Friday, July 27, 2007
Quase meia-noite
A desilusão é constante, principalmente quando tentamos, incoscientemente e a todo tempo, eleger mestres para podermos seguir. Aqui se manifesta noavmente a necessidade do ser humano de encontrar uma segurança, um alicerce que nos livre da sensação de total abandono nesta terra (qualquer terra). Uma das poucas fés que podemos ter nas pessoas, vejo cada vez mais, é em nós mesmos (salvo algumas almas merecedoras de medalhas; mas estas são poucas e... palmas para elas!!!).
Não aos ídolos! Está na hora de organizar a cabeça e resgatar aquela pequena lição de cada um, para ver se assim o verdadeiro "ideal", que é relativo - sim, porque depende do que você busca - se materialize, ao menos na imaginação. De pouco em pouco a galinha enche o papo...
É? Enche o papo, é? Pro diabo com a galinha. Frases de merda que ajudam e ao mesmo tempo emburrecem. Tudo que eu quero é dormir e... não criar conceitos equivocados.
Tuesday, March 06, 2007
Carcomido
Levanta-se. O peso do próprio corpo já ultrapassa o suportável - tantos anos de sedentarismo não poderiam ficar
A idade veio, e com ela a degradação, a fraqueza. Antes era jovem, forte, impulsivo. Agora, não passa de um velho, um defunto, um corpo apenas. Uma peça de museu. Mas, uma peça de museu que tenta alcançar a porta. Com seus dedos finos e já sem pele, com seus ossos à vista, como todo zumbi que tenta ressurgir da morte, ele insiste. E a maçaneta continua tão distante quanto antes. Pensa
E ele tenta mais uma vez, com o peso do próprio corpo ultrapassando o suportável.
Tuesday, February 20, 2007
Mais uma canção (nova versão com final alterado)
Me encarando com seu olhar penetrante, ela reclama de coisas em mim que eu não pude mudar e se mostra mais insatisfeita do que o suportável. Seus argumentos fazem sentido, mas não quero pensar em nada agora. Não hoje. Depois de tudo que aconteceu, só preciso me deitar e esperar que amanhã meus problemas já estejam todos resolvidos, como num passe de mágica.
Ela pega suas coisas - calma, me refiro as coisas dela, não às suas – e se retira. “Tenho que ir pro camarim, o show começa em poucos minutos”, diz a voz grave e macia que dia desses me fisgou, antes mesmo de nos conhecermos. Peço uma bebida e espero pela salvação – neste instante qualquer coisa poderia me salvar, já que não agüento mais estar dentro dele; mas um drink vai servir.
O pub cheio, as pessoas animadas e as luzes apagadas. Apenas o bar com seus raios coloridos alegra o ambiente, esperando pelas luzes do palco ainda vazio, para que estas, junto à solidão dele - o bar -, façam companhia um ao outro. No olhar de cada estranho um tanto diferente de tristeza, a velha busca por saciar o eterno desejo por uma quebra, um pouco de aventura para tornar a vida cotidiana mais interessante, mais atraente. Procura-se o que é atraente mesmo quando isso na verdade, na prática, não significa nada, apenas te suga e pronto. Não que você esteja sendo sugado pelo que acharia melhor mas, enfim...
Enfim sobe a banda ao palco e as luzes se acendem. Minha atração, com o jeito peculiar, lidera o grupo e me faz esquecer do mal estar que dominava, ao menos para mim, todo o mundo. Não que eu esteja sendo sugado pelo que eu acharia melhor, mas no momento eu acho. Luzes, som, fumaça, ritmo, aquela voz. Ao menos por hoje vou poder conviver com os meus problemas. Na verdade ficarei imaginando o amanhã, onde, quem sabe, quando acordarmos pela manhã, o hoje ainda não será passado, mas o amanhã já será presente e, eu e ela, tão independentes e fortes quanto assustados e carentes, nos amarraremos um ao outro um pouco mais e ostentaremos um sorriso sincero por, mais uma vez, não termos outra saída.
Saturday, January 06, 2007
Mais uma canção

Me encarando com seu olhar penetrante, ela reclama de coisas em mim que eu não pude mudar e se mostra mais insatisfeita do que o suportável. Seus argumentos fazem sentido, mas não quero pensar em nada agora. Não hoje. Depois de tudo que aconteceu, só preciso me deitar e esperar que amanhã meus problemas já estejam todos resolvidos, como num passe de mágica.
Ela pega suas coisas - calma, me refiro as coisas dela, não às suas – e se retira. “Tenho que ir pro camarim, o show começa em poucos minutos”, diz a voz grave e macia que dia desses me fisgou, antes mesmo de nos conhecermos. Peço uma bebida e espero pela salvação – neste instante qualquer coisa poderia me salvar, já que não agüento mais estar dentro dele; mas um drink vai servir.
O pub cheio, as pessoas animadas e as luzes apagadas. Apenas o bar com seus raios coloridos alegra o ambiente, esperando pelas luzes do palco ainda vazio, para que estas, junto à solidão dele - o bar -, façam companhia um ao outro. No olhar de cada estranho um tanto diferente de tristeza, a velha busca por saciar o eterno desejo por uma quebra, um pouco de aventura para tornar a vida cotidiana mais interessante, mais atraente. Procura-se o que é atraente mesmo quando isso na verdade, na prática, não significa nada, apenas te suga e pronto. Não que você esteja sendo sugado pelo que acharia melhor mas, enfim...
Enfim sobe a banda ao palco e as luzes se acendem. Minha atração, com o jeito peculiar, lidera o grupo e me faz esquecer do mal estar que dominava, ao menos para mim, todo o mundo. Não que eu esteja sendo sugado pelo que eu acharia melhor, mas no momento eu acho. Luzes, som, fumaça, ritmo, aquela voz. Ao menos por hoje vou poder conviver com os meus problemas. Quem sabe quando acordarmos pela manhã, eu e ela, tudo não tenha se tornado melhor, como num passe de mágica?
Friday, November 10, 2006
Rascunhos de Música 1
Monday, October 09, 2006
Mau humor
Com o corpo mole, me levanto da mesa rumo ao meu banho matinal, do qual não abro mão um dia que seja – sou daqueles que se perturbam muito quando surge um motivo sincero, algo urgente mesmo, que me faça sair de casa antes da chuveirada. Ah, mas como eu me sinto maravilhado ao perceber que, após todo aquele sacrifício para subir as escadas, a bomba d’água está quebrada! Terei que me contentar com a água fria, tão fria que merece ser chamada de gelada – já mencionei que sem a bomba a água vem bem fraquinha?
A água corrente me faz bem, mesmo gelada – eu adoro banho frio, embora às vezes seja incapaz de enfrenta-lo - e consegue lavar a minha mente, levando para longe todas as angústias que, aliadas a uma noite mal dormida, podem conspirar para que eu comece e termine o dia vestindo um mau humor idiota. E eu odeio mau humor. Este me parece com um ser insuportável, que bate a sua porta com o objetivo de tomar grande parte do seu tempo e você – OK, no caso aqui você sou eu – o deixa entrar porque não reuniu forças para bater a porta na cara do infeliz.
Wednesday, August 23, 2006
Rag Time - a hora do peão
Entrando em casa, a mulher já reclama dos sapatos sujos de terra e se revolta por ver em sua expressão que ele nem se importa com isso. Tudo que importa está mais a frente: a sala de TV. Ah... o sofá, a tranqüilidade de não ter que fazer nada – as demandas da patroa não conseguem interferir nisso -, se estirar e fazer o que quiser. De preferência, não fazer nada.
Poderia colocar um disco do Scott Joplin, que ganhou em seu aniversário anos atrás e cuja música não sai da cabeça há mais de uma hora, mas prefere o silêncio ao redor. A música fica soando como antes, apenas em sua mente.
Estendendo a mão e pega, na mesinha ao lado, um charuto. E acendê-lo proporciona aquele prazer, que só quem experimentou sabe. Não é só o fumo, mas a situação toda. Livre dentro de sua própria caverna. Livre entre das poucas horas livres antes de começar um novo dia de trabalho duro.
À medida que o cansaço se acentua, o sono bate a porta. Aos poucos, fecha os olhos e dorme no sofá. E entra num pasto imenso, todo seu. Com cavalos treinados correndo por todos os lados, dos quais ele escolhe um e, usando apenas um simples gesto que parece pequeno frente a sua habilidade, monta no mais selvagem de todos. E segue correndo pelo campo. Correndo pelas estradas. Correndo no meio mato. Correndo pelas montanhas. Insistente e sem jamais se cansar.
Thursday, August 10, 2006
Analisando.doc
A música de Thom Yorke faz bastante sentido aqui: um contexto de introspecção, entrando cada vez mais dentro de mim mesmo; enfim, uma viagem.
O suor frio evidencia meu estado atual, de quem está exausto e, por causa disso, praticamente adoentado.
Pulo parágrafos constantemente porque, assim como na música que toca – já não é mais aquela -, a mudança de clima aqui se mostra um ingrediente necessário –“alta demanda”, no jargão economês. Procuro palavras, climas, situações, idéias interessantes que possam se tornar bonitas com algumas pinceladas, mas a coisa não está fácil.
O sofrimento hoje é outro. Já não há a presença das angústias passadas, com exceção de algumas. As perguntas já parecem ter respostas parciais e isso, no momento, me traz uma sensação de tranqüilidade. O maior problema atualmente é a busca pelo avanço, a evolução de assuntos já iniciados. Um deles é este texto.
Reflito sobre as coisas que escrevia antigamente. Gosto delas até hoje, são minhas crianças! Mas não sinto mais aquela força sugando na mesma direção. Quero dizer, em parte. Na verdade, faz parte da transformação. Hum...
Saturday, July 08, 2006
Palavras de sangue e desejo
Luto para não pensar no que, imagino eu, divagando, poderia me fazer embarcar em ilusões não tanto aleatórias, mas corrosivas, capazes de me destruir e a você também. Seu cheiro, tão perto e tão distante. Um desejo constante de te ter e te atravessar com meus braços e minha boca, deixando um pouco de você em mim e algo de mim em você.
O tempo não colabora, anda pra frente, pra trás, para cima e para baixo, mas nunca para onde eu quero. Eu quero hoje, agora, ontem e também amanhã. Quero você aqui e eu aí, simultaneamente.
Não escrevo palavras bonitas, elas fedem e são dolorosas – e as assino com meu sangue. Mas exprimem da forma mais sincera o que eu sinto por você. E de você eu não abro mão.
Monday, July 03, 2006
Saudades
Sentada na mesa de um bar, de costas para mim e para a rua, encontro ela. Logo ela que eu não dei valor e hoje sinto saudades. Ao entrar no bar, para fazer uma surpresa, ela vira na minha direção, como se soubesse que eu estava passando por ali. E sorri.
Wednesday, May 24, 2006
Um nome Novo
Levanta da cama e, ainda cambaleando, busca um copo d´água na cozinha; antes de molhar as cordas vocais, não se emitem palavras sem o desprazer da dor seca. Um copo e depois outro. A vista ainda descontente com a invasão da luz do dia no apartamento, ele ruma ao corredor, seguindo para o banheiro.
Tranca a porta mas, “quem é que entraria aqui?”, reflete, uma vez que não há ninguém em casa; estão todos viajando. Seu reflexo no espelho afirma que não dorme bem há dias. Decepção. Não gosta do que vê e fica se encarando. Não gosta de quem é; já é hora de utilizar tudo que aprendeu e se transformar. Está na hora de sair da incubadora, mas com outra cara. Nada mais de brincar por aí, agora a coisa é séria. Acabou a paciência e uma urgência por resultados práticos grita à flor da pele.
Joga o nome fora, enquanto faz a barba e olha fixamente nos próprios olhos, decidindo o que seja a partir de agora. Coloca uma música agitada no som, em alto volume, se veste, pega as chaves, a carteira e sai de casa, batendo a porta com força.
Sunday, April 30, 2006
Na distância, o olhar
Aqui dentro chove, neva, alaga e o sol é de rachar. Como não tenho protetor, já percebo que estou criando uma nova pele, de tanta dor sofrida. Dos seus lábios sai apenas música, assim como do seu perfume, que não sinto mas consigo idealizar, assim como todo o resto. Uma sonata, triste, de um instrumento que atua em movimentos solo, melancólicos e intensos. Quisera eu que ela pudesse me ouvir tocar uma canção. Uma canção diferente de tudo, onde nós seriamos um e não houvesse mais escuridão. Seria bonito, mas mais uma vez eu me encontro aqui sonhando. Sonho acordado para depois fugir com ela em sonho. Mas não um sonho azul, eu quero um sonho vermelho. Um sonho em que o meu sangue corra com tamanha força que me rasgue o corpo, mas antes me dê forças para destruir estas paredes e me livrar destas palavras imbecis e sinceras, que não trarão o meu amor.
Friday, April 21, 2006
O pote de ouro
Nada como era previsto. E agora, o que fazer?
Entra em um café e chama pela garçonete. Você tem um isqueiro? Obrigado. Um café com creme, por favor. A fumaça que sopra parece levá-lo para bem longe, onde ele contempla quase que aleatoriamente os últimos dias.
Chega o café. Açúcar ou adoçante? Açúcar, por favor.
Saturday, April 15, 2006
Encurralado - exercícios para a loucura
Parado na minha frente, então, ele me olha. Seus olhos brilhantes cor de rubi me observam, como se eu fosse apenas mais um experimento e nada do que eu pudesse fazer iria me ajudar a resolver este enigma. “Não existe solução para o que você quer”, diz a sua voz rouca e bem projetada, onipresente em cada canto do recinto. Frente a frente com o meu medo, a respiração dele tranqüila fazendo um contraponto com a minha, o extremo oposto, mostra o quanto eu pareço estar perdendo o controle da situação. E o sorriso estampado na face do meu inimigo me acerta como mais um tapa, embaçando a minha vista. Sem enxergar nada, um belo “Porra!” é a coisa mais bonita que você pode tirar de mim.
Aproveitando do meu vasto leque de opções satisfatórias, sento e cruzo as pernas. Correr de um lado para o outro em nada vai me ajudar. E ele continua ali, rindo da minha cara, enquanto come sua maçã dourada. Bem que ele poderia se engasgar com ela. Hum... isso me parece muito bom...
Friday, March 10, 2006
Pétalas escorridas

Suas pétalas caem como lágrimas, deixando sua luz para trás, embaçando o brilho no seu olhar. Sua angústia, maior do que a suportável. Ela corre. Busca por um lugar onde consiga se sentir longe de toda a desgraça que parece ter se instalado em sua vida e onde possa finalmente descansar em paz. Mas seus pés não agüentam muito, são frágeis demais. Com o rosto no chão, ela suspira e chora. O som do rio que corre ao lado e a vegetação da mata fechada sinalizam que está só, embora isso não signifique que agora esteja segura. Sua própria presença já é o suficiente para que faça mal a si mesma. Os olhos fechados transportando-a para os lugares dos quais mais se arrepende ter ido, as palavras que um dia ouviu e tanto acreditou, mas hoje já não são nada além de poeira memorial. O vento. Parece um amigo, mas, quem é que sabe? Os sentidos já não podem ser considerados amigos fiéis faz tempo.
Resolve banhar-se no rio, a água como refúgio. Uma fuga, que não a protege de seus pensamentos e torturas. Um ruído estranho agita sua mente, que mantinha seu corpo em total inércia. Folhas se mexendo, nada mais. Talvez de um caminho secreto, ou de uma caverna no meio do nada surja algo que pareça estranho e ao mesmo tempo mágico. Uma aventura capaz de levar a mente a um lugar bem longe, no qual ela possa se esquecer da beleza que perdeu dentro de si. Soa muito bonito, mas um tanto improvável. Ela se deita e cai no sono.
De olhos fechados ela ouve um som incomum, que tenta reconhecer inutilmente. Abre os olhos, com a vista ainda levando alguns segundos para se ajustar – é noite.Luzes pequeninas zunindo ao seu redor... parecem tentar chamar a sua atenção. Estariam elas tentando se comunicar? Depois de alguns momentos as pequenas luzes seguem em seu movimento giratório, seguindo um caminho um tanto quanto estranho. A bela moça desiludida resolve segui-las. Mas... para onde elas a levarão? A moça se levanta e corre atrás, pela mata negra que, ao menos para mim, parece assustadora.
Saturday, February 25, 2006
Um pouquinho de paz
Lá fora, muita festa. As pessoas se encontram, confraternizam. Eu no momento quero apenas ficar aqui, quieto. Não preciso nem mesmo me mover para satisfazer esse desejo - que hoje mais se parece com uma necessidade.
Preciso entender qual é o som do silêncio. Assim poderei entender melhor quem eu sou - já que estamos em constante transformação e adaptação isso me parece ser algo a que deveríamos dar mais importância.
Andando
Pois é, nada de paciência.
Eu poderia meditar. Bem que eu gostaria, se ao menos eu conseguisse me concentrar...
Meus pensamentos, em diferentes pontos e ao mesmo tempo, não me deixam em paz - e também não sei se a paz é tão perfeita assim.
Continuo andando. É o melhor que eu tenho a fazer. Até encontrar um bar e pedir uma cerveja.
Friday, February 24, 2006
Como desaparecer completamente
Wednesday, January 04, 2006
Perdido - mais que você?
Olho para ambos os lados da rua. Ninguém. Tudo deserto, nenhum assobio, nenhum pássaro cantando, nenhum bêbado balbuciando asneiras. A dor me atinge em cheio, com a minha cabeça reclamando de tanta bagunça feita nos últimos dias. Sim, eu bebi demais. Mais do que quando eu achava que meus problemas não poderiam piorar mais e que a minha carreira e o meu casamento pareciam ter chegado ao fim. Agora enxergo com clareza que aquele definitivamente ainda não era o tal do fim melancólico e dramático que eu havia planejado para a minha triste vida – sim, porque se eu não me fizer de coitado, quem fará?
Minhas roupas sujas, molhadas e fedendo. Por onde será que eu andei? Talvez seja melhor nem mesmo descobrir.. da última vez não deu muito certo. Peraí... que lugar é esse? Que rua é essa? Ando, ando e ando. Mas a rua parece que não acaba. O que? Não, eu apenas estou buscando o nome da rua na próxima esquina. Não estou fugindo de você. Ih, relaxa, que eu já estou com problemas demais por aqui.Bom, parece que é aqui a esquina mais próxima. E o nome da rua é... ué, cadê o nome da rua?! Só me faltava essa. Agora os vândalos resolvem destruir o patrimônio público logo na hora e local em que eu pretendo finalmente usufruir dele. Que ótimo.
Tuesday, January 03, 2006
Muito bom pra caramba mesmo
Interessante ver que, enquanto muito se fala que não se fazem bons filmes, podemos ver filmes muito bons em cartaz, mesmo que para isso seja preciso peneirar um pouco e até mesmo arriscar de-vez-em-quando-quase-sempre. King Kong? Berg, nada de muito relevante, a não ser que você ealmente queira dar muito valor para o fato de que no roteiro original houvesse o lance do Tore Kong dando uns sopapos nos Tiranossauros Rexsssss...Ta certo que Primavera para Hitler não é um filme recente, apenas o seu remake, Os Produtores, mas está de volta no grande circuito e garante mais de uma hora de bom cinema e gargalhadas raramente vistas hoje em dia.
Mas, o prato principal aqui é bem outro - beeeeeem outro mesmo. Estou aqui para dizer que Beijos e Tiros, cujo livro que inspirou o filme eu estou louco para adquirir, assim como todos os outros do mesmo autor. Para começar, o filme se baseia em um narrador, que é o personagem principal explicando tudo o que acontece enquanto você vê o filme na tela. E, uma coisa que sempre dá certo, ele faz o herói que sempre se ferra. Só esses dois fatores já são de grande peso. Agora somemos aos dois anteriores o fato de ser um filme bastante inteligente, com piadas e humor sagaz, suspense, intrigas e mulheres lindas - sim, de morrer; principalmente a mocinha, que em alguns ângulos você jura ser a própria Liv Lyler, só que MAIS BONITA... ah, vale lembrar que ela fica apenas de calcinha em uma das cenas...
Enfim, um filme daqueles que você fica muito feliz de estar assistindo e não se aguenta de querer comentar tudo que acontece. Um filme excelente com sacadas geniais a todo instante. Esse vai pra prateleira...
Sunday, December 25, 2005
uma música linda - mas tem que escutar...
Metallica
Composição: Hetfield e Ulrich
Wherever I May Roam
...(And the road becomes my bride)
And the road becomes my bride
I'm stripped of all but pride
so in her I do confide
and she keeps me satisfied
gives me all I need
...and with dust in throat I crave
only knowledge will I save
to this game you stay a slave
rover wanderer
nomad vagabond
call me what you will
but I'll take my time anywhere
i'm free to speak my mind anywhere
redefine anywhere
anywhere I roam
where I lay my head is home
...and the earth becomes my throne
and the earth becomes my throne
I adapt to the unknown
under wandering stars I've grown
by myself but not alone
I ask no one
...and my ties are severed clean
the less I have the more I gain
off the beaten path I reign
carved upon my stone
my body lie, but still I roam
wherever I may roam
Monday, December 19, 2005
Entrando no castelo
Ali está ela, preparando um chá para nós dois. Tomamos o chá e relaxamos. Olhar para o céu cheio de estrelas, esparramados neste sofá gigantesco se faz um programa mais do que suficiente para o que buscávamos. E batemos um papo. A conversa dura horas, até o momento em que o telefone toca e ela se levanta para atender. Um choro. Ela desliga o telefone e volta, evitando me olhar nos olhos.
Tento chamar a sua atenção, fazendo meus truques ilusórios, estourando pequenos fogos de artifício que parecem sair de minhas mãos, o que surte um efeito inspirador no humor da doce menina. Sua infância se manifesta em seu sorriso. Um sorriso de quem pede por um pouco de paz em meio a um momento de extrema turbulência emocional.
Ela enxuga as lágrimas e me abraça com força. Um beijo longo. Uma noite em segurança.
Wednesday, November 23, 2005
A busca - agonia
Tuesday, November 22, 2005
Recados
Monday, November 21, 2005
Música da banda HEREGES
Quem se sente só
E seus caminhos deram um nó
Já desistiu de se explicar
Se prende outra vez
Arrepender-se do que fez
É aprender a não errar
Seus pais queriam alguém pra se orgulhar
E mergulhou por não ter medo de água fria
Na piscina dos seus sonhos que estava
Já vazia
Espera na porta alguém para confessar
Sussurra em línguas mortas sem perceber
Ninguém se importa, ninguém quer ver
Já nem sente dor
Já definiu o que é o amor
Por quem partiu pra não voltar
Já nem finge rir
Já decidiu pelo rancor
Por todo aquele que chegar
Desviou de repente o olhar
No seu céu estrelas decadentes
No horizonte acena o sol dos seus anseios no poente
No poente
Espera na porta alguém para confessar
Sussurra em línguas mortas sem perceber
Ninguém se importa, ninguém quer ver
Ninguém se importa, ninguém quer ver
Ninguém se importa, ninguém quer ver
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Esta belíssima música está disponível no site da banda www.hereges.com.br , onde também há uma agenda sempre atualizada dos shows da banda. Eu classificaria a banda como "urgente", que é um adjetivo que deveríamos adotar para mais usos que o habitual.
Thursday, November 17, 2005
Estátuas coloridas – bonitas, mas ordinárias
Tuesday, November 15, 2005
Um friozinho
"Tem alguém aíiiiiiii...???" Olha prum lado, olha pro outro... e nada.
Zzzzzzzzzzzzzzzzz...
Congela e morre.
Monday, November 07, 2005
Luz, câmera... contemplação
Folheio livros, tomo um café. Pessoas ao meu redor interagindo umas com as outras e eu no meu silêncio. Um silêncio que é a na verdade tudo que eu mais precisava no presente momento, algo que eu pedia faz tempo – nem tanto assim, ontem tive esse silêncio também; mas é fato que cada vez eu preciso mais dele para me sentir em casa, confortável comigo mesmo. Faço projeções, reflexões, pondero. Entendo melhor o que me atinge no momento e consigo associar tudo. Nada se mostra de fora, excluído do sistema. Saio, pago a conta e caminho em direção ao carro, com aquele desejo por um papel e uma caneta. Desenvolver meus pensamentos na forma escrita me relaxam. Algo que é necessário para a manutenção da minha tranqüilidade, que na verdade nunca chega. Sou hiper-ativo-demais para isso. Às vezes percebo minha vida como um filme em que sou o diretor, o produtor e o protagonista, travando uma batalha constante contra quem investiu em mim e as inconstâncias da realidade prática – sempre se atracando com os meus roteiros.
Thursday, November 03, 2005
E com vocês... Julio Cortázar
"Yo creo que desde muy pequeño mi desdicha y mi dicha al mismo tiempo fue el noaceptar las cosas como dadas. A mí no me bastaba con que me dijeran que eso era una mesa, o que la palabra "madre" era la palabra "madre" y ahí se acaba todo. Al contrario, en el objeto mesa y en la palabra madre empezaba para mi un itinerariomisterioso que a veces llegaba a franquear y en el que a veces me estrellaba."
Monday, October 31, 2005
Angelus, de Millet

Pode-se perceber sua incrível beleza na veracidade passada pelo pintor, que retrata a cena sem ser possível que encontremos traços de pinceladas - coisa que Da Vinci também fazia. Reza a lenda, esta já publicada em livro ao qual o nome eu não tenho acesso - maneira estilosa de dizer que não sei -, que Millet havia pintado este quandro com um caixão no lugar da cesta de palha vermelha. Quando uma oportunidade de participar de um concurso de arte surgiu, Millet teria mostrado a pintura que inscreveria no concurso a um amigo bem próximo. Este, por sua vez, o aconselhou a mudar algo na pintura, que ao mesmo tempo em que era demasiadamente bela, iria chocar a todos pelo que estava retratado nela. Millet teria substituído, então, o caixão pela cesta, colocado uns sacos de batata no carrinho e pintado umas batatas mais à esquerda, em frente ao ancinhó - essa mistura de pá com tridente. Algumas fontes também afirmam que Salvador Dalí teria sido o primeiro a descobrir que na pintura haveria um enterro disfarçado. Ele teria percebido que atrás da mulher, em frente ao carrinho, há um monte de ossos por cima da terra. Salvador Dalí fez diversas referências a esta obra de Millet, inclusive reproduzindo-a com precisão, como um quadro preso na parede da casa de um dos personagens de uma de suas pinturas - que também não sei o nome.
Friday, October 28, 2005
A chuva, carregando as bostas flutuantes
Wednesday, October 26, 2005
O mal necessário
Aqui sento e me ponho a desenhar,
passando para o papel o mundo fantástico
que habita em minha mente,
com criaturas incríveis, viagens mais que impossíveis
e você.
Sua atenção eu nunca tive,
e nem, provavelmente, jamais hei de ter.
Suas palavras cruéis,
seus ímpetos destrutivos, embora inconscientes
- mas nem tanto; mostra seu desejo de quebrar as regras
e ver os limites -,
e seu jeito de contemplar.
Seu olhar me desconcerta
me faz acreditar no inverso das coisas,
minha realidade saindo dos eixos.
Sua boca,
seu beijo que já sonhei sentir,
sua pele,
minha desgraça e minha salvação.
Em meu sonho lúcido busco por você,
embora não saiba se, estando ao seu lado,
(?) seria realmente feliz.
Palavras tolas, embora sinceras, que me fazem caminhar parado. Estático, me resumo à minha insignificância, esta às vezes substituída pela glória de ser algo que ainda não compreendo - assim como todos os outros -, enquanto recebo aplausos silenciosos pela peça que representei e o mundo assistiu, mesmo sem ter percebido.
Friday, October 14, 2005
O fim de um ciclo
Friday, September 30, 2005
A caverna de cada um; ou, Neandertais de terno
Costumamos acreditar que nossas vidas são controladas por nós mesmos, que conhecemos as coisas e que somos muito espertos. Mas o que se deixa passar é que estamos cercados por - ou, quem sabe, afundados em - vícios, hábitos, tradições culturais, medos e – vem agora a inércia da humanidade – preguiça. “Eu estou antenado com as notícias do mundo”, poderia dizer uma pessoa aparentemente bem informada. Bem, isso é o que ela acha. Não há como saber ao certo como anda o nosso planeta - ao menos assim tão facilmente como pode parecer. Para começar, nossas crenças são controladas, tanto pelas linhas editoriais de jornais e revistas, como pelos programas de TV. A esses podemos incluir as campanhas publicitárias – na verdade uma loja de fantasias, um verdadeiro baile de máscaras -, as instituições religiosas – sim, todas; não estou criticando a fé religiosa, mas sim as instituições -, nosso ambiente social e nossas famílias – ok, eu sei que as mães se esforçam para fazer o melhor.
Cada um de nós formou uma opinião sobre inúmeros assuntos desde o nascimento. Este conhecimento se baseia em nossas experiências individuais e pessoais, como também nas opiniões já existentes no enorme mundo complexo que nos rodeia e no qual estamos inseridos, independente de querermos isso ou não. As opiniões que formamos tendo como base idéias difundidas por outras pessoas, são conceitos que podem ser colocados a teste caso venhamos a passar por experiências que tenham condições de comprovar sua validade ou não. Se uma dessas opiniões nunca for testada, é possível que se viva uma vida inteira sem saber que acreditava-se em algo ilusório e irreal, mas com cara de verdade. E é aí que mora o perigo. Não sendo possível ter todas as experiências ao mesmo tempo, acreditamos naquela que nos for apresentada com argumentos mais bem estruturados. Seria como dizer que uma mentira bem contada pudesse se tornar verdade. Um bom exemplo disso seria a eficácia dos discursos de Hitler para o povo alemão. Ele, o povo, em grande parte estava certo de que seguia o caminho mais correto possível e que seu líder era um homem sábio – que era esperto ele era, sim; além de muito psicótico: um pintor frustrado que encontrou na destruição uma forma de ascender e entrar para a história, enquanto descontava toda a sua raiva em gente inocente.
Observando as crenças das diferentes populações – sejam de diferentes países ou até mesmo de diferentes grupos sociais, diferentes bairros – podemos perceber que cada um desses grupos tem crenças próprias limitadas ao que eles são capazes de enxergar. Se você pegar um aluno de engenharia química que costuma passar seu tempo livre jogando futebol na praia e coloca-lo em uma festa dos alunos de um curso de cinema, onde estes discutem filmes de Eisenstein ou Kubrick, mesmo que ambos estudem na mesma universidade, o choque será grande. É como se existissem infinitos universos paralelos. Agora, se você tomar o cuidado de levar em conta o fato de que cada ser humano é diferente, tendo como base os conceitos do parágrafo anterior, podemos imaginar a civilização toda como sendo composta por seres que andam carregando suas próprias cavernas, de um lado para o outro. Seres que vivem, de certa forma, alienados para quem está de fora, mas antenados com o seu mundo interior. Isto também serve para explicar porque as pessoas acham tão complicado entender umas às outras, tanto em relacionamentos amorosos como em relações de trabalho e amizade. Nossa imaginação é capaz de nos levar até um determinado ponto, mas, mesmo que ela seja muito criativa, jamais será capaz de prever com muita clareza as reações dos outros indivíduos. É daí que vêm os famosos mal-entendidos, responsáveis por constantes brigas e desavenças entre pessoas que acreditam se conhecer muito bem e esquecem que cada um possui suas particularidades – quando ocorre entre estranhos, então, o caso é mais sério, sendo mais rara uma reaproximação futura. Na verdade, todos querem ser entendidos, mas despendem pouco esforço para tentar entender o outro. Aquele que mora ao lado e do qual você precisará, cedo ou tarde. Sabe aquela frase que diz que ninguém é normal? Pois é, não há como alguém ser. Porque o “normal” não existe. O que é normal para você pode não ser normal para mim, e assim por diante. Normal, na verdade, é ser peculiar – os mais metidos costumam gostar mais de usar a palavra “idiossincrático”.
Wednesday, September 28, 2005
Ponderando
Ps: volta e meia a gente acaba esquecendo disso tudo e se desesperando por causa de uma paixão - afinal, quem pode com a natureza?
Ps2: se você se pergunta sobre a veracidade dos horários em que tenho postado meus textos - por serem muito tarde, ou tão tarde que já passa a ser cedo demais - eu te respondo: sim, eles estão corretos.
Tuesday, September 27, 2005
Palavras malditas
Devaneios de uma noite comum
Levanta-se. Abre a porta da varanda e olha a chuva. O vento frio carrega a chuva fina, trazendo um cheiro de natureza para se encontra em seu percurso. Fecha os olhos e sente. Uma tranqüilidade inesperada, como todas as coisas maravilhosas que não programamos e nos acontecem sem aviso prévio, mostrando-nos o quanto nossas vidas podem ser gostosas se nós simplesmente deixarmos.
A chuva lava a alma da rua, enquanto poli o corpo do nosso personagem. Sim, porque neste instante eu o divido com vocês. Pode parecer que se trata de um monólogo, mas apenas para os mais ingênuos. Não há texto que seja lido e compreendido sem que haja uma interpretação e uma reação da parte do leitor, e isso faz com que a leitura se torne um diálogo. Agora, voltemos ao nosso amigo...
Uma lágrima que não sai se manifesta, mas por dentro faz suas batucadas. Dor e saudade. Arrependimento, infelizmente. Não fez o que poderia ter feito, mesmo sabendo que seria o melhor, e agora se sente só. Pegando o maço de cigarros com a mão esquerda, retira um deles com a outra – mão, no caso. Abre o isqueiro prateado e não o acende, o admirando com um olhar fixo. Foi um isqueiro caro, mais uma das frescuras da cultura consumista. Bonito, reluzente e inútil. Seu único objetivo é facilitar um vício idiota que não traz sua amada de volta, apenas engana uma ferida para abrir outra. Estendendo a mão, larga o isqueiro do alto do 17º andar, sem se importar com os detalhes decorrentes desse ato. Joga os cigarros no lixo e vai para a sala de estar.
Volta da sala trazendo um copo com gelo e uma garrafa de whisky. Não abria nenhuma há tempos, sendo que esta ganhara em seu último aniversário, justamente da mulher que lhe faz tanta falta hoje. “Vou encerrar isso agora.”, pensa ele, tratando a situação como uma expressão simbólica, um ritual de liberdade onde exalta o fim de uma época. E começa...
Dentro de um túnel escuro, e sem saber onde foi se meter ou como, ele escuta uma sirene, em alto em bom som. Muitos ruídos, todos eles ressoando sem parar pelas paredes torturando-o. Parece que está dentro d´água e tenta nadar, sem saber que rumo poderia tomar. As vozes perturbando sua consciência parecem cada vez mais presentes, todas elas ao longe e chamando-o para diferentes destinos. Um inferno molhado, poderia se dizer. Agora uma luz forte, como se fosse um carro andando sob a água acende o farol alto e ele não consegue enxergar nada. O veículo buzina insistentemente, como se avisasse o inevitável. E bate, de frente. Seu corpo é lançado às dezenas de metros de distância e ele não consegue perceber a dor, embora se mantenha perfeitamente consciente. Como em câmera lenta, ele gira seu corpo e sua cabeça, involuntariamente, olhando para a escuridão absoluta, que parece ter suas próprias formas e sombras; bem diferente de um vazio negro. Presta atenção na respiração. Ela se mantém. E, começa a entender que agora é a hora em que ele cai e, provavelmente, se quebra todo de encontro ao solo.
A queda. Dói um pouco, mas nem tanto. Escuta um som de vidro acertando o chão, mas sem se quebrar. Novamente muita luz e seus olhos ardem. Percebe que suas mão obedecem ao seu comando e levando-as até a vista, abre os olhos. Reconhece onde está. A sala de estar. Caído em frente ao sofá, com a garrafa de whisky vazia caída no chão, dois metros distante de onde ele está. O telefone mostra duas chamadas não atendidas e recados de voz, certamente confundidos com a buzina insistente do veículo que o atropelara e as vozes que o chamavam durante o sonho.
A noite foi agitada e ele está cansado, mas agora recomeça a rotina de cada dia. Entra no banheiro e tira a roupa. Olha sua imagem no espelho, esticando a cara e as sobrancelhas. Pega uma toalha, a coloca ao lado do box de vidro e entra para debaixo do chuveiro. Abre a água fria e, jogando a água no rosto com as duas mãos, fecha os olhos.
Friday, September 23, 2005
Vagando por aí

Landscape Beach
by Guy Denning
Livre para andar, vagando sem rumo pré-definido. Muito bom. Posso até sentir a brisa gostosa me acariciar a face, embora não se passe de imaginação; na verdade aqui não venta. Mas vejo as forças que se espalham por todos os cantos, formando novas dimensões e parâmetros para o que, mais tarde, irei chamar de realidade. Me deixo levar e vou. Lógicamente que com um certo receio escondido no fundo das minhas vontades, mostrando o quanto o comodismo - e a inércia - costumam causar aquela falsa sensação de segurança. Só que hoje é o meu dia, hoje eu venci. Hoje estou livre! Hoje... ao menos hoje.
Monday, September 19, 2005
Eterno enquanto dure
Assim, na frente de todos. Mas, ao mesmo tempo, sem ninguém por perto. Pudores demais não são pra mim; coisa de gente careta. Vou te beijar, vou te adorar, ao menos até o dia em que passemos a nos odiar. E aí, quem sabe, talvez possamos ser amigos; ou não.(foto por Robert Doisneau)
Saturday, September 17, 2005
Em estado de choque - deslumbramento

My Darkest Hour, David Ho
www.davidho.com
Estou despertando uma inspiração, para a composição musical, com essa minha nova aventura pelas artes visuais. Quando vi esta imagem, além de maravilhado, ouvi o som de uma guitarra linda e poderosa, ao mesmo tempo que cruel e macabra. Ele - o som - na verdade não existia; ao menos até o momento em que eu liguei o amplificador e o executei. Encontrei uma nova fonte de inspiração.
Tuesday, September 13, 2005
Manias, leques e a cultura popular
Outro caso recorrente é o de uma metáfora que todo mundo conhece, mas ninguém reclama de ser ridiculamente mal construída. "Ampliar ao leque". Isso mesmo, ampliar o leque. Entendeu? Ok, vou explicar. "Vou fazer este curso para ampliar o leque de possibilidades", dizem alguns, bastante confiantes, aliás. Agora eu te pergunto: Você já viu alguém ampliar um leque?! Mas é claro que não, pois um leque não se amplia! Você pode abrir um leque, mas para ampliar acredito que nem mesmo quem sabe fazer leques se daria ao trabalho de ampliar um, mais fácil seria fazer outro maior. Vale lembrar que se estamos falando de uma metáfora, é preciso entrar no clima, sem fazer jogo de palavras pela metade - provavelmente isso veio de um hábito da cultura popular, da ignorância; assim como a lenda de que fazer a barba após o almoço causa a morte imediata... é minha filha, não é mole não. Então, acredito que seria muito mais sensato dizer "vou fazer este curso para trocar de leque". Ou até mesmo - o que eu julgo como sendo a melhor opção - "isso com certeza irá ABRIR o meu leque". Sim, porque um leque pode ser aberto ou trocado, mas eu nunca ouvi falar de alguém que o levasse para um artesão que fosse ampliá-lo. Se você não concorda, tudo bem. Pode ir procurando alguém que amplie o seu leque. Eu prefiro o costume oriental de, antes de se abanar, abrir o tal do maldito leque - não agüento mais escrever esta palavra. E, outra coisa, abrir o leque é uma analogia de como uma pessoa nasceria pequena e poderia ir crescendo, baseando-se no que seria possível esta alcançar com os seus potenciais, estes presentes desde o seu nascimento - o leque também nasce com o mesmo potencial de abertura que ele alcança quando "estimulado" ao máximo.
Sunday, September 11, 2005
E um brinde à preparação...
- Abraham Lincoln
Saturday, September 03, 2005
Cuidado com certos indivíduos
Pessoas assim mudam da água para o vinho sem aviso prévio. Elas conseguem até mesmo transformar o dia seguinte ao dia em que elas realizaram seus sonhos em um dia infernal, como se tudo conspirasse pela sua derrota.
Complicados, esses seres imprevisíveis andam por aí, livres e soltos, sem que ninguém faça nada! Cuidado, eles podem estar em cada canto, em cada esquina, em qualquer lugar. Quando você conhece um indivíduo simpático e acredita é uma pessoa normal, principalmente nesses casos, eles são bem suspeitos – até porque ninguém é normal, faça-me o favor...
Agora relaxe. Aqui você pode descansar, está em local seguro. Protegida de tudo e de todos esses psicopatas de plantão, todos esperando uma oportunidade para estragar o dia, a semana ou quem sabe o mês!, de um pobre inocente que saiu apenas para tomar uns drinques sem fazer mal algum a quem quer que seja.
Não precisa ter medo... hahaha, HAHAHAHAHA...- mais um idiota para a minha lista.
Tuesday, August 30, 2005
Hoje não tem título
Monday, August 29, 2005
A vida vivida
Quero correr
Quero cair e me levantar
Quero ver o sol nascer
Quero ver meu amor indo embora e isso doer
Então vou querer um outro amor
Quero muito de muita coisa
Quero apostar
Quero vencer e também quero perder
Acertar sempre é muito chato
Não quero ser perfeito
Quero ver tudo e ver todos
Ver quem eu gosto e também quem me irrita
Estes tendem a me fazer aprender
Nem que seja o porquê de eles serem assim
Quero ver a dor, entender que não são tudo flores
E que, se o mundo fosse feito de sorvete,
iria engordar muito
E muitas vezes seria mal feito também
Algumas coisas me perturbam
Mas eu também perturbo,
Não fico quieto frente às coisas!
Podem reclamar à vontade
Apenas não esperem que eu concorde
- de qualquer forma vai ser bom –
Pessimismo?
I don´t think so
Eu não tenho tempo pra esse tipo de coisa
Estou aqui pra viver
Monday, August 22, 2005
Veio se meter onde não devia, se deu mal
Música: "Ligh my fire", the Doors
Sunday, August 21, 2005
Chico Buarque, na voz de Seu Jorge
Diz que está me esperando pro jantar E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar Meio-dia eu só penso em dizer nãoDepois penso na vida pra levar E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar E me beija com a boca de paixãoToda noite ela diz pra eu não me afastar Meia-noite ela jura eterno amorE me aperta pra eu quase sufocar E me morde com a boca de pavorTodo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelãTodo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã
Saturday, August 20, 2005
Na espera
Com licença, depois dessa até preciso pegar um pouco de ar...
Ps: Angelina interpreta a mãe do monstro.. aposto que ela está adorando...
Trilha: "Purple Haze", Jimi Hendrix live at Woodstock
Friday, August 19, 2005
Perdidos no meio da selvageria
Wednesday, August 17, 2005
Mark Twain 1
Dicas Úteis para uma Vida Fútil - um manual para a maldita raça humana
Só uma frase
Não costumo seguir a linha da ficção científica, mas...
Estão todos aqui. Sentados em suas respectivas cadeiras, atentos à explicação do mentor. Mas algo não está certo. Suas afirmações são recebidas sem a menor objeção, entrando direto nas redes de arquivos neurais consideradas como sendo cientificamente comprovadas – e o que isso quer dizer, afinal? Verdades absolutas, mesmo quando não fazem sentido. E ninguém move uma palha.
Um pio e você está fora. Nada de canja ou colírio. Aqui também não há almofadas. É joelho no milho e só. Discutir, forma mais imperdoável de blasfêmia, é sinônimo de uma passagem de ida, apenas, para o inferno. Até tu, Sócrates? “Sim, até eu, meu caro”. Seria pior do que este lugar, onde um simples fruto da curiosidade te condena? Não há como ignorar o conhecimento uma vez que ele é posto em sua frente, ele te tenta, tenta e você nem tenta mais resistir.
De cara a cara com o mal, eu o desafio, e vejo o que eu não queria. Mas hoje eu digo que se voltasse o faria novamente. O chão se abre. Uma armadilha. E enquanto o peso do meu corpo me puxa rumo ao obscuro e desconhecido, observo o antes inimaginável. Fios condutores, todos ligando a cabeça do mentor as cabeças dos demais presentes, nesta sala quadrada absurdamente claustrofóbica, embora antes parecesse ser bem ventilada. A cada gesto ou expressão facial, ou até mesmo um passo, choques são dados. E com os choques, impulsos nervosos já e controlados organizam as mentes.
Com a queda, o fio em mim se rompe. Agarro-o por reflexo, mas precisão. Eu o puxo com bastante, apoiando meus pés nas paredes do túnel vertical que ansiosamente espera para me engolir. O caos reina no recinto. Raios frenéticos para todos os lados. Corpos queimando com seus olhos virados. Os mais resistentes me lançam um olhar de desdém e ódio. Alguns destes, meus fiéis amigos. Minha visão se distorce e eu deixo de sentir.
Escuridão. Um som abafado, estranho. Parece que algo me isola da existência, da realidade. Do mundo todo. Tento me mover e sinto algo cremoso e ao mesmo tempo denso envolvendo todo o meu corpo. Ouço mais sons vindo de fora, mas nada vejo. Canalizo, então, minhas forças todas e me sacodo. Sem parar. Como se estivesse dentro de um balanço. Tudo parece ir de um lado a outro. Vai e vem. Me mexo ainda com mais força, toda que sou capaz. A dor me acerta em cheio, queimando meus músculos já sem oxigenação, mas eu não desisto. Não agora. Deve haver uma saída. Estou ficando cansado, sem força alguma. Me esgotei, mas minhas esperanças não se foram. Vou ficando sonolento. Muito sono, muito sono. Acho que não serei capaz de vencer. Não posso dormir, não posso... não posso... dormir... durmo.
Seres estranhos se comunicam do lado de fora, enquanto estou imerso em meu sono confortável. Uma paz... Súbito, acho que estou em movimento. Estou caindo! Nada posso fazer. O impacto, semelhante ao acidente de um carro, só que neste caso eu estou envolto por airbags “cremosos”. Minha cela se abre. Vermelha, ela se assemelha a um caqui, gigantesco e todo esparramado pelo chão. Pela terra, na verdade. Estou no meio do mato, e, com a fome que estou, como todo o imenso caqui. Ah, que delícia!
Minha mente agora, mais do que nunca, me avisa que os ventos vindo da esquerda são o indício de que existe algo a ser descoberto. Vejo areia. Ando mais e encontro uma praia. O mar sem fim, lindo como eu poderia desejar. Vou a ele e ponho os pés na água. Hesito. Me indago. Será que é isso que eu busco? Isso me fará feliz?
Mergulho na água e nado. Sem parar.
Tuesday, August 16, 2005
De frente para o mar
A dor chegou
E o outro tempo agora cessou de passar
Inconstantes, pensamentos fazem rodar
O odor da discórdia,
A saudade do teu calor, e muito mais,
Batem com força
Estas calçadas vazias
Cheias de gente
Sozinho, aceno aos passantes
Todos cegos
Surdos, mudos
As ondas, o sol morto que da lugar à lua
O vento.
Carros perturbados, mentes cansadas
Todos pedindo paz,
Arrego
Eles e eu
Noite passada,
Noite feliz
Um sonho que parecia não acabar
Hoje,
A ressaca;
Mas não de ontem.
Sunday, August 14, 2005
Próximas lembranças
que vindo de longe sem deixar de estar perto
que declamava palavras bonitas dentro ne minha própria mente
e sentia o frio de baixo de muito sol,
voltei
Voltei de longe
bem longe mesmo
tão distante que parece incrível como eu tenha conseguido voltar
Agora olho essa casa
vazia e maltratada
que hei de cuidar uma vez que estou de volta
Meus poderes como humano medíocre são maiores
e meus medos, bem.. esses continuam por aí
mas eu os tenho enfrentado, preciso ressaltar
Um salto
Atravesso o espelho
Olhando por dentro de mim mesmo, mais a fundo do que antes
entendo os porquês
vários deles
mais do que transparente, a verdade se reflete
e se mostra ao infinito
Infinito de sonhos que agora vivo
sabendo escolher melhor
quais as cores ideais
que irão marcar as minhas próximas lembranças
Tuesday, August 09, 2005
O fantástico mundo de Bob, no país das maravilhas
Friday, August 05, 2005
Compositor de fibra
Mas, uma coisa eu não faço: correr o risco de deixar um artista extraordinário se manter distante do meu conhecimento apenas por descuido. Muitos dos meus preferidos tiveram uma oportunidade rara de se fazer notados pelo meu universo musical, até então ignorante quanto à sua existência.
Uma dica importante para quem gosta de música - e não fica muito feliz em desperdiçar oportunidades: Ed Harcourt. Este é o nome que mais me cativou nos últimos tempos, sendo que adquiri mais discos recentemente que o humanamente natural - muito mais até do que você está pensando agora... não, bem mais do que isso também.
Quem puder, as dicas são a música "God Protect Your Soul" e o site www.edharcourt.com , onde há uma música do CD novo e três vídeo-clipes ( dois funcionando). Ao abrir o website a música toca automaticamente.
Saturday, July 30, 2005
Um filme incrível
Wednesday, July 27, 2005
Rumo à China
Os bons motivos não são poucos. Fala-se muito em trabalhar a mente, sabedoria e meditação contra o stress, e os chineses são craques nisso. Levando em conta que a sabedoria deles é milenar, que o violino foi inventado lá, o Fen Shui também e muito mais -como a medicina chinesa, que dizem ser incrível - não tem como ignorar essa grande potência e constante evolução.
A caligrafia para eles não precisa ser apenas o ato de escrever. Para eles a caligrafia é uma arte - e ao que me parece, pode ter relação também com a arte do domínio da espada; bom, isso é algo presente no filme Herói, mas não confirmei ainda a veracidade da informação.
Prestem atenção nos cursos de Chinês - "língua chinesa", no caso. Eles estão surgindo aqui e ali, cada vez menos tímidos. Um amigo disse que teve que entrar numa lista de espera para poder fazer um desses cursos, o que levou quatro meses - a espera, não o curso; aliás, fico imaginando quantos anos vou levar pra aprender esta língua... sim! Eu quero aprender chinês!
Wi-wo its trrê! Não sei se significa alguma coisa. Só espero que não esteja xingando nínguém...
Não consegui evitar, precisava continuar este texto - só mais um pouquinho, ok? Imagine só conhecer os monumentos antigos, a vegetação magnífica e poder ler na língua original o que todo mundo lê reciclado - e quem sabe, remixado. Isso vai muito além. Muito mais do que ir pra São Paulo ou para um outro país tão ocidental quanto o Brasil.
Tuesday, July 26, 2005
Em dia com o cotidiano
Uma boa notícia! Logo quando estava descendo para almoçar, o telefone toca.
- Alô?
- O Guilherme, por favor.
- Sim, sou eu.
- Guilherme, aqui é da zona eleitoral. Haverá uma votação para a lei das armas em breve e a votação será obrigatória. Como você foi primeiro mesário na eleição passada, gostaríamos de convocá-lo para ser presidente de mesa.
- Eu já trabalhei uma eleição em Teresópolis e duas no Rio. Pela lei só preciso trabalhar três, não é?
- Sim, mas você precisa trabalhar três vezes aqui para que a juíza possa te liberar. Você tem uma semana para tomar posse.
Desligo o telefone com uma felicidade que não cabe no meu peito e desço para almoçar - com medo de que a comida não caia bem...
Saturday, July 16, 2005
Por ali
vejo você
nos vejo correndo para bem longe
sua malas feitas às pressas
o anseio por algo novo
misto de medo e liberdade
Sua vida escorre, se esvai
continue respirando
tenha forças
estamos quase lá
Quem sabe por aquela janela
encontro uma floresta
pura e selvagem
esperando por nós dois?
Crescendo sem rumo e sem fronteiras
buscando o infinito e o impensável
Thursday, July 14, 2005
Desconstrução
a porta está perto, apenas mais um pouco...
Sunday, July 03, 2005
Re-descobertas
O engraçado é que, ao mesmo tempo em que percebo melhor as coisas, acreditava que se pegasse a caneta, não sairia nada neste pedaço de papel. Mais descobertas.
Ok, não saiu quase nada mesmo. Talvez fosse melhor deixar este texto de lado e ir fazer algo de útil. Talvez não. O que poderia ser mais útil do que tentar evoluir em cima de algo que parece não estar tão bom quanto deveria? Bem, se formos partir do ponto de que nada faz sentido, tanto faz a resposta. Mas eu ainda acredito que valha a pena. Não estou escrevendo sem um motivo – por mais que eu ainda não saiba qual seria este -, portanto, não acho que deveria parar.
Desta vez quase parei. Do último parágrafo para este levei cerca de uns 40 minutos! Tinha até mesmo ameaçado desligar o computador, enquanto me levantava! Bom, saiba que eu enganei você, levei apenas um minuto.
Sobre o que estávamos falando mesmo?
Friday, July 01, 2005
Nosso amigo Albert
Seus trabalhos mudaram o mundo. Mas, infelizmente, ele não conseguiu a paz. Mudar o mundo é bem diferente de consertá-lo. E mesmo porque, algo que se conserta pode cair no chão novamente. As bombas que destruíram as coitadas das duas cidades lhe causaram tristeza. Um pacifista vendo suas palavras tornarem possível a destruição de inúmeras vidas. Mas ele avisou. “A bomba acabou com a guerra, mas não trouxe a paz.”
Um dos poucos cientistas alemães a evitarem a primeira guerra, tendo pedido para se naturalizar suíço, ele pensava. Pensava de forma independente. “Se eu achar que sei, vou parar de descobrir.” Ele buscou, por meio do esforço, o que muitos de nós deixamos por causa da falta de consciência.
Dez por cento inspiração, noventa por cento transpiração.
Wednesday, June 29, 2005
Tudo muito simples
Enxergo as coisas como sendo feitas de complexidades simples. Resolvendo-as de forma analítica, desmontando-as e fazendo 1+1+1+1, e por aí vai, encontramos melhores - na verdade mais fáceis e verdadeiros - resultados.
O tempo passa e,
com graça,
a idiotice diminui.
Friday, June 24, 2005
Homenagem
Wednesday, June 22, 2005
Uma letra com várias outras
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando para a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou - o que é muito pior - por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
Monday, June 20, 2005
Pão e circo
Tuesday, June 14, 2005
O sentido da vida
Exagerado, não creio estar
Basta ver.
Olhe em seus olhos
E compreenderá
Que não falo besteiras
Para o tempo passar
Quando ela sofre
Sofro eu também
Ouvindo, de braços abertos, o céu dizer amém
Com meus olhos honestos
Em meio a esse vai e vem
Um sorriso, um aceno
E mais uma vez ela me aprisiona,
Enquanto eu mesmo me condeno,
Nesse sufoco ao qual a vida me impulsiona.
Um sentimento nada ameno
Misto de prazer com desespero
Na encruzilhada deste enigma,
Em frente ao sol e à lua cheia,
Aos quais, de joelhos, faço um apelo.
De certo não é ela
A única donzela
Mas com segurança afirmo e bato o pé
Exaltando com esta goela
Que nem mesmo ventos e trovões
Me afastariam das emoções
Que sinto ao vê-la chegar
De passo em passo, de ar em ar,
Essa moça magnífica que um dia
Em minha vida resolveu entrar.
A ti, bela moça, jogo meu olhar
É com você mesma, não se engane
Pode encarar.
Ando neste deserto,
Não obstante o frio ou o calor,
Buscando uma chance para em seus braços estar
Dispondo a você meus músculos,
Meu calor e todo o meu ar.
Neste sonho quero estar
Amarrado a ti como nenhum outro há
Me derretendo ao odor do teu perfume
Nas noites de vazio e de tristeza
Em que vejo o sentido da vida
Todo presente na leveza
Que encontro neste mundo
Quando miro o teu olhar.
Infinito este poema poderia ser
Não tendo um fim por agora
Ou quando o amanhecer
Mas no momento não busco a glória
Apenas quero ver
Se estas meigas palavras te comovem
E enchem a sua alegria de viver.
Tendo dito a que vim
Então me refaço
Esperando por ora
Um outro compasso
Em que me beija, me abraça
Me adora e eu renasço.
Wednesday, June 08, 2005
Frases de Émile Coué
"Não passe o tempo a procura de doenças que você possa ter, porque, se não tiver as verdadeiras, você poderá criar as artificiais."
"Não é a sorte que nos faz, somos nós mesmos que nos fazemos."
Monday, June 06, 2005
Sobre Oscar Wilde - iniciado nos comentários do último post
As coisas simples se expandem aos nossos olhos quando descobrimos a incrível complexidade de cada sistema, sendo ele de idéias ou de qualquer outro tipo. Além da inter-relação entre as coisas, existe também a relatividade. Verdade única, absoluta e com apenas um lado, se unirmos todos essas três características, encontramos o fanatismo.
Somos atores, interpretando papéis, sendo enganosos com e próximo e com nós mesmos, manipulando a verdade, a realidade, criando assim uma proteção contra o mundo real e as situações que nos desagradam, como uma auto-defesa?
Sim e não. Acontece o tempo todo, mas não é apenas isso que acontece.
Um exemplo interessante que podemos encontrar seria as boas ações. É chamado de altruísta aquele que faz bem ao próximo, sem pensar em si mesmo e se colocando em segundo lugar. Só que está idéia é mal analisada. Quem faz o bem para o próximo sempre afirma que se sente muito bem fazendo isso. Seria ele, então, egoísta, uma vez que ele só faz atos de "boa fé" baseado em seu próprio prazer e satisfação? Essa é uma pergunta complicada de se responder. Entram aí muitos fatores, como a definição do que acreditamos ser o certo e o errado - que muda de uma cultura para outra.
Tanto quem faz o bem, como quem faz o “mal” estão seguindo seus próprios instintos. Uma pessoa não precisa ser má para fazer algo de ruim para os outros. Basta estar em uma situação que a deixe sem condições psicológicas para agir como lhe foi ensinado – e mais alguns outros fatores, que causam reações psicológicas adversas. Quem faz algo de ruim, na verdade precisa de ajuda, mas não a encontrou e libera seu pedido de socorro com atos tidos como malignos ou destrutivos.
Certo e errado? Conceitos deturpados – ou criados – tanto pelas crenças religiosas - com a ajuda da persuasão de seus líderes - como pela necessidade de segurança dos povos.
Sunday, May 29, 2005
Faça chuva ou faça sol
Passos e mais passos
Uns para frente, outros parecem que não
- mas os empecilhos me movem para frente
mesmo que acredite estar dando a ré –
Outro dia, uma batalha
Um começo, um outro recomeço
Minhas mãos lavam o rosto que dará a cara aos tapas
Crenças se abalam,
a motivação se desgasta
e outro dia se renova, como se o dia
estivesse nascendo pela primeira vez
Incerto, frio, quente, seguro
Tudo isso ao mesmo tempo
Temporal, mar aberto e com nuvens negras
Sonhos ruivos e verdes,
uma caneca na mão e um cobertor
Nada simples, muito simples
Fácil, mas trabalhoso
Previsões seguras e incertas
para o amanhã,
que aguardo ansioso
Tuesday, May 24, 2005
Por que? Porque eu gosto. Só por isso.
- Albert Einstein
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O sentido que falta
Falta sinceridade
Falta seguir os instintos
Falta o uso das capacidades,
o que foi aprendido
Falta discussão
Falta reflexão,
o pensamento na realidade
Falta foco, falta estudo
Falta isso tudo
Mas falta algo mais
Nada demais
Falta atitude,
falta compreensão
Parar de pensar, parar de escrever
e começar a fazer
Depois faltarão outras coisas...
Saturday, May 14, 2005
De pé, com uma cadeira de prata
Entra um piano, para mostrar que por aí vem algo. Sua melodia chega aos ouvidos trazendo um misto de prazer com suspense, porque a qualquer hora está para surgir o monstro, filho de um ser não-humano com uma mortal. O mestre entra em palco. Sua guitarra faz sons estridentes, que parecem ressoar ao infinito, enquanto ele se contorce de prazer e satisfação. Notas soltas, presas, dentro e fora da tonalidade, seguindo apenas as regras impostas por novas regras; estas, sem limites. O importante aqui é a arte, e a beleza também.
O ambiente está azul, não como o azul blue, mas um azul sem tristeza, mesmo que as letras das canções remetam a sentimentos nada felizes ou agradáveis. O azul da iluminação aqui nos carrega para um outro lugar, um lugar onde se entra em êxtase, um lugar de realização plena, onde as imperfeições do mundo deixam de existir. A atmosfera macia e confortável conseguindo anular o incômodo que normalmente seria se amontoar junto a milhares de pessoas num pequeno espaço.
Sonho. Essa é a cara desta noite, que não sairia da lembrança jamais. Mesmo em mil anos.
Friday, May 13, 2005
Das chamas para a calmaria
Se tem uma coisa que eu não suporto, é ter uma opinião por causa de um filósofo. Aquele indivíduo que diz “isso não sou eu, é o filósofo X”. Um pouquinho de personalidade, por favor. Existe uma preocupação imensa em saber o que os outros disseram, para que assim o nosso pensamento, a nossa idéia, seja aceita. Nada disso, discordo em gênero, número – olha ele aí – e grau. Vale muito mais a opinião daquele que olha, observa, analisa. Refletir não é apenas concordar com um filósofo ou pensador e sair por aí pregando o que ele disse como sendo o certo e ponto final. Ponto final quem diz aqui sou eu! Balela! Até hoje não encontrei nenhum ser, seja pessoalmente, seja lendo a respeito, que eu considerasse perfeito. Isso não existe. Também não existe essa de que o que foi considerado certo num passado ande por aí com uma etiqueta dourada, significando “imaculado, você não pode quebrar ou achar falhas neste conceito”. Mitos, idolatria, preguiça humana, enganação.
Da mesma forma como acho idiota julgar as idéias de um homem apenas porque ele não seria uma pessoa agradável. Já ouvi gente dizendo que Nietzsche era um revoltado sem argumentos. Disseram ter lido sua biografia – Heche Homo – e percebido que ele foi um homem sem valor. Certo. Agora, gostaria de entender como diversos doutores em filosofia – inclusive um, padre, que escreveu o prefácio para esta mesma biografia; na edição da Martin Claret – crêem ser Nietzsche um dos filósofos mais importantes. Eu mesmo acho que lê deve ter sido uma pessoa insuportável, complexa, difícil de se estabelecer um convívio – mas, quantos de nós somos realmente fáceis? Embora pense assim, tenho a nítida noção de que, o que mais me encantou em Nietzsche, foi a mesma característica que mais me deslumbrou ao ler sobre Sócrates. Enxergar coisas que as pessoas insistem em dizer que são loucura, perceber o quanto somos hipócritas com a maior facilidade e não nos damos conta, o quanto as coisas que mais parecem certas e comuns, cotidianas e aceitas por nós como sendo o normal, podem ser o exemplo da parte podre existente em nós. Sócrates foi condenado a morte por suas palavras e pela teimosia, por sua insistência em não deixar aqueles que se acham os seres santos e justos, viverem sua enganação em paz. Nietzsche causou tanto desgosto – seus livros eram publicados com bastante dificuldade, sorte dele ter um amigo influente, capaz de ouvir seus pedidos de ajuda – que a maior satisfação que um crítico de suas idéias tem é dizer que ele é ridículo e se contradiz ao afirmar que o filósofo é incoerente, por que suas idéias estão no plano metafísico, não alcançando o plano real, que seria onde tudo se passa. Falta um pouco de vontade para tentar entender as coisas.
É muito aceito dizer que o pobre não se esforça, que traficante merece morrer, que quem matou merece pena de morte e que aquele estranho não tem caráter por ter feito algo que nós – ainda – não fizemos. Falta se colocar no lugar do outro, tentar entender o que levou o outro a fazer o que fez. Falta buscar compreender do que se trata, qual é o verdadeiro ponto G. As pessoas buscam a paz. O problema é que se esquecem que a paz não ocorre apenas para um, enquanto outros sofrem. Ela é um sentimento que precisa da coletividade para se tornar concreto e resistente. Para se tornar real.
Este texto começou com um tema em mente e, com o teclar das letras e os correr dos minutos, tomou um outro caminho, completamente diferente. Como se fosse um papo com alguém, uma conversa comum, onde trocamos palavras sobre variados assuntos, podendo misturar futilidades com reflexões profundas. Mas, se você discorda, se você se sentiu ofendido, se está revoltado com o fato e não quer deixar que isso se repita, sei lá.. me jogue numa fogueira.
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Hoje é sexta-feira 13.
Sunday, May 08, 2005
Uma palhinha de Baudelaire
Podem deixar ouvir vozes confusas: e estas
Fazem o homem passar através de florestas
De símbolos que o vêem com íntimos olhares.
Como os ecos ao longe confundem seus rumores
Na mais profunda e tenebrosa unidade,
Tão vasta como a noite e como a claridade,
Harmonizam-se os sons, os perfumes e as cores.
Perfumes frescos há como carnes de infantes
Ou oboés de doçura ou verdejantes ermos
E outros ricos, corrompidos e triunfantes,
Que possuem a expansão do universo sem termos
Como o sândalo, o almíscar, o benjoim e o incenso
Que cantam dos sentidos o transporte imenso.
- Charles Baudelaire
(extraído de "As Flores do Mal")
Thursday, May 05, 2005
O visitante indesejado
O sol, ao longe, brilha, mas já com cara de passado. Seus raios levam tempo para serem percebidos pela visão humana. Breu. De óculos escuros, caminhando entre folhas secas, pregos enferrujados ao chão e moscas fedorentas que se esbarram e caem ao morrer.
Uma saída, talvez o fim disso tudo. Enfim, uma solução. Seria real? Sincera? Pode ser, mas é muito incerto.
A solidão que assola e bate na porta, mesmo que não a aceitemos. Insistente, ela berra e sai, deixando um bilhete por baixo, uma fresta. “Um dia ei de voltar para te buscar”.

