uma evolução constante no que diz a trabalhar sua música como arte.
Embora a Sony se preocupe em encontrar uma música mais dentro dos moldes mais comerciais, Fiona não se preocupa em compôr algo com o objetivo de agradar a quem quer que seja, apenas faz o que acha ser o melhor.
As músicas podem ser encontradas no link
www.geekdreams.com/mp3/fiona_apple/
E ainda há um site com as últimas notícias dela
www.fionaapple.org/
Embora a Sony se preocupe em encontrar uma música mais dentro dos moldes mais comerciais, Fiona não se preocupa em compôr algo com o objetivo de agradar a quem quer que seja, apenas faz o que acha ser o melhor.
As músicas podem ser encontradas no link
www.geekdreams.com/mp3/fiona_apple/
E ainda há um site com as últimas notícias dela
www.fionaapple.org/
Sunday, February 27, 2005
Radiohead
Sem muito rumo na internet, buscava algo de interessente, enquanto ouvia o mais recente álbum do Radiohead, "Hail to th Thief". Como estava com o Soulseek aberto, resolvi baixar o antigo CD "The Bends", que faz tempo emprestei a um amigo, que emprestou a uma ficante, que não morava na cidade e foi-se embora para nunca mais voltar com o meu CD. Eu já comprei o CD antes, não posso ser acusado de nada por estar dizendo que baixo música sem pagar - mas acho que posso deixar subentendido que amanhã completo 30 CD´s virgens para este início de ano... Só uma observação: como será que uma pessoa poderia conhecer o trabalho solo de Van Dyke Parks aqui no Brasil, já que ele não foi lançado? Pô, é da década de sessenta! Nem rezando pra Santo Espedito...
Abri o site cifraclub ponto com, para ver se eles têm disponível a tablatura da música Go to Sleep, do Hail to th Thief, e vi que têm. Ufa, que alívio! Isso me faz lembrar que o Radiohead tinha um site oficial bem fora do comum, como se fosse uma continuação do trabalho deles como artistas de vanguarda. Entrei no www.radiohead.com e me deparo com uma surpresa. Eles renovaram a cara do site, ficando ainda mais bizarro e criativo. E logo após uma clicada e uns parágrafos encontro o seguinte texto que apresenta o, provavelmente, chat do site:
The Radiohead message board is here. It has lurkers. It has multi-coloured text. It has Blues. Blues are real. They are who they say they are, that is US. Sometimes people just come here to chat you know. Sometimes they come here to hurl abuse at each other. Sometimes they talk about music. Sometimes they've had a little bit too much to drink and they' are liable to say things they might regret. But thats ok. After all, who's listening?
Me senti bem. Coisas novas, gente inovando. Assim o mundo ainda tem jeito. E sempre com um bom humor por trás também.
Abri o site cifraclub ponto com, para ver se eles têm disponível a tablatura da música Go to Sleep, do Hail to th Thief, e vi que têm. Ufa, que alívio! Isso me faz lembrar que o Radiohead tinha um site oficial bem fora do comum, como se fosse uma continuação do trabalho deles como artistas de vanguarda. Entrei no www.radiohead.com e me deparo com uma surpresa. Eles renovaram a cara do site, ficando ainda mais bizarro e criativo. E logo após uma clicada e uns parágrafos encontro o seguinte texto que apresenta o, provavelmente, chat do site:
The Radiohead message board is here. It has lurkers. It has multi-coloured text. It has Blues. Blues are real. They are who they say they are, that is US. Sometimes people just come here to chat you know. Sometimes they come here to hurl abuse at each other. Sometimes they talk about music. Sometimes they've had a little bit too much to drink and they' are liable to say things they might regret. But thats ok. After all, who's listening?
Me senti bem. Coisas novas, gente inovando. Assim o mundo ainda tem jeito. E sempre com um bom humor por trás também.
Thursday, February 24, 2005
Andante
Na rua sem cor
Ele anda
Uma rua sem vida,
Ela apenas
Existe
O silêncio do mundo
Não lhe priva da
Barreira e do
Temporal
Pensamentos constantes
A cada loja
Bate, a porta
Bate de volta
Seu vazio
Nenhuma
Se abre
Nuvens cinza
Sem cor
No céu,
Silêncio
Nasce um dia
Morre uma noite
E o duelo se
Perdura
Se
Eterniza
Seus passos
Ecoam
Pela rua, como uma
Garagem
Trancada, isolada
Dentro deste tudo,
Separada por paredes
Não se ouve sua voz
Mas continua a
Falar
E há de continuar,
Até que sua lua se vá
Igual a noite,
Que morre, para o dia
Nascer
Ele anda
Uma rua sem vida,
Ela apenas
Existe
O silêncio do mundo
Não lhe priva da
Barreira e do
Temporal
Pensamentos constantes
A cada loja
Bate, a porta
Bate de volta
Seu vazio
Nenhuma
Se abre
Nuvens cinza
Sem cor
No céu,
Silêncio
Nasce um dia
Morre uma noite
E o duelo se
Perdura
Se
Eterniza
Seus passos
Ecoam
Pela rua, como uma
Garagem
Trancada, isolada
Dentro deste tudo,
Separada por paredes
Não se ouve sua voz
Mas continua a
Falar
E há de continuar,
Até que sua lua se vá
Igual a noite,
Que morre, para o dia
Nascer
Tuesday, February 22, 2005
Encontrei algo bem apropriado...
Working class hero (John Lennon)
As soon as you´re born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
They hurt you at home and they hit you at school
They hate if you´re clever and they despise a fool
Till you´re so fucking crazy you can´t follow the rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
When they´ve tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can´t really function you´re so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
Keep you doped with religion and sex and TV
You think you´re so clever and classless and free
But you´re still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
There´s room at the top they telling you still
But first you must learn how to smile when you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me
As soon as you´re born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
They hurt you at home and they hit you at school
They hate if you´re clever and they despise a fool
Till you´re so fucking crazy you can´t follow the rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
When they´ve tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can´t really function you´re so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
Keep you doped with religion and sex and TV
You think you´re so clever and classless and free
But you´re still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
There´s room at the top they telling you still
But first you must learn how to smile when you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me
Monday, February 21, 2005
Mocinhos e bandidos - a vida real
Tudo está relacionado com pontos de vista. A maneira como enxergamos as coisas afeta o que seria a nossa concepção de realidade. Realidade pode não ser um conceito certo, mas uma forma de identificar o que existe a partir dos olhos que estão dispostos em frente a ela – às vezes até mesmo distantes. Se acharmos que estamos passando uma maré difícil, com certeza vamos acreditar que nada está a nosso favor. E o mesmo ocorre do outro lado. Não crer em barreiras intransponíveis ajuda, e muito. Se você acredita numa coisa e não quer saber se aquilo é difícil, e se corre a tas para derrubar tudo, acaba conseguindo – ao menos muito mais facilmente do que esperando sentado dizendo que o mundo é cruel.
Vejo pessoas dizendo que o mundo vai de mal a pior. Que estão pra baixo, em depressão, ou de qualquer forma que seja uma pista de que elas não foram escolhidas por alguma divindade e que sua missão no mundo seria sofrer, apenas. Isso, a meu ver, é uma forma de se esquivar da realidade, de se esconder atrás de uma cortina, para que estejam em paz sem as cobranças do cotidiano de uma pessoa que segue sua vida. Isso tudo se baseia no medo – mais uma vez prego que é o nosso maior problema. O medo de escolher errado, de não saber o que fazer, que rumos tomar, faz com que muitos se sintam inseguros, lógico. Muito é exigido de nós, mas pouco nos é explicado. Para que a vida, para que a morte, em que/quem devemos acreditar, qual seria a religião definitiva etecétera e tal. Quando tínhamos alguém para nos dizer todas as respostas certas estávamos mais felizes, não é menos que as crianças geralmente são mais felizes que os adultos. Elas não acreditam em tudo e não precisam buscar suas próprias respostas. Mas não existem respostas fáceis ou definitivas.
Podemos perceber nitidamente a aplicação deste conceito no caso dos fanatismos. Pessoas que não fazem a menor idéia de para que isso tudo e mais um pouco tendem a ser absurdamente apegadas a alguma coisa. Religiões, times e etc novamente. Isso tudo não serve para nada, a não ser para juntar indivíduos que se sentiriam sozinhos e sem nexo jogados pelas terras vazias e sujas se não fosse um grupo que busca junto com ele por um ideal, mas esse ideal é inventado. Busca-se o que está mais próximo, na maioria das vezes. Qual a sua religião? A maioria das pessoas diria que é a mesma dos pais ou de familiares próximos. Qual o seu time? A resposta seria a mesma na maior parte dos casos. Enxergamos aqui uma nítida prova de que o que se busca é acreditar em algo que pareça valido e real, conclusivo. Algo que acabe de uma vez por todas com a nossa busca por um sentido. Para que eu precisaria correr atrás do sentido da minha vida se meus pais e meus professores já o sabem e me disseram quando eu era pequeno? É assim que muita gente age, sem se dar conta da gravidade do quadro e até mesmo da existência do problema.
A depressão, por exemplo, é uma forma de dizer “eu tenho problemas e não posso de forma alguma tomar decisões importantes, minha vida é uma porcaria e é assim que vai ser”. Essa auto-exclusão da realidade, pintando o exterior de cruel e maligno é que faz tudo ir para o lado errado. É uma saída, uma tentativa de escapar da responsabilidade de buscar o seu lugar e, errando e aprendendo – e isso leva tempo, além de dar muito trabalho -, se encontrar finalmente. Há aquela dúvida “será que existe um lugar para mim? E se não existir?”. Por conta disso nasce a necessidade de se esconder.
Ao olhar para as pessoas que estão caminhando para frente, aqueles que sabem muito bem a que fazem parte, se ele está no lugar certo, pode ter certeza de que teve que tomar decisões. Muitas delas duras e assustadoras em um primeiro momento, mas é aí que entra a tão sonhada coragem. Queríamos ser iguais aos heróis da TV, mas não achávamos que era possível. É sim. Não só é possível, como nessa história quem está preso no esconderijo do bandido é você. Não existe impossível. De uma forma mais ampla, não existe o tal do impossível na maior parte dos casos. O que é a nossa falta de confiança na capacidade que temos.
Vejo pessoas dizendo que o mundo vai de mal a pior. Que estão pra baixo, em depressão, ou de qualquer forma que seja uma pista de que elas não foram escolhidas por alguma divindade e que sua missão no mundo seria sofrer, apenas. Isso, a meu ver, é uma forma de se esquivar da realidade, de se esconder atrás de uma cortina, para que estejam em paz sem as cobranças do cotidiano de uma pessoa que segue sua vida. Isso tudo se baseia no medo – mais uma vez prego que é o nosso maior problema. O medo de escolher errado, de não saber o que fazer, que rumos tomar, faz com que muitos se sintam inseguros, lógico. Muito é exigido de nós, mas pouco nos é explicado. Para que a vida, para que a morte, em que/quem devemos acreditar, qual seria a religião definitiva etecétera e tal. Quando tínhamos alguém para nos dizer todas as respostas certas estávamos mais felizes, não é menos que as crianças geralmente são mais felizes que os adultos. Elas não acreditam em tudo e não precisam buscar suas próprias respostas. Mas não existem respostas fáceis ou definitivas.
Podemos perceber nitidamente a aplicação deste conceito no caso dos fanatismos. Pessoas que não fazem a menor idéia de para que isso tudo e mais um pouco tendem a ser absurdamente apegadas a alguma coisa. Religiões, times e etc novamente. Isso tudo não serve para nada, a não ser para juntar indivíduos que se sentiriam sozinhos e sem nexo jogados pelas terras vazias e sujas se não fosse um grupo que busca junto com ele por um ideal, mas esse ideal é inventado. Busca-se o que está mais próximo, na maioria das vezes. Qual a sua religião? A maioria das pessoas diria que é a mesma dos pais ou de familiares próximos. Qual o seu time? A resposta seria a mesma na maior parte dos casos. Enxergamos aqui uma nítida prova de que o que se busca é acreditar em algo que pareça valido e real, conclusivo. Algo que acabe de uma vez por todas com a nossa busca por um sentido. Para que eu precisaria correr atrás do sentido da minha vida se meus pais e meus professores já o sabem e me disseram quando eu era pequeno? É assim que muita gente age, sem se dar conta da gravidade do quadro e até mesmo da existência do problema.
A depressão, por exemplo, é uma forma de dizer “eu tenho problemas e não posso de forma alguma tomar decisões importantes, minha vida é uma porcaria e é assim que vai ser”. Essa auto-exclusão da realidade, pintando o exterior de cruel e maligno é que faz tudo ir para o lado errado. É uma saída, uma tentativa de escapar da responsabilidade de buscar o seu lugar e, errando e aprendendo – e isso leva tempo, além de dar muito trabalho -, se encontrar finalmente. Há aquela dúvida “será que existe um lugar para mim? E se não existir?”. Por conta disso nasce a necessidade de se esconder.
Ao olhar para as pessoas que estão caminhando para frente, aqueles que sabem muito bem a que fazem parte, se ele está no lugar certo, pode ter certeza de que teve que tomar decisões. Muitas delas duras e assustadoras em um primeiro momento, mas é aí que entra a tão sonhada coragem. Queríamos ser iguais aos heróis da TV, mas não achávamos que era possível. É sim. Não só é possível, como nessa história quem está preso no esconderijo do bandido é você. Não existe impossível. De uma forma mais ampla, não existe o tal do impossível na maior parte dos casos. O que é a nossa falta de confiança na capacidade que temos.
Friday, February 18, 2005
Com a palavra.. Ella
“Tu és o arquiteto de teu próprio destino. Trabalha, espera e ousa.”
- Ella Wheeler Wilcox (1850-1919)
- Ella Wheeler Wilcox (1850-1919)
Wednesday, February 16, 2005
"Espero o dia passar..."
Cinco horas da tarde, do dia dezesseis de fevereiro de dois mil e cinco. No som toca uma música da extinta banda Penélope, numa busca por saber como é a voz da menina – pessoalmente milhares de vezes mais bonita e atraente do que parece.. principalmente quando ela fala com você - que está para iniciar sua carreira solo, como mostra o caderno de cultura do jornal – não vou dizer qual. Disquetes, CD´s virgens, pedaços de papel , balas de mel-própolis-gengibre, uma caneta preta e uma caixa de lenços de papel fazem companhia ao computador, espalhados na mesa, enquanto este texto é escrito. Nos cd´s encontramos Debut, da Björk, Billie Holiday, o Réquiem, de Mozart, algumas sonatas beethovianas para piano, Elvis Presley com sua póstuma coletânea de mega-sucessos, Chopin, sozinho ao piano – ok, ele escreveu, mas quem gravou foi outro cara.. não imagino outra forma, uma vez que ele morreu em 1849.. Chopin, não o cara que gravou – fora outros CD´s, mas já me cansei de citar nomes, isso aqui não é uma lista ou mesmo o Sonar, do Segundo Caderno. Ok, só para mencionar, Sgt. Peppers não poderia deixar de ser lembrado, seria um absurdo! Muito menos As Quatro Estações, de Vivaldi – que Sandy & Júnior e Legião usaram o nome para fazer algo muito menos magnífico.. talvez infinitamente menos.
Penso na situação atual da música, dos artistas e o que eles pensam – me considero um também, músico, mas não tenho condições de invadir a cabeça dos outros, por isso fico a imaginar. Muita gente correndo atrás, muita gente com coisa boa, muita gente com coisa ruim, mas ruim mesmo e sem a menor noção de realidade – seria eu um destes?, prefiro pensar que não... Faz parte dos sonhos de cada um encontrar algo a que possa se agarrar e se jogar com força e alma, por completo. Mas não basta encontrar, porque muita gente já achou e não percebe possibilidade alguma de poder seguir seu caminho. É triste. Por enquanto vamos correndo atrás das nossas ideologias, ao menos até o dia em que nos decepcionemos por completo e plantemos aquela velha frase que diz que “esse mundo não presta!”
Bom, acredito que ele preste sim, embora não para todos. Para os que merecem? Não diria assim, mas diria que para os que estão no lugar certo, ou vão atrás de tal lugar.
OBS: Fiquei espantado de ver que o “White Stripe” Jack White – vale lebrar que é roqueiro - produziu um CD de música Country que recebeu um Grammy! Estranhíssimo isso. Parece ser um que busca seu caminho – ele também está presente em cinco músicas da trilha do filme Cold Mountain, em outro estilo completamente diverso.
Penso na situação atual da música, dos artistas e o que eles pensam – me considero um também, músico, mas não tenho condições de invadir a cabeça dos outros, por isso fico a imaginar. Muita gente correndo atrás, muita gente com coisa boa, muita gente com coisa ruim, mas ruim mesmo e sem a menor noção de realidade – seria eu um destes?, prefiro pensar que não... Faz parte dos sonhos de cada um encontrar algo a que possa se agarrar e se jogar com força e alma, por completo. Mas não basta encontrar, porque muita gente já achou e não percebe possibilidade alguma de poder seguir seu caminho. É triste. Por enquanto vamos correndo atrás das nossas ideologias, ao menos até o dia em que nos decepcionemos por completo e plantemos aquela velha frase que diz que “esse mundo não presta!”
Bom, acredito que ele preste sim, embora não para todos. Para os que merecem? Não diria assim, mas diria que para os que estão no lugar certo, ou vão atrás de tal lugar.
OBS: Fiquei espantado de ver que o “White Stripe” Jack White – vale lebrar que é roqueiro - produziu um CD de música Country que recebeu um Grammy! Estranhíssimo isso. Parece ser um que busca seu caminho – ele também está presente em cinco músicas da trilha do filme Cold Mountain, em outro estilo completamente diverso.
Friday, February 11, 2005
E mais Fernando Pessoa
Ameaçou Chuva
Ameaçou Chuva. E a negra
Nuvem passou sem mais...
Todo o meu ser se alegra
Em alegrias iguais.
Nuvem que passa... Céu
Que fica e nada diz...
Vazio azul sem véu
Sobre a terra feliz...
E a terra é verde, verde...
Por que então minha vista
Por meus sonhos se perde?
De que é que a minha alma dista?
Ameaçou Chuva. E a negra
Nuvem passou sem mais...
Todo o meu ser se alegra
Em alegrias iguais.
Nuvem que passa... Céu
Que fica e nada diz...
Vazio azul sem véu
Sobre a terra feliz...
E a terra é verde, verde...
Por que então minha vista
Por meus sonhos se perde?
De que é que a minha alma dista?
Monday, February 07, 2005
Ninguém escapa
Andei pensando em diversas pessoas. Como elas são, como elas encaram a vida e como elas se relacionam. Família, amigos, conhecidos, pessoas famosas e até mesmo eu. Nenhum me pareceu “normal”. Nem mesmo os mais inteligentes. Aliás, principalmente esses.
Friday, February 04, 2005
O teatro da vida
Sabe qual é o grande problema da vida? Todos os objetivos, as realizações e os significados são inventados, e além disso, como se não bastasse, a nossa mente também cria dificuldades e perturbações que nos causam insatisfações. A vida é um teatro onde um bom ator é aquele que interpreta seu papel tão bem que se sente seu próprio personagem.
Tuesday, February 01, 2005
Passeando pelo séc. XVIII
Depois de entrar em uma das melhores livrarias do Rio, sem um rumo específico que não o de me inserir naquele infinito de possibilidades diversas, vaguei curioso. Olhava para todos os livros que estavam em meu caminho, como se buscasse por um – na verdade buscava, mas por uns instantes preferi o acaso – até que, cercado de beleza e riqueza por todos os lados, notei um livro com o qual já havia paquerado antes. A mais recente biografia de Beethoven estava ali, em cima de uma mesa largada na desordem – algo provavelmente proposital, para que um funcionário viesse depois e arrumasse todos aqueles variados títulos – olhando para mim, enquanto eu olhava para ela. Não me envergonhei da troca de olhares e fui para o ataque.
Assim que peguei o livro – que atiça com seu peso e volume de páginas – notei que havia duas poltronas perto de onde estava. Uma delas estava ocupada por um senhor de uns prováveis setenta anos que lia descompromissadamente um livro da loja, a outra ainda estava vazio – por pouco tempo. Sentei-me na poltrona, coloquei minha jaqueta preta no braço dela e comecei a folhear o livro. Bem, na verdade não estava disposto a folhear, queria mesmo era lê-lo por inteiro. Fui para o prólogo. Li-o por completo e passei para o primeiro capítulo, sem jamais me esquecer de volta e meia vigiar com o rabo do olho para me certificar de que não havia problema nenhum com isso. Passava um funcionário com bastante freqüência, mas ele nem se importava. Gosto desse tipo de estabelecimento, que se preocupa em deixar o cliente à vontade – à vontade o suficiente para abrir a carteira e gastar tudo o que tem depois de tanto conforto “gratuito”.
O trecho do livro que li mostrou que Beethoven teve problemas ainda aos dezesseis anos, quando fora para Vienna, para ter aulas com Mozart. Mozart era considerado fenômeno absoluto, embora Haydn tenha sido o mais famoso em toda a Europa – a volume da obra deste me parece incrível, se compararmos as nove sinfonias de Beethoven com as pelo menos oitenta deste. Na cidade provinciana onde Beethoven morava desde seu nascimento, Bonn, ele já era considerado o segundo Mozart. Mas infelizmente o menino teve que voltar pouco após arrancar elogios de seu novo mestre, como “olhe só para este menino e veja como ele toca, um dia ele vai curvar o mundo aos seus pés”. A mãe de Beethoven adoecera e logo após seu retorno foi vencida pela doença.
Beethoven agora sendo o único para cuidar de seus outros dois irmãos – eram três, mas dois meses após a morte da mãe, uma irmã de menos de dois anos morrera também. Seu pai era um alcoólatra conhecido pelo fracasso, tanto como pai como na carreira de violinista. Beethoven teve dificuldades financeiras para sustentar a si mesmo e a seus irmãos e, quando finalmente poderia retomar suas aulas com o mestre Mozart, agora esse é quem se despedira deste mundo.
O livro também traz cartas escritas por Beethoven, como por exemplo uma carta em que ele agradece um bordado feito por uma admiradora sua, uma pequena pianista de apenas dez anos de idade. Na carta ele a trata como uma pessoa bastante querida, embora nunca a tivesse visto, afirma que todos que são seus parentes agora são seus amigos também e se mostra como um homem modesto – já na fase mais madura de sua carreira, tendo composto a oitava sinfonia. Ele afirmara que, embora outros admirassem sua arte, um músico de verdade nunca estava satisfeito com o ponto em que está, sendo sempre impulsionado por aquilo que ainda não foi capaz de fazer.
Beethoven me encheu de orgulho. Queria muito o livro, mas ainda não era a hora. Tenho muitos livros ainda na lista de espera, mas este em breve encontrará o seu espaço na minha mesa de cabeceira. Coloquei o livro de volta na mesa bagunçada, passei de mãos vazias em frente à caixa e saí da loja. Plenamente satisfeito.
Assim que peguei o livro – que atiça com seu peso e volume de páginas – notei que havia duas poltronas perto de onde estava. Uma delas estava ocupada por um senhor de uns prováveis setenta anos que lia descompromissadamente um livro da loja, a outra ainda estava vazio – por pouco tempo. Sentei-me na poltrona, coloquei minha jaqueta preta no braço dela e comecei a folhear o livro. Bem, na verdade não estava disposto a folhear, queria mesmo era lê-lo por inteiro. Fui para o prólogo. Li-o por completo e passei para o primeiro capítulo, sem jamais me esquecer de volta e meia vigiar com o rabo do olho para me certificar de que não havia problema nenhum com isso. Passava um funcionário com bastante freqüência, mas ele nem se importava. Gosto desse tipo de estabelecimento, que se preocupa em deixar o cliente à vontade – à vontade o suficiente para abrir a carteira e gastar tudo o que tem depois de tanto conforto “gratuito”.
O trecho do livro que li mostrou que Beethoven teve problemas ainda aos dezesseis anos, quando fora para Vienna, para ter aulas com Mozart. Mozart era considerado fenômeno absoluto, embora Haydn tenha sido o mais famoso em toda a Europa – a volume da obra deste me parece incrível, se compararmos as nove sinfonias de Beethoven com as pelo menos oitenta deste. Na cidade provinciana onde Beethoven morava desde seu nascimento, Bonn, ele já era considerado o segundo Mozart. Mas infelizmente o menino teve que voltar pouco após arrancar elogios de seu novo mestre, como “olhe só para este menino e veja como ele toca, um dia ele vai curvar o mundo aos seus pés”. A mãe de Beethoven adoecera e logo após seu retorno foi vencida pela doença.
Beethoven agora sendo o único para cuidar de seus outros dois irmãos – eram três, mas dois meses após a morte da mãe, uma irmã de menos de dois anos morrera também. Seu pai era um alcoólatra conhecido pelo fracasso, tanto como pai como na carreira de violinista. Beethoven teve dificuldades financeiras para sustentar a si mesmo e a seus irmãos e, quando finalmente poderia retomar suas aulas com o mestre Mozart, agora esse é quem se despedira deste mundo.
O livro também traz cartas escritas por Beethoven, como por exemplo uma carta em que ele agradece um bordado feito por uma admiradora sua, uma pequena pianista de apenas dez anos de idade. Na carta ele a trata como uma pessoa bastante querida, embora nunca a tivesse visto, afirma que todos que são seus parentes agora são seus amigos também e se mostra como um homem modesto – já na fase mais madura de sua carreira, tendo composto a oitava sinfonia. Ele afirmara que, embora outros admirassem sua arte, um músico de verdade nunca estava satisfeito com o ponto em que está, sendo sempre impulsionado por aquilo que ainda não foi capaz de fazer.
Beethoven me encheu de orgulho. Queria muito o livro, mas ainda não era a hora. Tenho muitos livros ainda na lista de espera, mas este em breve encontrará o seu espaço na minha mesa de cabeceira. Coloquei o livro de volta na mesa bagunçada, passei de mãos vazias em frente à caixa e saí da loja. Plenamente satisfeito.
Saturday, January 29, 2005
Sem voz - lembranças e sonhos -
De uma hora pra outra sua vida mudou. Mudou só na cabeça dele, mas mudou. Sua percepção da realidade não é mais a mesma, uma vez que ele agora se encontra enclausurado entre barras de ferro com suas divagações. Umas possíveis e outras absurdas.
Ela abre a porta, nem olha pra ele e vai em direção à geladeira. Será que ela não o vê? Ele fica apreensivo, inquieto. Ela abre uma garrafa e enche o copo. Enquanto ela mata sua sede, ele suplica por um gole. Ao menos um. Mas não se escuta sua voz. Uma voz rouca que não sai, ficando presa dentro da garganta.
Por um momento ela para. Parece que algo chamou sua atenção. Ela olha para os lados, como quem procura. E ele acenando – pobre coitado – desejando ser solto de sua prisão. Ela passa perto, mas não para. Fica atrás dele, olhando para a parede. Uma parede com fotos, lembranças de um futuro que parece ter sido feito ontem. Ela enxuga algumas lágrimas e volta, com passos rápidos, à mesma porta pela qual entrou. E ele grita de se rasgar por seu nome, por uma chance. Uma palavra. Sua voz se desfaz no ar com a mesma velocidade que sua retina troca a imagem de sua amada a cada passo por ela dado.
Ele desiste, por hora, e senta desolado. No chão da jaula, mesmo. Não tem pra onde ir. Não tem pra quem gritar. Ela sai da cozinha e vai em direção ao quarto. Ele fecha os olhos e imagina o que ela estará a fazer.
Ela abre a porta, nem olha pra ele e vai em direção à geladeira. Será que ela não o vê? Ele fica apreensivo, inquieto. Ela abre uma garrafa e enche o copo. Enquanto ela mata sua sede, ele suplica por um gole. Ao menos um. Mas não se escuta sua voz. Uma voz rouca que não sai, ficando presa dentro da garganta.
Por um momento ela para. Parece que algo chamou sua atenção. Ela olha para os lados, como quem procura. E ele acenando – pobre coitado – desejando ser solto de sua prisão. Ela passa perto, mas não para. Fica atrás dele, olhando para a parede. Uma parede com fotos, lembranças de um futuro que parece ter sido feito ontem. Ela enxuga algumas lágrimas e volta, com passos rápidos, à mesma porta pela qual entrou. E ele grita de se rasgar por seu nome, por uma chance. Uma palavra. Sua voz se desfaz no ar com a mesma velocidade que sua retina troca a imagem de sua amada a cada passo por ela dado.
Ele desiste, por hora, e senta desolado. No chão da jaula, mesmo. Não tem pra onde ir. Não tem pra quem gritar. Ela sai da cozinha e vai em direção ao quarto. Ele fecha os olhos e imagina o que ela estará a fazer.
Thursday, January 27, 2005
Abujamra san
André Abujamra – vocalista da extinta banda Karnak e atualmente iniciando sua carreira solo com um show bastante inventivo, misturando inspirações orientais, samplers e solos de guitarra, coisa cada vez mais rara na cena rock - relatou em seu mais recente show (26/01/2005), que teve participação de Lenine e Paulinho Moska, um episódio com seu filho de 10 anos.
Estavam em frente ao mar, quando o moleque disse:
- Pai, a onda do mar é como o homem.
André, assustado, tentava entender aquela aparente estranheza:
- Como é?!
E seu filho lhe explica:
- É pai, a onda do mar é que nem o homem. Nasce, cresce, morre e se transforma em lágrima.
Abujamra só teve uma reação, bastante perplexo com aquilo:
- Porra!
Repetindo, seu filho só tem 10 anos de idade.
Abujamra também é responsável, entre outras coisas, pela autoria da letra e da música em “O mundo”, faixa gravada por Paulinho Moska no CD Móbile – recentemente regravada por Pedro Luís e a Parede & Ney Matogrosso para o CD Vagabundo, tendo até mesmo um clipe na programação da MTV.
A maravilhosa trilha sonora do filme “Carandiru” também foi obra de Abujamra.
Estavam em frente ao mar, quando o moleque disse:
- Pai, a onda do mar é como o homem.
André, assustado, tentava entender aquela aparente estranheza:
- Como é?!
E seu filho lhe explica:
- É pai, a onda do mar é que nem o homem. Nasce, cresce, morre e se transforma em lágrima.
Abujamra só teve uma reação, bastante perplexo com aquilo:
- Porra!
Repetindo, seu filho só tem 10 anos de idade.
Abujamra também é responsável, entre outras coisas, pela autoria da letra e da música em “O mundo”, faixa gravada por Paulinho Moska no CD Móbile – recentemente regravada por Pedro Luís e a Parede & Ney Matogrosso para o CD Vagabundo, tendo até mesmo um clipe na programação da MTV.
A maravilhosa trilha sonora do filme “Carandiru” também foi obra de Abujamra.
Copiando a cópia
Sou um homem invisível
Daqueles que copiam
Duplicado como o do Saramago
Sou invisível
Sem forma
Não sou nada
Não sou ninguém
Branco e negro
De olhos puxados
Bom e ruim – tem essa agora?
Uso o que me passam
Como todos – sentido ambíguo, também me alimento deles
Uso a roda, o ferro e o aço
Bebo Coca-cola – ok?
Não os fiz, mas uso tudo isso e muito
mais
mas
espere...
Preciso ser original
Criar algo do nada
Como?
Vou estudar os antigos e
- ignorando todos, claro –
Serei inovador
E minha arte não terá passado
Afinal,
sou invisível
(todas as palavras aqui presentes foram copiadas do Dicionário – um dos maiores
“best-sellers” - e de minhas experiências com seres humanos, todos reais)
Ele, o personagem – essa palavra quem inventou fui eu -, sorri e entende que realizou seu desejo. E, em to de satisfação, desanda a gargalhar – copiando outros personagens, estes malignos, de diversas histórias infantis.
“Hahaha.. hahaha.. HAHAHA!!!”
Daqueles que copiam
Duplicado como o do Saramago
Sou invisível
Sem forma
Não sou nada
Não sou ninguém
Branco e negro
De olhos puxados
Bom e ruim – tem essa agora?
Uso o que me passam
Como todos – sentido ambíguo, também me alimento deles
Uso a roda, o ferro e o aço
Bebo Coca-cola – ok?
Não os fiz, mas uso tudo isso e muito
mais
mas
espere...
Preciso ser original
Criar algo do nada
Como?
Vou estudar os antigos e
- ignorando todos, claro –
Serei inovador
E minha arte não terá passado
Afinal,
sou invisível
(todas as palavras aqui presentes foram copiadas do Dicionário – um dos maiores
“best-sellers” - e de minhas experiências com seres humanos, todos reais)
Ele, o personagem – essa palavra quem inventou fui eu -, sorri e entende que realizou seu desejo. E, em to de satisfação, desanda a gargalhar – copiando outros personagens, estes malignos, de diversas histórias infantis.
“Hahaha.. hahaha.. HAHAHA!!!”
Subscribe to:
Posts (Atom)